O mercado financeiro viveu um dia de dilemas nesta terça-feira. Se na véspera o otimismo com uma possível trégua no Oriente Médio fez os ativos decolarem, hoje o sentimento foi de cautela e ceticismo. O investidor se viu diante de informações conflitantes: de um lado, o presidente Donald Trump sinalizando progresso nas conversas com o Irã; do outro, o próprio Irã negando qualquer acordo e o petróleo voltando a subir acima dos US$ 100. Esse clima de incerteza fez o Ibovespa oscilar bastante, terminando com uma leve alta de 0,32%, sustentado principalmente pelo peso de Petrobras e Vale. No acumulado de março, o índice registra queda de 3,33%.
Enquanto isso, o cenário doméstico ganhou contornos mais técnicos com a divulgação da Ata do Copom. O Banco Central reforçou que o ritmo de queda da Selic depende diretamente da “calibração” do cenário externo, especialmente dos reflexos da guerra nos preços de energia. O resultado desse combo foi uma busca por proteção: o dólar subiu para R$ 5,254, as bolsas americanas fecharam no vermelho e os juros futuros (DIs) avançaram em toda a curva.
Para entender como a visão do Banco Central sobre a guerra impacta o plano de voo dos seus investimentos e o que esperar dos fluxos de capital no Brasil, acompanhe o boletim completo a seguir.
Olhar Global- Entre promessas de paz e tambores de guerra
O panorama internacional foi marcado pela dúvida. O mercado começou a questionar se as “conversas produtivas” mencionadas por Trump realmente trarão uma solução de curto prazo. Com o Irã mantendo uma postura rígida sobre o Estreito de Ormuz e Israel continuando operações militares, o petróleo retomou sua trajetória de alta. Analistas internacionais alertam que o presidente americano pode estar em um impasse político difícil de resolver sem concessões profundas.
Essa falta de visibilidade pesou em Wall Street. Os investidores preferiram realizar lucros e aguardar sinais mais concretos antes de apostar em uma recuperação sustentável. O reflexo disso é a lateralização dos mercados até que o cenário energético apresente uma definição mais clara.
• Dow Jones: queda de 0,18% (46.123,75 pontos)
• S&P 500: queda de 0,37% (6.556,34 pontos)
• Nasdaq: queda de 0,84% (21.761,89 pontos)
Ibovespa – Petrobras e Vale seguram o índice no azul
O principal índice da nossa bolsa fechou aos 182.509,23 pontos. No acumulado da semana, a alta é de +3,57%, e no ano de 2026, a valorização atinge +13,27%.
O desempenho foi salvo pelas gigantes das commodities. A Petrobras (PETR4) subiu 2,69%, acompanhando a nova alta do petróleo, enquanto a Vale (VALE3) avançou 0,79%, impulsionada pelo minério de ferro. Na contramão, o setor bancário operou no vermelho, servindo de contrapeso ao índice. O destaque positivo foi o fluxo de capital estrangeiro: o Brasil continua sendo visto como um porto seguro na região, atraindo quase US$ 9,2 bilhões no acumulado do ano. É como se, em meio à tempestade global, o investidor visse no Brasil uma embarcação mais sólida e distante do epicentro do conflito.
Juros – A “calibração” do Copom e o impacto no RPPS
Os contratos de juros futuros (DIs) encerraram o dia em alta, com avanços de até 17 pontos-base. O movimento acompanhou a abertura das taxas globais e refletiu a leitura da Ata do Copom, que vinculou o ritmo dos próximos cortes da Selic à evolução da guerra.
O que isso significa para o RPPS?
A Ata reforçou o conceito de “calibração”: o Banco Central quer continuar cortando os juros, mas a velocidade desse corte depende de quanto a guerra vai encarecer a energia e pressionar a inflação.
Para os RPPS, a alta dos DIs hoje gera uma marcação a mercado negativa no curto prazo. Quando os juros futuros sobem, o valor “de hoje” dos títulos de renda fixa (como NTN-Bs) cai. Contudo, o Banco Central sinalizou que a pressão externa ainda não alterou o plano de voo principal, o que mantém a perspectiva de redução da Selic no longo prazo, favorecendo a meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
• IMA-B 5+: -0,3303%
• IMA-B: -0,2016%
• IMA-B 5: -0,0369%
• IRF-M: -0,2753%
• IRF-M 1: +0,0569%
Fechamento dos DIs (Taxas):
• DI Jan/27: 14,160%
• DI Jan/29: 13,815%
• DI Jan/33: 13,995%
• DI Jan/35: 13,970%
Dólar – Moeda americana volta a subir após o alívio
O dólar comercial fechou em alta de 0,25%, cotado a R$ 5,253.
Após a forte queda do dia anterior, a moeda voltou a se fortalecer, seguindo a tendência global de aversão ao risco (índice DXY subiu 0,46%). O ceticismo sobre a trégua no Oriente Médio faz com que investidores voltem a buscar a segurança da divisa americana. Para os investimentos, um dólar mais alto pressiona os custos de importação e exige atenção redobrada sobre o IPCA, fator que o Banco Central monitora de perto para decidir os próximos passos da Selic.
E agora?
O cenário continua sendo uma peça de suspense. A grande questão é se os cinco dias de trégua anunciados por Trump se transformarão em ações concretas ou se foi apenas um fôlego passageiro. No Brasil, os fundamentos domésticos parecem sólidos, mas o “cordão umbilical” com o cenário externo nunca esteve tão curto. A paciência e a informação técnica serão as melhores aliadas do investidor nos próximos dias.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (25/03)
Principais dados para monitorar nesta quarta-feira:
• 🇬🇧 04:00 – IPC Reino Unido (Fevereiro): Termômetro da inflação europeia.
• 🇪🇺 05:45 – Discurso de Christine Lagarde (BCE): Pistas sobre juros na Europa.
• 🇧🇷 08:00 – Confiança do Consumidor FGV (Março): Como o brasileiro vê a economia.
• 🇺🇸 11:30 – Estoques de Petróleo Bruto (EUA): Vital para medir a oferta global de energia.
Nesse cenário de incertezas a melhor arma é se manter bem informado então continue acompanhando o Morning News para não perder nenhum detalhe.
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