Depois de uma verdadeira maratona de recordes, a Bolsa brasileira tirou o pé do acelerador nesta
quinta-feira. O Ibovespa encerrou com uma queda leve de 0,13%, em um movimento natural de
correção após ter tocado a inédita marca dos 192 mil pontos durante o dia. No acumulado de
fevereiro, o índice ainda sustenta uma alta robusta de 5,32%. O clima de cautela veio principalmente
do exterior: a Nvidia, gigante da tecnologia, apresentou lucros recordes, mas não o suficiente para
saciar o apetite voraz dos investidores, o que pesou sobre as bolsas americanas o Nasdaq e o S&P
500 fecharam em queda, enquanto o Dow Jones ficou praticamente estável.
Por aqui, o dólar subiu para R$ 5,138, interrompendo uma sequência de cinco quedas seguidas. Já no
mercado de renda fixa, tivemos uma notícia positiva: os juros futuros (DIs) recuaram por toda a
curva, trazendo um alívio para os ativos de longo prazo. O dia também foi marcado por uma
enxurrada de balanços corporativos, com resultados mistos que exigiram uma análise minuciosa dos
investidores.
Quer entender como a “ressaca” da Nvidia e o fechamento da curva de juros impactam a estratégia
do seu fundo de pensão? Acompanhe os detalhes nas seções a seguir.
Olhar Global – Quando o recorde não é o bastante
O mundo financeiro estava em vigília para os números da Nvidia, mas o resultado deixou um gosto
agridoce. Embora a empresa tenha lucrado como nunca, o mercado agora questiona se o
crescimento acelerado da inteligência artificial já atingiu seu topo. Essa desconfiança gerou uma
onda de vendas em Nova York, afetando especialmente as empresas de tecnologia.
Na Europa, o cenário foi mais otimista, com as bolsas fechando em alta. No mercado de energia, a
Arábia Saudita sinalizou que vai aumentar a produção de petróleo, o que ajudou a derrubar os
preços da commodity internacional, trazendo um alívio temporário para as pressões inflacionárias
globais.
Principais índices:
* Dow Jones: +0,03% (49.499,20 pts)
* S&P 500: -0,54%
* Nasdaq: -1,18%
Ibovespa – Pausa para realizar lucros
O Ibovespa fechou aos 191.005,02 pontos. Apesar da queda, o dia foi histórico: o índice chegou a
bater 192.623,56 pontos na máxima, o 15º recorde intradia de 2026. No ano, a valorização
acumulada é de +18,54%.
O recuo final deveu-se à chamada “realização de lucros”. É como se o investidor, vendo que o preço
subiu muito rápido, decidisse vender uma parte para garantir o dinheiro no bolso. A Vale (VALE3)
recuou 0,84%, e os grandes bancos como Itaú e Bradesco também fecharam no vermelho. No
campo dos balanços, a Marcopolo (POMO4) acelerou forte com alta de 5,56%, enquanto a Rede
D’Or (RDOR3) sofreu com números que vieram abaixo do esperado. A Petrobras (PETR4) conseguiu
uma virada heroica no fim do dia, fechando com leve alta de 0,10%.
Juros – Alívio na curva e o efeito no patrimônio
Diferente do nervosismo das ações, o mercado de juros futuros teve um dia de fechamento de taxas.
Mesmo com um leilão de grandes proporções realizado pelo Tesouro Nacional, o mercado absorveu
bem os títulos, o que permitiu que as taxas caíssem por toda a curva.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de regimes de previdência, esse movimento é fundamental. Quando as taxas de
juros futuros caem, o preço de mercado dos títulos públicos que o fundo já possui tende a subir. É a
chamada marcação a mercado positiva.
Esse alívio nas taxas ajuda a valorizar os índices de renda fixa, como o IMA-B 5+ (+0,79%) e o IMA-B
(+0,50%), facilitando o alcance da meta atuarial. Conforme o mercado acredita, a manutenção dessa
trajetória depende da inflação (IPCA-15) que será divulgada hoje, o que pode ditar o ritmo de cortes
da Selic pelo Banco Central.
Desempenho dos índices de referência:
* IMA-B 5+: +0,7931%
* IMA-B: +0,5059%
* IMA-B 5: +0,1324%
* IRF-M: +0,1230%
* IRF-M 1: +0,0661%
Dólar – Moeda americana interrompe sequência de quedas
O dólar comercial fechou em alta de 0,27%, cotado a R$ 5,138.
Após cinco dias de quedas consecutivas, a moeda americana recuperou fôlego, acompanhando o
movimento de valorização do dólar no cenário global (índice DXY). Esse ajuste é visto pelo mercado
como uma correção técnica, já que o real vinha se valorizando muito rápido. Para o dia a dia, o dólar
nesse patamar ainda é considerado comportado, mas a alta das commodities e a saúde das contas
externas brasileiras seguem no radar do Goldman Sachs e de outros grandes bancos.
E agora?
A semana termina com um dado de peso: o IPCA-15. A prévia da inflação de fevereiro será o grande
juiz do mercado. Se o número vier dentro do esperado, a Bolsa pode retomar o fôlego dos recordes;
se vier acima, os juros podem voltar a subir. O investidor deve ficar atento também aos dados de
emprego e produção industrial que vêm dos Estados Unidos.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (27/02)
Eventos que podem sacudir sua sexta-feira:
* 🇪🇺 06:00 – IPC (Europa): Dados de inflação na Zona do Euro.
* 🇧🇷 08:30 – Relatório de Dívida Bruta/PIB (Janeiro): Essencial para a visão fiscal do país.
* 🇧🇷 09:00 – IPCA-15 (Fevereiro): O indicador mais importante do dia para o Brasil.
* 🇺🇸 10:30 – IPP (EUA): Inflação ao produtor americano.
* 🇺🇸 11:45 – PMI de Chicago: Mede a atividade industrial nos EUA.
Não perca a análise em tempo real do IPCA-15 no nosso Morning News.
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