Após uma sequência histórica de recordes, o mercado financeiro brasileiro aproveitou a sexta-feira para uma necessária “realização de lucros” — aquele movimento em que os investidores vendem parte de suas ações para colocar o ganho no bolso. O Ibovespa recuou 0,46%, fechando aos 164.799 pontos. Apesar do tropeço no dia, o saldo da semana é positivo (+0,88%) e o acumulado de janeiro segue robusto, com alta de 2,28%.
Dois grandes temas ditaram o ritmo: o otimismo diplomático com a celebração do acordo Mercosul-União Europeia no Rio de Janeiro e a divulgação do IBC-Br, a “prévia do PIB”. O indicador mostrou uma economia brasileira mais forte do que o esperado, o que é ótimo para o país, mas trouxe um efeito colateral nos mercados: o mercado acredita que esse fôlego extra da atividade econômica afasta a chance de o Banco Central cortar a Selic já em janeiro. Como resultado, o dólar subiu levemente (+0,08%) para R$ 5,373 e os juros futuros (DIs) avançaram. Em Nova York, as bolsas ficaram praticamente paradas, digerindo as novas falas de Donald Trump sobre tarifas e a sucessão no Federal Reserve.
Entenda abaixo como a força da nossa economia e o tabuleiro geopolítico global mexem com as projeções de rentabilidade para os planos de previdência.
Olhar Global – Trump e o “fator Groenlândia” mantêm Wall Street em cautela
O cenário internacional encerrou a semana em modo de espera. Donald Trump voltou a agitar a diplomacia ao ameaçar com tarifas países que não apoiem seus planos em relação à Groenlândia, território que ele considera vital para a segurança nacional. Enquanto o mistério sobre quem assumirá o comando do Federal Reserve em maio continua, a produção industrial dos EUA surpreendeu positivamente em dezembro, mostrando que a maior economia do mundo ainda respira bem.
Com avaliações de ações consideradas “caras” por analistas internacionais, os investidores em Wall Street preferiram não arriscar, levando os índices a fecharem a semana com leves perdas.
* Dow Jones: -0,17% (Semana: -0,29%)
* S&P 500: -0,06% (Semana: -0,39%)
* Nasdaq: -0,06% (Semana: -0,66%)
Ibovespa – Economia forte segura os juros e pressiona a Bolsa
O Ibovespa encerrou aos 164.799 pontos. O destaque do dia foi a divulgação do IBC-Br de novembro, que cresceu 0,2% na média trimestral. Para a Bolsa, isso é um sinal de que o consumo está vivo, mas também de que a inflação pode demorar a cair, o que pesou sobre setores sensíveis aos juros.
* Petróleo e Minério: A Petrobras (PETR4) subiu 0,79%, ajudada pelo cenário externo. Já a Vale (VALE3) mostrou resiliência: passou o dia em queda, mas virou para fechar com leve alta de 0,04%.
* Bancos e Construção: O setor bancário e as construtoras, como a Direcional (-5,70%), sofreram com a perspectiva de juros altos por mais tempo.
* Energia e Educação: A Brava Energia (-5,05%) caiu forte após anunciar aquisições, enquanto a Cogna (+0,55%) se destacou positivamente com mudanças regulatórias no ensino de enfermagem.
Juros – PIB acelerado empurra taxas para cima
O mercado de juros futuros teve um dia de estresse. Todas as taxas para os próximos anos subiram, com os contratos mais longos (vencimento em 2028 e 2029) saltando mais de 10 pontos-base.
O motivo é simples: se a economia (IBC-Br) está crescendo mais que o previsto, o Banco Central precisa manter os juros altos para evitar que os preços subam demais. A expectativa do mercado agora é que o primeiro corte na taxa Selic ocorra apenas em março, e não mais neste mês
Impacto no RPPS: Para os RPPS, esse movimento é um “faca de dois gumes”. No curto prazo, a alta das taxas reduz o valor de mercado dos títulos públicos prefixados (marcação a mercado). Por outro lado, para quem tem caixa para investir, as taxas atuais de 13,7% a 13,8% ao ano são excelentes oportunidades para garantir o cumprimento da meta atuarial com segurança na renda fixa.
Desempenho dos indicadores de renda fixa:
* IMA-B 5+: -0,0990%
* IMA-B: -0,0643%
* IMA-B 5: -0,0207%
* IRF-M: -0,2178%
* IRF-M 1: +0,0377%
Dólar – Real estável em semana de baixa volatilidade
O dólar fechou a R$ 5,373 (+0,08%). Foi uma variação pequena, acompanhando o movimento global da moeda (DXY). Na semana, o dólar subiu apenas 0,13% contra o real. Esse comportamento sugere que, apesar do barulho político de Trump e das discussões fiscais no Brasil, os investidores estão confortáveis com o patamar atual da moeda, aguardando definições mais claras sobre o novo ministro da Fazenda que substituirá Fernando Haddad.
E agora?
A próxima segunda-feira começa com o Boletim Focus, que deve trazer as primeiras reações dos economistas ao PIB mais forte e ao novo cenário político. Nos EUA, os mercados estarão fechados devido ao feriado de Martin Luther King Jr., o que deve reduzir o volume de negócios por aqui. É um momento de observar como o mercado digere o novo acordo com a Europa e a saída de Haddad do governo.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (19/01)
* 🇧🇷 08:25 – Boletim Focus (Expectativas de mercado atualizadas).
* 🇬🇧 11:00 – Monitorização do PIB Mensal (Reino Unido).
* 🇺🇸 Feriado nos EUA – Bolsas fechadas (Dia de Martin Luther King Jr.).
Acompanhe os detalhes da abertura da semana em nosso Morning News. Comece sua segunda-feira com a estratégia certa!
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