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Ibovespa respira com ajuda externa e juros sob controle

Panorama do Dia – Alívio técnico em meio a CPI benigno e política no radar

Depois de sessões pesadas, o mercado brasileiro conseguiu “respirar”. O Ibovespa subiu 0,38%, encerrando aos 157.923,34 pontos, em um pregão típico de recuperação técnica — ajudado por um vento externo favorável. Mesmo assim, o índice ainda carrega queda de -0,69% em dezembro, lembrando que o humor segue frágil e dependente de novos gatilhos.

No câmbio, o dólar ficou praticamente estável, com alta de 0,01% a R$ 5,523, registrando a quinta alta consecutiva. Já a curva de juros mostrou altas leves, mas perdeu força ao longo da tarde, em movimento de acomodação após falas do presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e em meio ao acompanhamento do noticiário político já mirando 2026.

 

Olhar Global – CPI abaixo do esperado anima Wall Street e reforça narrativa de juros mais baixos

Lá fora, o dia foi positivo. O CPI de novembro nos EUA veio abaixo das projeções, com alta de 0,2% no mês (vs. 0,3% esperado) e 2,7% em 12 meses (vs. 3,1% esperado). O núcleo também surpreendeu para melhor, em 2,6% em 12 meses, no menor nível desde o início de 2021. Esse pacote reforçou a percepção de inflação mais comportada, o que dá mais espaço para o Fed manter uma postura menos restritiva — e alimenta novamente a discussão sobre cortes ao longo de 2026, com leve aumento das apostas de corte já em janeiro (ainda minoritário).

Com isso, Wall Street reagiu bem: Dow Jones +0,14%, S&P 500 +0,79% e Nasdaq +1,38%. Os Treasuries recuaram, com a taxa de 10 anos cedendo para perto de 4,11%, ajudando o apetite por risco global.

Na Europa, o BCE manteve juros, enquanto o Banco da Inglaterra cortou 0,25 p.p. para 3,75% em decisão apertada. Na Ásia, o BOJ elevou juros em 0,25 p.p., para 0,75%, movimento que era amplamente esperado.

 

Ibovespa – Bancos retomam fôlego e Vale ajuda; Petrobras realiza

O pregão doméstico teve cara de reequilíbrio após exageros recentes. A recuperação foi sustentada principalmente por bancos e Vale, enquanto a Petrobras ficou levemente na contramão.

O setor financeiro mostrou reação: Santander (SANB11) +1,52%, com Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) também fechando em alta. A Vale (VALE3) subiu 0,26%, com investidores aproveitando a percepção de preço atrativo, especialmente em um ambiente em que a queda de juros (ou a expectativa dela) costuma favorecer rotação para ações de maior liquidez e qualidade.

No setor de energia, a Brava Energia (BRAV3) disparou 6,16% em meio a otimismo com investimentos e notícias corporativas. Já a Petrobras (PETR4) caiu 0,58%, em movimento mais compatível com realização de lucros e ruído de petróleo/fluxo do dia.

 

Juros – RPM e Galípolo seguram piora; janeiro segue “em aberto”

Na renda fixa, o destaque foi o RPM (Relatório de Política Monetária) e a comunicação do BC. O documento manteve a projeção de inflação em 3,2% para o 2º tri de 2027, horizonte relevante da política monetária. Ao mesmo tempo, Galípolo reforçou que não há decisão tomada para janeiro e que o BC está dependente dos dados, postura que o mercado leu como mais flexível do que o tom do relatório, ajudando a conter estresse maior na curva.

Ainda assim, os DIs fecharam com leves elevações, refletindo a cautela fiscal. Referências do dia ficaram em torno de DI jan/2027 a 13,86% e DI 2031 a 13,63%, com o mercado calibrando prêmio de risco mais do que reprecificando um cenário-base.

Para o público RPPS, o ponto-chave é que o “freio” na alta dos juros reduz dano na marcação a mercado. E, apesar da volatilidade recente, os índices de renda fixa do dia vieram positivos: IMA-B 5+ +0,1542%, IMA-B +0,1045%, IMA-B 5 +0,0416%, IRF-M +0,0448% e IRF-M 1 +0,0591%.

 

Dólar – Quinta alta seguida, mas sem nova arrancada; fiscal e eleição seguem no pano de fundo

O dólar praticamente “andou de lado” (R$ 5,523, +0,01%), mas o fato de marcar a quinta alta consecutiva mantém o mercado em modo defensivo. A leitura dominante segue sendo: risco fiscal + ruído político elevam demanda por proteção. Mesmo com o alívio externo, o câmbio doméstico continua sensível a narrativa eleitoral e às expectativas sobre a condução fiscal em 2026/2027.

 

Política e Congresso – Orçamento de 2026 e sinais mistos sobre 2026

No noticiário político, dois pontos ajudaram a moldar o humor. Primeiro, Fernando Haddad confirmou que deixará o Ministério da Fazenda até fevereiro para colaborar com a campanha de reeleição do presidente Lula — sinal relevante para as expectativas de coordenação econômica e narrativa fiscal adiante. Segundo, declarações de Ciro Nogueira indicando que a candidatura de Tarcísio de Freitas não está descartada e dependerá da viabilidade de Flávio Bolsonaro até março trouxeram algum alívio, por manter “aberto” um cenário que parte do mercado considera mais amigável ao ajuste fiscal.

No Congresso, o foco imediato é a votação do Orçamento de 2026, após uma semana de avanço de medidas fiscais. Também entrou no radar a fala de Lula de que vetará o projeto que reduz penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro, o que adiciona um componente de tensão institucional ao pano de fundo, embora o mercado hoje esteja mais precificando o fiscal.

 

E agora? – Sexta tende a ter menor ritmo, mas PCE nos EUA pode mexer no jogo

O dia marca o encerramento da última semana completa do ano e, com liquidez típica menor, a tendência é de mercado mais sensível a manchetes. No Brasil, a atenção segue no Congresso e no desfecho do Orçamento. Lá fora, o grande ponto é o PCE, o indicador de inflação preferido do Fed — qualquer surpresa pode reancorar (ou desmontar) a narrativa de juros e afetar dólar, bolsas e commodities.

 

Agenda do dia – Indicadores Econômicos

  • 🇧🇷 08:30 – Investimento Estrangeiro Direto (Brasil)
  • 🇺🇸 10:30 – Núcleo do PCE (Inflação) – EUA
  • 🇺🇸 12:00 – Despesas de Consumo Pessoal (PCE) – EUA

Desejamos um excelente encerramento de semana.

 

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