O feriado acabou e a volta à realidade foi um pouco amarga para o mercado financeiro brasileiro. Enquanto Wall Street ensaiou um passo mais alegre com a recuperação das empresas de tecnologia, o Ibovespa seguiu em ritmo de “quarta-feira de cinzas”, fechando em queda de 0,24%, aos 186.016 pontos. É o terceiro recuo consecutivo, reflexo de um tombo expressivo nas ações da Vale, que acabou ofuscando o bom desempenho da Petrobras e do setor aéreo.
No cenário das moedas, o dólar subiu para R$ 5,24, acompanhando a cautela global. Já os juros futuros (DIs) mostraram resiliência e fecharam em queda na maioria dos vencimentos, indo na contramão das taxas americanas. Apesar do tropeço de hoje, o Ibovespa ainda sustenta um saldo positivo de 2,57% no mês de fevereiro.
O mercado agora tenta equilibrar o otimismo com a inteligência artificial lá fora e a tensão geopolítica crescente no Oriente Médio, que fez o petróleo disparar. Para entender como essa “apuração” pós-folia impacta seus investimentos e o que esperar dos dados do PIB que saem amanhã, confira os detalhes abaixo.
Olhar Global – Tecnologia sobe, mas Fed exibe divisão
O mercado internacional viveu um dia de recuperação, mas sem euforia total. Em Nova York, as empresas de tecnologia voltaram a brilhar, lideradas pela Nvidia, o que ajudou os índices a fecharem no azul. No entanto, a divulgação da Ata do Federal Reserve (o Banco Central americano) trouxe um balde de água fria: os dirigentes estão divididos sobre quando começar a cortar os juros, citando que a economia dos EUA ainda está muito forte.
Na Europa, o clima foi mais positivo, com bolsas em alta após bons balanços corporativos. O ponto de atenção mundial agora é o preço do petróleo, que subiu forte diante do risco de um conflito direto entre EUA e Irã. Quando o petróleo sobe, a inflação global costuma sofrer pressão, o que deixa os bancos centrais em alerta.
Principais índices:
• Dow Jones: +0,26% (49.662,66 pts)
• S&P 500: +0,56%
• Nasdaq: +0,78%
Ibovespa – Vale desafina e puxa o índice para baixo
O principal índice da nossa bolsa encerrou aos 186.016,31 pontos. No acumulado de 2026, a valorização ainda é robusta: +15,45%.
O grande vilão do dia foi a Vale (VALE3), que despencou 3,57%, sentindo o peso do cenário incerto para o setor de mineração e siderurgia global. Em compensação, a Petrobras (PETR4) subiu 0,81%, impulsionada pela alta do petróleo no exterior. No setor aéreo, a Embraer (+1,60%) e a Azul (+2,41%) garantiram bons ganhos após notícias positivas de entregas e novos investimentos. O mercado vê esse movimento como uma “limpeza de terreno” após os recordes de janeiro, com investidores estrangeiros aproveitando para realizar lucros.
Juros – Renda Fixa ganha fôlego na contramão externa
Mesmo com os juros nos EUA subindo, as taxas dos nossos DIs futuros caíram hoje. Esse movimento aconteceu porque o Boletim Focus trouxe, pela sexta semana seguida, uma projeção menor para a inflação no Brasil.
Por que isso importa para o RPPS?
Quando as taxas de juros futuros caem, os títulos públicos de renda fixa (especialmente as NTN-Bs e os prefixados) sofrem uma valorização no preço de mercado. Isso é o que chamamos de “marcação a mercado” positiva. Para os RPPS, esse alívio nos juros é essencial para garantir que a rentabilidade da carteira supere a meta atuarial, garantindo o patrimônio dos segurados sem precisar de estratégias de altíssimo risco.
Comportamento dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: +0,2560%
• IMA-B: +0,2013%
• IMA-B 5: +0,1320%
• IRF-M: +0,1530%
• IRF-M 1: +0,0549%
Dólar – Busca por segurança após a folia
O dólar comercial fechou em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,241.
A valorização da moeda americana foi impulsionada pelo cenário externo. Com as ameaças de “guerra total” no Oriente Médio e a postura cautelosa do Fed, investidores do mundo todo correm para comprar dólares como uma forma de proteção (o famoso porto seguro). No dia a dia, o dólar mais alto pressiona o custo de insumos, mas para o investidor com alocação em ativos globais, ajuda a proteger o patrimônio contra oscilações domésticas.
E agora?
A folia acabou, mas a emoção continua. Amanhã é um dia chave para o mercado brasileiro com a divulgação do IBC-Br, que é considerado a “prévia do PIB”. Se o dado vier forte, pode dar um novo ânimo para as ações ligadas ao consumo. Fique atento também aos estoques de petróleo nos EUA, que podem ditar o rumo da Petrobras no fim da semana.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (19/02)
Prepare o café, o dia será movimentado:
• 🇧🇷 09:00 – IBC-Br (Dezembro): A medida oficial do ritmo da economia brasileira.
• 🇺🇸 10:30 – Balança Comercial (EUA): Indica a força das exportações americanas.
• 🇪🇺 12:00 – Confiança do Consumidor (Europa).
• 🇺🇸 14:00 – Estoques de Petróleo Bruto: Movimenta o setor de energia global.
• 🇧🇷 14:30 – Fluxo Cambial Estrangeiro: Mostra se o investidor de fora está entrando ou saindo do Brasil.
Quer saber como os dados do PIB podem impactar sua estratégia de alocação? Acompanhe o Morning News.
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