Após enfrentar a pior queda do ano na sessão anterior, o mercado financeiro brasileiro encontrou um espaço para respirar nesta quarta-feira. O Ibovespa subiu 1,24%, recuperando parte das perdas em um pregão marcado por um fluxo de notícias ligeiramente menos explosivo vindo do Oriente Médio. O alívio foi alimentado por rumores de conversas secretas entre a CIA e o Irã e pela promessa do governo Trump de escoltar petroleiros no Golfo Pérsico, o que acalmou — ainda que momentaneamente — os temores de um desabastecimento global de energia.
Esse clima de “trégua” refletiu em todos os ativos: o dólar comercial recuou para R$ 5,21, as bolsas em Nova York fecharam no azul e os juros futuros (DIs) caíram por toda a curva. No acumulado de março, o Ibovespa registra queda de 1,81%, ainda sentindo o peso do estresse do início da semana. Para o investidor, o dia foi de correção técnica, mas o cenário continua sendo um campo minado onde qualquer nova faísca pode mudar o rumo dos negócios.
Para entender como essas movimentações impactam o patrimônio dos RPPS e os detalhes da “batalha” corporativa entre bancos e varejo, acompanhe as seções a seguir.
Olhar Global – Entre escoltas militares e diplomacia secreta
O panorama internacional deu sinais de que o mercado está tentando se adaptar ao novo normal da guerra. O grande motor da alta em Wall Street foi a combinação de duas notícias: a intenção dos EUA de proteger navios petroleiros no Estreito de Ormuz e relatos de que o Irã teria buscado um canal de diálogo com a CIA. Embora a eficácia militar da proteção aos navios seja questionada por especialistas, a simples sinalização de suporte reduziu a volatilidade extrema dos preços do petróleo.
Além disso, a nomeação oficial de Kevin Warsh para a presidência do Fed trouxe uma peça importante para o quebra-cabeça da política monetária americana. Na Europa, o clima foi de união e cautela, com as bolsas subindo apesar dos planos de contingência para retirada de civis em caso de agravamento do conflito.
Principais índices:
• Dow Jones: +0,49% (48.739,41 pts)
• S&P 500: +0,78%
• Nasdaq: +1,29%
Ibovespa – Recuperação com bancos no comando
O índice encerrou aos 185.366,44 pontos. No ano de 2026, a valorização acumulada é de +15,04%.
O dia foi de “paz armada” na Bolsa. Os grandes bancos foram os protagonistas, impulsionados por uma medida técnica do Banco Central que permitiu deduzir valores do compulsório para recompor o Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Isso foi visto como um alívio de caixa para as instituições, fazendo o Santander (SANB11) subir 2,20%.
A grande surpresa do dia foi o GPA (PCAR3), que disparou 14,67% após anunciar negociações construtivas com credores. Na ponta negativa, a Petrobras (PETR4) caiu 1,10%, descolando-se da alta do petróleo devido a incertezas sobre a logística de exportação em áreas de conflito. A Raízen (RAIZ4) também sofreu um duro golpe, caindo 13,04% após a Shell e a Cosan interromperem conversas sobre capitalização.
Juros – Alívio no prêmio de risco
Diferente do “incêndio” da véspera, os juros futuros tiveram um dia de fechamento de taxas (queda). Como não houve uma escalada imediata na guerra e o dólar recuou, o mercado retirou parte do “seguro” que havia colocado nas taxas ontem.
O que isso significa para o RPPS?
Para o gestor de Regime Próprio de Previdência, a queda do DI futuro hoje trouxe uma valorização contábil positiva para os títulos de renda fixa (marcação a mercado). Quando os juros futuros caem, o valor presente dos títulos de longo prazo sobe.
Além disso, as taxas menores no DI influenciam diretamente a rentabilidade dos fundos de investimento e reduzem o custo de captação para empresas, o que indiretamente ajuda a Bolsa. Conforme o mercado acredita, a manutenção desse alívio depende da taxa de desemprego que será divulgada amanhã, dado essencial para entender se o Banco Central terá espaço para continuar cortando a Selic.
Comportamento dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: -0,1176%
• IMA-B: -0,0324%
• IMA-B 5: +0,0783%
• IRF-M: +0,2525%
• IRF-M 1: +0,0729%
Dólar – Moeda americana perde força após pico de estresse
O dólar comercial fechou em queda de 0,89%, cotado a R$ 5,218.
Após dois dias de altas fortes, o real ganhou fôlego. O movimento acompanhou a desvalorização global do dólar (índice DXY caiu 0,22%), refletindo uma realização de lucros de quem havia comprado a moeda americana como “seguro” no início da guerra. Para o dia a dia, o dólar nesse patamar ainda exige atenção, pois encarece importações e pressiona a inflação, mas a queda de hoje sinaliza que o mercado encontrou um teto temporário para o nervosismo.
E agora?
A quinta-feira será o dia de olhar para a economia real. No Brasil, teremos a divulgação da taxa de desemprego de janeiro, um indicador vital para medir o fôlego do consumo. Nos EUA, os pedidos de seguro-desemprego também estarão no radar. Embora a geopolítica continue dando as cartas, os dados econômicos serão os juízes da sustentabilidade dessa alta de hoje.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (05/03)
Eventos para monitorar:
• 🇧🇷 09:00 – Taxa de Desemprego no Brasil (Jan): Crucial para projeções de inflação.
• 🇺🇸 10:30 – Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA): Termômetro do emprego americano.
• 🇪🇺 14:00 – Discurso de Christine Lagarde (BCE): Pode trazer pistas sobre a economia europeia na guerra.
• 🇺🇸 18:30 – Balanço Patrimonial do Federal Reserve.
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