O mercado financeiro começou a semana tentando equilibrar a balança entre a cautela e a oportunidade. Após um final de semana marcado pela escalada militar entre Estados Unidos e Irã, o clima de incerteza tomou conta das mesas de operação. No entanto, o que parecia ser um dia de perdas acentuadas transformou-se em uma recuperação resiliente: o Ibovespa encerrou em alta de 0,28%, aos 189.307 pontos, sustentado principalmente pelo rali das petroleiras. No acumulado de março, o índice registra alta de 0,28%.
Enquanto a Bolsa brasileira encontrou suporte no petróleo, o dólar comercial seguiu o movimento global de busca por segurança e subiu 0,62%, fechando a R$ 5,166. Em Nova York, o clima foi de cautela extrema, com os índices fechando de forma mista. No Brasil, os juros futuros (DIs) abriram com força por toda a curva, refletindo o medo de que a alta dos combustíveis pressione a nossa inflação.
O cenário é complexo e exige sangue frio. Para entender como essa “caixa de pandora” geopolítica mexe com os seus investimentos e o que esperar da divulgação do PIB brasileiro, confira os detalhes nas seções a seguir.
Olhar Global – Tambores de guerra e o rali das commodities
O cenário internacional foi dominado pelo ataque dos EUA ao Irã durante o final de semana, que resultou na morte do líder supremo Ali Khamenei. A resposta imediata foi o fechamento do Estreito de Ormuz — por onde passa boa parte do petróleo mundial — e um salto de mais de 6% nos preços da commodity.
Wall Street começou o dia no “vermelho profundo”, mas recuperou parte das perdas com a percepção de que, por ora, não houve uma escalada nuclear. No entanto, o caos aéreo e a incerteza sobre o abastecimento global de energia mantêm os investidores em alerta. Na Europa, as bolsas caíram em bloco, enquanto o ouro serviu como o tradicional seguro contra crises.
Principais índices:
• Dow Jones: -0,15% (48.904,78 pts)
• S&P 500: +0,04%
• Nasdaq: +0,36%
Ibovespa – O fôlego das petroleiras no caos
O principal índice da nossa bolsa fechou aos 189.307,02 pontos. No ano de 2026, a valorização acumulada é de +17,49%.
O Ibovespa agiu hoje como um maratonista que, apesar do cansaço e do sol forte, encontrou fôlego extra em uma garrafa de petróleo. A Petrobras (PETR4) disparou 4,58%, acompanhando a valorização do barril no exterior. Outras empresas do setor, como PRIO (+5,12%), também foram as grandes locomotivas do dia. O destaque positivo também ficou com a B3 (B3SA3), que subiu 3,30% após analistas elevarem as projeções para o índice. Por outro lado, o setor bancário e empresas como a Braskem (-3,55%) sofreram com o clima de aversão ao risco.
Juros – Abertura da curva e o alerta inflacionário
Os juros futuros tiveram um dia de forte alta. O motivo é matemático: se o petróleo sobe muito no mundo, o preço da gasolina e do diesel no Brasil tende a subir, o que gera inflação. Conforme o mercado acredita, para cada US$ 10 de aumento no barril, o IPCA pode sofrer um acréscimo de 0,40% este ano.
Impacto para o RPPS:
Para os gestores de RPPS, esse movimento de alta nas taxas futuras (abertura da curva) causa uma desvalorização temporária nos títulos públicos de longo prazo através da marcação a mercado.
Imagine que o seu título é uma promessa de pagamento futura; se hoje o mercado oferece taxas muito maiores do que a do seu título, o “valor de revenda” dele cai hoje. Contudo, para quem tem caixa, esse momento abre janelas para comprar títulos atrelados à inflação (NTN-Bs) com taxas reais ainda mais robustas, ajudando a garantir o cumprimento da meta atuarial no futuro.
Desempenho dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: +0,1142%
• IMA-B: +0,1113%
• IMA-B 5: +0,1076%
• IRF-M: -0,1012%
• IRF-M 1: +0,0465%
Dólar – Moeda americana como Porto Seguro
O dólar comercial fechou em alta de 0,62%, cotado a R$ 5,166.
Em tempos de guerra, o investidor global retira dinheiro de países emergentes (como o Brasil) e o envia para os EUA, comprando dólares e títulos do tesouro americano. Esse movimento de “fuga para a qualidade” fez a nossa moeda se desvalorizar, apesar da alta das commodities. O Banco Central segue monitorando, mas o mercado entende que essa pressão é externa e depende da duração do conflito no Oriente Médio.
E agora?
Amanhã o foco divide-se entre Washington e Brasília. Por aqui, teremos a divulgação do PIB do 4º trimestre de 2025, que mostrará se a nossa economia terminou o ano passado com tração. Se o número vier forte, pode ajudar o Ibovespa a se descolar ainda mais do mau humor externo. O cenário geopolítico continua sendo a grande “caixa de pandora” da semana.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (03/03)
Eventos para monitorar:
• 🇧🇷 09:00 – PIB do Brasil (Q4/2025): O dado mais importante da semana para o cenário doméstico.
• 🇪🇺 07:00 – CPI Zona do Euro: Dados de inflação na Europa.
• 🇺🇸 11:55 – Discurso de Williams (Fed): Pistas sobre os juros americanos diante da guerra.
• 🇨🇳 22:30 – PMI Industrial China: Essencial para o preço da Vale amanhã.
Para acompanhar os desdobramentos da guerra e o impacto no PIB em tempo real, acesse o Morning News.
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