O mês de abril e o segundo trimestre do ano começaram com uma nota de cautela otimista no mercado financeiro. Em um cenário onde a “guerra de narrativas” entre Estados Unidos e Irã dita o ritmo dos negócios, o investidor brasileiro optou por focar nos sinais de um possível arrefecimento do conflito. O Ibovespa registrou sua terceira alta consecutiva (+0,26%), sustentado pelo vigor do setor bancário e da Vale, enquanto a Petrobras recuou acompanhando a baixa nos preços internacionais do petróleo.
No acumulado de abril, a Bolsa sobe 0,26%, elevando os ganhos de 2026 para expressivos 16,65%. O dia também foi de alívio no câmbio, com o dólar recuando para R$ 5,157, e de fechamento na curva de juros futuros (DIs), que caíram em bloco refletindo a menor pressão sobre as commodities energéticas. Em Nova York, as bolsas também fecharam no campo positivo, reforçando o clima de recuperação global.
Acompanhe a seguir os detalhes dos movimentos que impactam diretamente a rentabilidade dos ativos e as projeções para o futuro das carteiras previdenciárias.
Olhar Global – A “Guerra das Narrativas” e o alívio no Petróleo
O panorama internacional foi marcado por declarações desencontradas. Enquanto o presidente Donald Trump modulou o discurso afirmando que o Irã busca um cessar-fogo, Teerã negou prontamente qualquer pedido de trégua e manteve o Estreito de Ormuz fechado. No entanto, o mercado financeiro parece estar “comprando” a tese de que os EUA buscam uma saída diplomática rápida, pressionados pela baixa aprovação interna da aventura militar e pela inflação nas bombas de combustível americanas.
Essa expectativa de descompressão geopolítica fez os preços do petróleo recuarem, embora o Brent ainda se sustente acima dos US$ 100. Na Europa, o tom do Banco Central Europeu (BCE) permanece vigilante, alertando que o custo da energia ainda é o principal risco para uma recessão no continente. Em Wall Street, os índices avançaram, refletindo uma tentativa de recuperação técnica após um trimestre desafiador.
• Dow Jones: +0,51% (46.575,85 pts)
• S&P 500: +0,72%
• Nasdaq: +1,16%
Ibovespa – Bancos e Vale sustentam o índice no azul
O principal índice da nossa bolsa encerrou aos 187.952,91 pontos. No acumulado do ano de 2026, a valorização atinge +16,65%.
O desempenho de hoje foi garantido pelo peso do setor financeiro e da mineração. Os grandes bancos registraram altas robustas, com destaque para o Santander (+1,83%) e Banco do Brasil (+2,74%). A Vale (VALE3) avançou 0,63%, ajudando a equilibrar a queda da Petrobras (PETR4), que recuou 2,67% devido à desvalorização do petróleo no exterior. Outro destaque positivo foi a Embraer (EMBJ3), que saltou 4,74%. Podemos comparar a Bolsa brasileira hoje a uma embarcação que troca de motor: quando o setor de energia perde força, o setor bancário e exportador assume o comando para manter o rumo.
Juros – Queda dos DIs e a marcação a mercado do RPPS
Os juros futuros (DIs) apresentaram queda em praticamente todos os prazos (vértices). O principal motivo foi o recuo do petróleo e do dólar, que alivia as projeções de inflação para os próximos meses. Se a pressão sobre os combustíveis diminui, o Banco Central tem mais conforto para continuar calibrando a taxa Selic.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de Regimes Próprios, esse movimento de queda nas taxas futuras é sinônimo de marcação a mercado positiva. Quando os juros que o mercado projeta para o futuro caem, o preço “de hoje” dos títulos de renda fixa que o seu fundo já possui em carteira (como as NTN-Bs e títulos prefixados) aumenta. Isso gera um ganho patrimonial imediato, facilitando o cumprimento da meta atuarial. Conforme o mercado espera, a manutenção dessa trajetória de juros menores no longo prazo é fundamental para a valorização dos ativos de longo vencimento.
Desempenho dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: +0,3181%
• IMA-B: +0,2404%
• IMA-B 5: +0,1413%
• IRF-M: +0,1322%
• IRF-M 1: +0,0609%
Fechamento das Taxas de DI:
• DI Jan/27: 14,035% (queda de 0,070)
• DI Jan/29: 13,675% (queda de 0,050)
• DI Jan/35: 13,885% (alta de 0,020) — Cautela residual nos prazos muito longos.
Dólar – Real ganha força com esperança de trégua
O dólar comercial fechou em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,157.
O Real acompanhou o movimento global de leve fraqueza da moeda americana (índice DXY caiu 0,33%). Em momentos onde o risco de uma guerra total parece diminuir, os investidores tendem a sair da proteção do dólar e retornar para mercados emergentes como o Brasil, que oferece taxas de juros ainda muito atrativas. No dia a dia, um dólar mais baixo ajuda a segurar os preços de produtos importados e insumos industriais, colaborando para o controle do IPCA.
E agora?
A semana termina nesta quinta-feira (devido ao feriado de amanhã) com dados fundamentais da produção industrial brasileira e a balança comercial dos EUA. O grande dilema continua sendo a veracidade das negociações diplomáticas no Oriente Médio. Se o fim de semana trouxer avanços concretos, abril pode consolidar a recuperação iniciada agora. Caso contrário, a volatilidade voltará a ser a rainha do pregão. A palavra de ordem é cautela e foco nos fundamentos.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (02/04)
Eventos para monitorar nesta quinta-feira:
• 🇧🇷 09:00 – Produção Industrial (Fev): Medirá o fôlego da nossa indústria antes do auge da crise.
• 🇺🇸 09:30 – Pedidos de Seguro-Desemprego (EUA): Termômetro do mercado de trabalho americano.
• 🇺🇸 09:30 – Balança Comercial (Fev): Fluxo de comércio da maior economia do mundo.
• 🇺🇸 14:00 – Contagem de Sondas Baker Hughes: Indica a oferta futura de petróleo.
Mantenha sua estratégia resiliente e bem informada. Acompanhe a análise detalhada da Produção Industrial no nosso Morning News.
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