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Ibovespa – Novo recorde acima de 161 mil pontos em dia de otimismo generalizado

A terça-feira foi mais um capítulo de euforia na Bolsa brasileira. O Ibovespa saltou 1,56% e encerrou o pregão em 161.092,25 pontos, um novo recorde histórico de fechamento. No mês de dezembro, o índice já acumula alta de 1,27% e, no ano, a valorização chega a 32,93%.

O movimento foi turbinado pela combinação de dois vetores principais: o otimismo externo com a possibilidade de corte de juros pelo Federal Reserve já na próxima reunião e a melhora na percepção doméstica de risco, em parte associada à queda na desaprovação do governo e à leitura de que isso pode facilitar a agenda fiscal adiante. Em outras palavras, o mercado vê mais espaço político para ajustes de médio prazo.

Entre as ações de maior peso, os bancos tiveram protagonismo: o Bradesco (BBDC4) avançou 1,07%, apoiado em declarações otimistas do CEO sobre emprego e massa salarial; o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 2,23%, e o Banco do Brasil (BBAS3) ganhou 1,63%. A Vale (VALE3) também contribuiu com alta de 0,82%, enquanto a Petrobras (PETR4) subiu 0,69%, apoiada pelo recorde da produção mensal de petróleo no Brasil. Foi um pregão típico de “risk-on”, com fluxo consistente para ativos de risco locais.

Olhar Global – Wall Street em alta com forte aposta em corte de juros do Fed

Em Nova York, o tom também foi positivo. Os principais índices acionários estenderam o rali observado em novembro, sustentados pela expectativa cada vez mais consolidada de que o Federal Reserve irá cortar a taxa de juros na chamada “Super Quarta” da semana que vem. O Dow Jones avançou 0,39%, o S&P 500 ganhou 0,25% e o Nasdaq subiu 0,59%.

As apostas de redução de 0,25 ponto percentual na taxa básica americana já beiram 90%, segundo plataformas de derivativos, refletindo a percepção de que a política monetária está bastante restritiva e que a economia desacelera de forma gradual. O movimento é reforçado pelas declarações recentes do governo americano: o presidente Donald Trump indicou Kevin Hassett como favorito para substituir Jerome Powell na presidência do Fed em 2026, nome visto como mais dovish, enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, falou em “expansão robusta com inflação baixa” nos próximos anos.

No mercado de juros, os rendimentos dos Treasuries recuaram: a taxa do título de dois anos caiu para 3,51%, e a do papel de dez anos recuou para 4,09%. O dólar perdeu força frente às principais moedas, com o índice DXY em torno de 99,3 pontos. Na Ásia, os PMIs de serviços e compostos de China e Japão seguiram em terreno de expansão, ainda que em leve desaceleração, enquanto o petróleo tipo Brent recuou 1,14%, pressionado pelo noticiário em torno das negociações de paz na Ucrânia.

Juros – Curva futura cai em toda a extensão e melhora cenário para a Renda Fixa

Os juros futuros brasileiros acompanharam o bom humor global e fecharam em queda por toda a curva. O DI para 2029 recuou 0,74 ponto percentual, e o DI para 2033 caiu 0,69 ponto, em um movimento de forte fechamento das taxas mais longas.

A leitura do mercado é de que o quadro fiscal pode se tornar menos pressionado à frente em parte pela queda da desaprovação do governo, que amplia a margem política para ajustes ao mesmo tempo em que a inflação parece caminhar para a meta no horizonte relevante. Essa combinação permite reduzir prêmios de risco na curva longa.

Para os RPPS e demais investidores com carteiras relevantes de Renda Fixa, o dia foi particularmente positivo: a queda acentuada das taxas gerou ganhos expressivos na marcação a mercado de títulos públicos, em especial os atrelados à inflação e de prazo mais longo. Os índices de referência refletiram esse movimento, com altas de 0,59% no IMA-B 5+ e de 0,42% no IMA-B cheio, além de avanço de 0,22% no IRF-M.

