Se você é supersticioso, a última Sexta-feira 13 trouxe motivos de sobra para justificar o receio. O mercado financeiro viveu um dia de forte aversão ao risco, com os investidores operando no “modo pânico” diante da escalada do conflito no Oriente Médio e da retórica endurecida de Donald Trump, que descartou qualquer acordo com o Irã exigindo uma “rendição incondicional”. Esse cenário empurrou o petróleo novamente para cima dos US$ 100, reacendendo o temor global de uma inflação persistente que os dados do passado (como o PCE de janeiro divulgado hoje) ainda não conseguem captar.
No Brasil, o clima foi de “salve-se quem puder”. O Ibovespa recuou 0,91%, fechando aos 178.653,31 pontos e consolidando a sua terceira semana consecutiva no negativo. O dólar disparou 1,37%, atingindo os R$ 5,314, enquanto os juros futuros (DIs) saltaram de forma alarmante, com a curva operando predominantemente acima dos 14%. No acumulado de março, o Ibovespa já amarga uma queda de 5,90%. O governo federal tentou conter os danos com medidas para o diesel, mas a incerteza regulatória sobre a taxação de exportação de petróleo acabou pesando sobre as empresas do setor.
Com as bolsas americanas também fechando em queda, o cenário para esta semana é de cautela máxima, especialmente com as reuniões de política monetária (Copom e Fed) no horizonte. Convidamos você a conferir os detalhes e como eles impactam os RPPS nas seções a seguir.
Olhar Global – O Custo Bilionário da Incerteza
O cenário internacional foi dominado pelo “choque de realidade” sobre os custos e a duração da guerra. O Pentágono deve solicitar US$ 50 bilhões extras para repor munições consumidas em tempo recorde, enquanto Trump segue com um discurso inconstante: ora diz que a guerra está no fim, ora promete ataques “com muita força” para a próxima semana.
Essa volatilidade mantém o petróleo em patamares elevados, o que o mercado acredita que tornará as decisões dos Bancos Centrais muito mais difíceis. Em Wall Street, os investidores ignoraram o PIB do 4T25 e o PCE de janeiro, considerando-os dados de uma “realidade pré-guerra” que não servem mais de bússola. O resultado foi a terceira semana seguida de perdas para os principais índices americanos.
• Dow Jones: -0,25% (Semana: -1,98%)
• S&P 500: -0,61% (Semana: -1,59%)
• Nasdaq: -0,93% (Semana: -1,26%)
Ibovespa – Terceira semana no vermelho e a fuga do risco
O Ibovespa encerrou a sexta-feira aos 178.653,31 pontos. No acumulado de 2026 (1T26), o índice ainda sustenta uma alta de +10,26%, mas o fôlego de março está seriamente comprometido com a queda de 5,90% no mês.
O dia foi marcado por uma queda generalizada das blue chips. A Vale (VALE3) recuou 1,19% e a Petrobras (PETR4) caiu 0,73%, ignorando a alta do petróleo, uma vez que o mercado digere as novas medidas de taxação de exportação anunciadas pelo governo. As petroleiras juniores, como a PRIO (PRIO3), sofreram ainda mais com essa incerteza regulatória. Os bancos também não escaparam da sangria, com quedas superiores a 1% em quase todos os nomes, refletindo a saída de investidores estrangeiros que buscam proteção no dólar.
Juros – Curva em modo pânico e o desafio do Copom
O mercado de renda fixa viveu um verdadeiro estresse técnico. Os contratos de DI futuro dispararam, com alguns vértices subindo até 41 pontos-base. O mercado agora espera que o Banco Central seja muito mais cauteloso na reunião da próxima semana: as apostas de um corte de 0,50% na Selic perderam força para um corte de apenas 0,25% ou até a manutenção da taxa em 15%.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de regimes próprios de previdência, esse salto nas taxas gera uma marcação a mercado negativa imediata. Quando os juros futuros sobem bruscamente, o preço dos títulos públicos que o fundo já possui em carteira (como NTN-Bs e prefixados) cai.
Imagine que o seu título é um contrato de aluguel antigo: se hoje o mercado paga “aluguéis” muito mais caros (taxas DI mais altas), o valor do seu contrato antigo diminui para quem quiser comprá-lo agora.
Contudo, para o cumprimento da meta atuarial de longo prazo, taxas acima de 14% representam uma oportunidade histórica de “travar” rentabilidades reais elevadíssimas, garantindo a solvência das aposentadorias e pensões contra surtos inflacionários.
Comportamento dos índices de renda fixa (13/03):
• IMA-B 5+: -1,7773%
• IMA-B: -1,2132%
• IMA-B 5: -0,4903%
• IRF-M: -0,7277%
• IRF-M 1: -0,0300%
Dólar – A escalada para os R$ 5,31
O dólar comercial fechou em forte alta de 1,37%, cotado a R$ 5,314.
A busca por segurança foi o tema do dia. Com o índice DXY (que mede o dólar contra moedas fortes) voltando a operar acima dos 100 pontos, o Real foi castigado. O mercado acredita que a incerteza geopolítica e o aumento do custo de importação de combustíveis criam uma pressão de curto prazo difícil de conter. Para o RPPS, essa alta do dólar valoriza as alocações em fundos cambiais ou de investimento no exterior, servindo como um “colchão” contra as perdas na Bolsa local.
E agora?
Entramos na semana das decisões. O mercado estará com os nervos à flor da pele aguardando o Copom no Brasil e o Fed nos EUA. Além disso, hoje a B3 muda seu horário de fechamento para se adaptar ao horário de verão americano. O investidor deve ter cautela redobrada com as oscilações de abertura, especialmente com a divulgação do IBC-Br e do Boletim Focus logo cedo.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (16/03)
Fique atento aos horários:
• 🇧🇷 08:25 – Boletim Focus: Essencial para ver se o mercado subiu a projeção da Selic e do IPCA.
• 🇧🇷 09:00 – IBC-Br (Janeiro): A prévia do PIB brasileiro mostrará como nossa economia estava antes do choque da guerra.
• 🇺🇸 09:30 – Índice Empire State de Atividade Industrial.
• 🇺🇸 10:15 – Produção Industrial (Fevereiro) nos EUA.
• 🇧🇷 11:30 – IPCA com Ajuste (Fevereiro).
Mantenha a calma e foque na estratégia. Acompanhe a análise em tempo real dessas decisões no nosso Morning News.
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