A semana começou em um ritmo de montanha-russa para o investidor brasileiro. O Ibovespa chegou a dar um fôlego de esperança ao romper, pela primeira vez na história, a barreira dos 191 mil pontos durante a manhã. No entanto, o entusiasmo foi atropelado por uma nova tempestade vinda de Washington: o presidente Donald Trump, inconformado com a suspensão de suas tarifas anteriores pela Suprema Corte, anunciou novas taxas globais de 15%. O anúncio gerou uma onda de aversão ao risco que derrubou as bolsas americanas e pesou sobre os bancos brasileiros, levando nosso índice a fechar em queda de 0,88%.
Apesar do recuo no dia, o Ibovespa sustenta uma alta de 4,13% no acumulado de fevereiro. No mercado de câmbio, o dólar emendou sua terceira queda consecutiva, refletindo o otimismo interno com a inflação em queda, conforme apontou o Boletim Focus. Já os juros futuros (DIs) fecharam de forma mista, mostrando resiliência frente ao estresse externo. Para entender como essa “queda de braço” entre a política comercial dos EUA e os bons fundamentos do Brasil mexe com a sua carteira, acompanhe os destaques abaixo.
Olhar Global – O contra-ataque de Trump e o inverno em Wall Street
O cenário internacional foi dominado pela volatilidade na política comercial dos EUA. Após a derrota judicial na última sexta-feira, o governo Trump não perdeu tempo e impôs novas tarifas globais, elevando a taxa para 15% em um movimento que pegou o mercado de surpresa e sem detalhes técnicos. O impacto foi imediato: investidores temem que essa barreira comercial alimente a inflação global e prejudique o crescimento das empresas.
Em Nova York, o clima foi gélido. Os principais índices despencaram mais de 1%, com o setor de tecnologia liderando as perdas. Na Europa, a situação não foi diferente, agravada por incertezas políticas no Banco Central Europeu. Em momentos de tanta incerteza, o ouro voltou a brilhar como porto seguro, subindo quase 3%.
Principais índices:
• Dow Jones: -1,66% (48.804,06 pts)
• S&P 500: -1,04%
• Nasdaq: -1,13%
Ibovespa – Recorde passageiro e o peso dos bancos
O principal índice da nossa bolsa encerrou aos 188.853,49 pontos. No ano de 2026, a valorização acumulada ainda é robusta: +17,21%.
O dia foi de contrastes. De um lado, as gigantes Vale (+0,67%) e Petrobras (+1,63%) conseguiram se manter no azul, ajudando a evitar um tombo maior do índice. Do outro, o setor financeiro sofreu uma “nevasca” de vendas. Os grandes bancos, que têm muita liquidez e são os primeiros a serem vendidos em momentos de cautela global, recuaram forte — o Santander caiu 5,69% e o Itaú desceu 3,62%. No campo das boas notícias, a Vivo (VIVT3) saltou 3,27% após apresentar um balanço trimestral que agradou em cheio o mercado.
Juros – Inflação em queda segura as taxas
Mesmo com o barulho externo, o mercado de renda fixa no Brasil operou com relativa calma. O grande suporte veio do Boletim Focus, que pela sétima semana consecutiva reduziu a projeção para a inflação de 2026 (agora em 3,91%). Isso manteve os juros futuros próximos da estabilidade, apesar do estresse em Wall Street.
O que isso significa para o RPPS?
A estabilidade ou queda das taxas de juros futuros é fundamental para a saúde financeira dos regimes de previdência. Imagine o DI futuro como uma balança: quando as taxas caem (ou param de subir), o preço dos títulos públicos que o fundo já possui tende a subir (marcação a mercado positiva).
Isso garante que o patrimônio dos aposentados e pensionistas continue crescendo de forma consistente, aproveitando os juros reais elevados que o Brasil ainda oferece em comparação ao resto do mundo. Conforme o mercado acredita, a manutenção dessa trajetória de queda da inflação abre espaço para o Banco Central continuar o ciclo de cortes da Selic.
Desempenho dos índices de referência:
• IMA-B 5+: +0,0591%
• IMA-B: +0,0632%
• IMA-B 5: +0,0684%
• IRF-M: +0,0544%
• IRF-M 1: +0,0569%
Dólar – Real ganha terreno pelo terceiro dia
O dólar comercial fechou em baixa de 0,14%, cotado a **R$ 5,169**.
Mesmo com a bagunça tarifária nos EUA, o real se fortaleceu. Isso acontece porque os dados internos do Brasil, como a prévia do PIB (IBC-Br) e a inflação em queda, estão atraindo o olhar positivo dos investidores institucionais. Há inclusive instituições, como o Banco Pine, que já projetam o dólar testando a marca dos R$ 5,00 ainda neste semestre, caso o cenário doméstico permaneça estável.
E agora?
O mercado entra na terça-feira com os olhos voltados para Washington. A pergunta de um milhão de dólares é: qual será o próximo passo de Trump? Por aqui, a agenda é mais leve, focando em dados de arrecadação e investimento estrangeiro. O investidor deve manter a calma e focar nos fundamentos das empresas brasileiras, que seguem apresentando resultados sólidos nesta temporada de balanços.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (24/02)
Eventos para monitorar:
• 🇧🇷 08:30 – Investimento Estrangeiro Direto (USD): Mostra o interesse de longo prazo no Brasil.
• 🇺🇸 10:00 – Discurso de Goolsbee (Fed): Importante para entender o rumo dos juros americanos.
• 🇺🇸 10:15 – Variação de empregos ADP (EUA): Prévia do mercado de trabalho.
• 🇧🇷 11:00 – Confiança do Consumidor FGV.
• 🇺🇸 23:00 – Discurso de Trump: Novas sinalizações sobre política comercial podem agitar a abertura de amanhã.
Quer entender como as novas tarifas americanas podem impactar especificamente a sua carteira? Acompanhe o Morning News.