O ano de 2026 começou com o mercado financeiro tentando encontrar seu ritmo após um 2025 histórico. Na primeira sessão do ano, o Ibovespa recuou 0,36%, fechando aos 160.538 pontos. O movimento foi influenciado pontualmente pelo setor de frigoríficos, que sentiu o peso de novas barreiras comerciais impostas pela China à carne brasileira. No acumulado deste início de janeiro, o índice registra a mesma variação negativa de 0,36%.
Apesar do recuo na Bolsa, o clima não foi de desânimo. O Dólar comercial caiu 1,19%, encerrando a R$ 5,42, beneficiado pelo interesse estrangeiro em nossa taxa de juros. No cenário de renda fixa, os juros futuros (DI) fecharam em queda, trazendo um alívio bem-vindo para a marcação a mercado dos títulos públicos. Já em Nova York, o clima foi de cautela produtiva, com as bolsas americanas fechando de forma mista, enquanto os investidores calibram as apostas para o novo ciclo que se inicia.
Neste boletim, detalhamos como esses movimentos impactam diretamente as estratégias de investimento e o que esperar para a primeira semana cheia do ano.
Olhar Global – Wall Street calibra as expectativas para 2026
O primeiro dia de negociações em Nova York foi marcado por um “sentar de poeira”. Após os ganhos expressivos de 2025, os gestores globais começaram o ano testando se a “energia” compradora continuará a mesma. A narrativa central permanece na Inteligência Artificial e na expectativa de que o Federal Reserve (o Banco Central americano) realize novos cortes de juros ao longo de 2026.
Um ponto de atenção para os próximos meses é o fim do mandato de Jerome Powell à frente do Fed, o que pode trazer alguma volatilidade nas expectativas monetárias. Por enquanto, o mercado global foca na normalização dos indicadores econômicos após os períodos de paralisação do governo americano no ano passado.
• Dow Jones: +0,32%
• S&P 500: +0,04%
• Nasdaq: -0,10%
Ibovespa – Frigoríficos pesam, mas o otimismo de longo prazo permanece
O Ibovespa fechou aos 160.538 pontos (-0,36%). Para quem olha o copo meio cheio, o índice ainda orbita patamares elevados após a alta de quase 34% em 2025.
O “balde de água fria” do dia veio do setor de proteína animal. A China anunciou tarifas e cotas para a carne bovina brasileira, o que afetou diretamente empresas como Minerva (BEEF3) e Marfrig (MRFG3).
Analogia de Mercado: Imagine que o Brasil é o principal fornecedor de um supermercado (China) e este resolve limitar quanto quer comprar por um preço justo. Isso força as empresas a buscarem novos clientes ou rotas alternativas, como exportar via países vizinhos (Argentina e Uruguai) onde também possuem fábricas, para contornar essas taxas.
Além disso, a partir de hoje, o índice passa por uma “troca de jogadores”: a Copasa (CSMG3) entra para o time principal do Ibovespa, enquanto a CVC (CVCB3) deixa o índice.
Juros – Queda nos DIs favorece a Renda Fixa no início do ano
Ao contrário dos EUA, onde os juros subiram, os juros futuros brasileiros fecharam em queda generalizada. O mercado doméstico parece estar “comprando” a ideia de que a inflação está sob controle e que o Banco Central pode ter espaço para começar a reduzir a Selic em breve. A expectativa do mercado, segundo as apostas atuais, é de que um corte de juros tenha mais força para ocorrer na reunião de março, embora janeiro ainda esteja no radar de alguns analistas (30,8% de probabilidade).
Impacto no RPPS: Para os RPPS, a queda nas taxas de juros futuros é uma ótima notícia. Ela valoriza os títulos de renda fixa que já estão na carteira (marcação a mercado), ajudando a rentabilidade do patrimônio que garantirá as aposentadorias futuras.
Desempenho dos índices de renda fixa:
• IMA-B 5+: +0,2388%
• IMA-B: +0,1919%
• IMA-B 5: +0,1323%
• IRF-M: +0,3357%
• IRF-M 1: +0,0664%
Dólar – Real ganha terreno com o “Carry Trade”
O Dólar começou o ano recuando forte: -1,19%, cotado a R$ 5,42. O principal motivo é o que chamamos de carry trade: como os juros no Brasil ainda são muito altos (Selic em 15%), o investidor estrangeiro traz dólares para cá para aproveitar essa rentabilidade, o que aumenta a oferta da moeda americana e faz o preço cair. Além disso, o otimismo global com ativos de risco favorece moedas de países emergentes como o nosso.
E agora?
A “ressaca” das festas acaba hoje e o mercado volta com força total. O foco da semana será o retorno dos dados econômicos americanos à normalidade e, por aqui, o primeiro Boletim Focus do ano, que trará as projeções atualizadas dos economistas para o PIB e a Inflação de 2026. É o momento de calibrar as velas para a jornada que temos pela frente.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos
• 🇧🇷 08:25 – Boletim Focus (Expectativas de mercado)
• 🇺🇸 12:00 – PMI Industrial ISM (Saúde da indústria americana)
• 🇺🇸 14:00 – GDPNow do Fed de Atlanta (Projeção do PIB dos EUA)
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