Fevereiro se despediu deixando um gosto agridoce no paladar dos investidores. Em um piscar de olhos, o segundo mês de 2026 virou história, e o balanço final é de alívio: o Ibovespa acumulou uma alta de 4,09% no mês. No entanto, a última sessão (27/02) foi de cautela, com o índice caindo 1,16% e registrando sua primeira perda semanal do ano. O “vilão” doméstico foi o IPCA-15, que subiu mais do que o esperado e assustou as manchetes, embora o mercado ainda acredite que a trajetória de queda da inflação no longo prazo não foi perdida.
Lá fora, o clima também fechou. Nova York terminou no vermelho, pressionada por dados de inflação ao produtor (PPI) acima do previsto e tensões geopolíticas no Oriente Médio. Esse combo global, somado ao susto da inflação por aqui, fez os juros futuros (DIs) subirem com força, enquanto o dólar registrou uma leve queda, fechando a R$ 5,134. Março começa agora com uma agenda carregada, prometendo testar o fôlego da nossa Bolsa.
Para entender como esse fechamento de mês impacta sua estratégia de investimento e o que esperar da “Super Semana” que se inicia, acompanhe o resumo completo abaixo.
Olhar Global – Inflação e Geopolítica nublam o cenário
O mercado internacional não deu trégua na última sexta-feira. Em Wall Street, o sentimento foi de “vender primeiro e perguntar depois”. O índice de preços ao produtor (PPI) nos EUA veio acima das projeções, o que reacende o temor de que o banco central americano (Fed) demore mais para baixar os juros. Para completar o cenário de aversão ao risco, as tensões entre EUA e Irã voltaram a ganhar corpo, impulsionando o petróleo em mais de 2%.
No setor de tecnologia, a euforia com a Inteligência Artificial deu uma pausa para respirar. Apesar de avaliações recordes da OpenAI, o balanço de algumas parceiras da Nvidia não convenceu, gerando uma realização de lucros. Esse pessimismo externo foi um dos principais fatores que impediram o Ibovespa de segurar os 190 mil pontos.
Principais índices (Sexta-feira):
• Dow Jones: -1,05%
• S&P 500: -0,43%
• Nasdaq: -0,92%
Ibovespa – A primeira semana “no vermelho” do ano
O principal índice da nossa bolsa fechou aos 188.786,98 pontos. Apesar do recuo na semana (-0,92%), o saldo de 2026 ainda é muito positivo, com alta de 17,17%.
O dia foi de “limpeza de carteira”. As grandes blue chips pesaram: Vale (VALE3) e Petrobras (PETR4) caíram, mesmo com o petróleo em alta lá fora, refletindo o desânimo geral. No campo corporativo, a temporada de balanços trouxe extremos. A B3 (B3SA3) lucrou mais de 20%, mas fechou em leve queda, enquanto a M. Dias Branco (MDIA3) e a Qualicorp (QUAL3) despencaram mais de 10% após resultados que frustraram os analistas. Por outro lado, a Localiza (RENT3) conseguiu nadar contra a corrente e subiu 0,61% após números sólidos.
Juros 📉: IPCA-15 “salgado” e abertura da curva
O mercado de juros futuros teve um dia de estresse. O IPCA-15 de fevereiro subiu 0,84%, a maior surpresa para o mês em duas décadas. Embora a alta tenha forte componente sazonal (como educação), o mercado reagiu “reprecificando” o risco.
Por que isso importa para o RPPS?
Quando a inflação ou o risco percebido sobem, os investidores exigem taxas maiores para emprestar dinheiro ao governo. Isso causou uma “abertura da curva”, com os juros futuros subindo até 14,5 pontos-base.
Para o RPPS, isso significa que os títulos públicos já comprados sofreram uma desvalorização temporária no preço (marcação a mercado negativa). Contudo, o mercado acredita que o Banco Central ainda tem espaço para cortar a Selic em março. Para o RPPS, esse movimento de alta nas taxas pode abrir janelas de oportunidade para novas aquisições de títulos atrelados ao IPCA com taxas reais ainda mais atrativas para bater a meta atuarial.
Comportamento dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: -0,3060%
• IMA-B: -0,1364%
• IMA-B 5: +0,0857%
• IRF-M: -0,1171%
• IRF-M 1: +0,0274%
Dólar – Fevereiro termina com queda acumulada de 2,17%
O dólar comercial fechou a sexta-feira a R$ 5,134, com uma leve queda de 0,10%.
Mesmo com o cenário externo turbulento, o real mostrou força no acumulado do mês. A queda do dólar em fevereiro (-2,17%) foi um alento para o controle da inflação de longo prazo. Conforme o mercado espera, a moeda pode testar patamares próximos de R$ 5,00 ainda este semestre se o fluxo estrangeiro continuar robusto e a política fiscal brasileira não trouxer sustos adicionais.
E agora?
Março começa com o pé no acelerador. Esta semana teremos o PIB do 4T25 no Brasil (terça) e dados da produção industrial. É o momento de conferir se a economia real está acompanhando o otimismo financeiro que vimos em janeiro. Lá fora, os olhos continuam voltados para o Fed e para a política tarifária dos EUA. O investidor de longo prazo deve manter a calma: correções após recordes históricos são naturais e saudáveis para a sustentabilidade do mercado.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (02/03)
Para começar a semana bem informado:
• 🇧🇷 08:25 – Boletim Focus: Atualização das apostas para IPCA e Selic.
• 🇧🇷 10:00 – PMI Industrial (Fevereiro): Mede a saúde da indústria nacional.
• 🇪🇺 11:00 – Discurso de Christine Lagarde (Presidente do BCE).
• 🇺🇸 11:45 – PMI Industrial (EUA).
• 🇺🇸 13:30 – GDPNow Fed de Atlanta: Projeção em tempo real para o PIB americano.
Fique por dentro de cada detalhe da abertura de mercado no nosso Morning News.
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