Dólar – Moeda recua com melhora de percepção fiscal e fluxo para risco

O dólar comercial acompanhou o movimento de maior apetite por risco e fechou em baixa de 0,52%, cotado a R$ 5,330. A queda refletiu tanto a desvalorização global da moeda americana, diante das fortes apostas em corte de juros pelo Fed, quanto uma leitura mais construtiva do mercado em relação ao quadro fiscal doméstico.

Na prática, o recuo do dólar e a redução das curvas de juros reforçam o ambiente macro mais favorável ao real. No acumulado de 2025, a moeda americana já cai mais de 13% frente ao real, mantendo o Brasil entre os destaques positivos entre os emergentes.

Cenário Internacional – Mercado conta os dias para a decisão do Fed

No exterior, o foco está inteiramente na reunião do Federal Reserve de 10 de dezembro. Com a probabilidade de corte de juros próxima de 90%, qualquer nuance na comunicação da autoridade monetária pode alterar significativamente o humor dos mercados. O dólar mais fraco, os yields dos Treasuries em queda e a expectativa de um nome mais flexível no comando do Fed em 2026 reforçam o apetite por ativos de risco.

Ao mesmo tempo, a economia global segue em ritmo moderado: PMIs de serviços na China e no Japão ainda indicam expansão, mas em patamares menores, e o mercado de petróleo reage às idas e vindas das negociações de paz entre Rússia e Ucrânia. A delegação americana em Moscou sinaliza intenção de avançar em um acordo, embora a Rússia ainda negue qualquer acerto iminente.

Cenário Doméstico – Bolsa em euforia, curva de juros cede e política destrava orçamento

No Brasil, o dia foi de forte otimismo nos mercados financeiros. Além do novo recorde do Ibovespa e da queda do dólar, a curva de juros devolveu prêmios de risco: o DI para janeiro de 2027 recuou para 13,57%, e o DI para janeiro de 2029 caiu para 12,67%. Dados da produção industrial de outubro, com alta de apenas 0,1% frente a setembro (abaixo da expectativa), reforçaram a percepção de desaceleração da atividade, o que também contribui para aliviar a pressão inflacionária.

No front fiscal e político, houve algum alívio. Governo e Congresso chegaram a um entendimento sobre o calendário de pagamento das emendas parlamentares, destravando a votação do Orçamento de 2026 na Comissão Mista de Orçamento. Esse avanço reduz, ao menos no curto prazo, o risco de paralisia institucional. Em paralelo, a aprovação no Senado do projeto que aumenta a tributação sobre fintechs, casas de aposta e JCP, ao mesmo tempo em que estende a isenção de IR sobre dividendos até abril de 2026, foi lida como um ajuste que alivia a saída de recursos ao exterior e ajuda o câmbio.

Por fim, a ligação de 40 minutos entre os presidentes Lula e Donald Trump, tratando de combate ao crime organizado e questões comerciais (incluindo tarifas impostas pelos EUA), reforça a tentativa de normalização das relações econômicas bilaterais, fator que também entra no radar de médio prazo dos investidores.

E agora?

A quarta-feira será marcada por indicadores importantes do setor de serviços e do mercado de trabalho, tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. Os dados de PMI de serviços por aqui e o relatório ADP lá fora funcionam como prévia do desempenho da atividade e do payroll, ajudando a calibrar as apostas para a decisão do Fed.

Para os RPPS, o cenário que se desenha é de continuidade da boa fase para ativos de risco e títulos longos de Renda Fixa — mas com atenção redobrada à volatilidade que pode surgir à medida que nos aproximamos da Super Quarta da semana que vem.

Agenda do dia – Indicadores Econômicos

  • 6:00 – PMI Composto S&P Global (Nov) – Zona do Euro
  • 10:00 – PMI do Setor de Serviços S&P Global (Nov) – Brasil
  • 10:15 – Variação de Empregos Privados ADP (Nov) – EUA
  • 12:00 – ISM Não-Manufatura: Novos Pedidos (Nov) – EUA
  • 12:30 – Estoques de Petróleo Bruto – EUA
  • 16:30 – Discurso de Donald Trump, Presidente dos EUA – EUA

 

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