O pregão desta quinta-feira foi um verdadeiro teste de resistência para os nervos do investidor. Em um cenário que mais parecia um “campo minado” onde qualquer notícia sobre o Oriente Médio poderia detonar uma onda de vendas o Ibovespa surpreendeu com uma virada impressionante na última hora de negociação, fechando em alta de 0,35%, aos 180.270,62 pontos. O movimento de recuperação ocorreu após o índice chegar a cair quase 3% durante o dia, reagindo ao tom cauteloso dos Bancos Centrais e à volatilidade extrema do petróleo.
No acumulado de março, o Ibovespa registra queda de 4,51%, mas no ano sustenta uma valorização de 11,88%. O dia também foi de alívio no câmbio, com o dólar caindo 0,58% para fechar a R$ 5,215, enquanto os juros futuros (DIs) recuaram por toda a curva após a digestão da nova Selic a 14,75%. No exterior, os principais índices de Nova York fecharam em leve queda, mas bem longe das mínimas do dia, impulsionados por falas que sugerem um fim mais célere para o conflito no Irã.
Para entender como essa montanha-russa de emoções impacta a rentabilidade do seu RPPS e quais setores brilharam na contramão da crise, acompanhe os detalhes abaixo.
Olhar Global – Bancos Centrais em alerta e o recuo do petróleo
O cenário internacional foi dominado pela cautela coordenada dos grandes Bancos Centrais. Seguindo os passos do Fed (EUA), o Banco Central Europeu, o Banco da Inglaterra e o Banco do Japão mantiveram suas taxas inalteradas, todos uníssonos em um ponto: a guerra contra o Irã turvou as perspectivas de inflação e crescimento. Donald Trump voltou a prometer um fim rápido para o conflito, ao mesmo tempo que o Pentágono solicitava reforços bilionários para o orçamento de guerra.
O grande “alívio” veio de Israel. O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu sinalizou que a guerra pode terminar “mais rápido do que as pessoas pensam”. A declaração foi o suficiente para desinflar os preços do petróleo Brent, que flertaram com os US$ 120 mas viraram para queda, acalmando os mercados globais no encerramento da sessão.
• Dow Jones: queda de 0,44% (46.022,20 pontos)
• S&P 500: queda de 0,28% (6.606,48 pontos)
• Nasdaq: queda de 0,28% (22.090,69 pontos)
Ibovespa – A virada dos bancos e o salto da Hapvida
O principal índice da nossa bolsa fechou aos 180.270,62 pontos. No acumulado do ano, a alta é de +11,88%.
A sessão começou tenebrosa, mas a hora final foi de “caça às pechinchas”. Os grandes bancos, que operavam no vermelho, viraram o jogo e sustentaram a alta do índice: o Santander (SANB11) subiu 1,15% e o Itaú (ITUB4) avançou 0,71%. O grande destaque individual foi a Hapvida (HAPV3), que após um susto inicial com o balanço, disparou 14,98% em um movimento de forte recuperação.
Na ponta negativa, a Vale (VALE3) caiu 0,65% com o minério de ferro em baixa, e a Petrobras (PETR4) recuou 0,47%, acompanhando a virada negativa do petróleo no fim do dia. O setor de consumo também sofreu: o Grupo Mateus (GMAT3) despencou 14,43% após resultados fracos, mostrando que o ambiente de juros altos ainda castiga o varejo.
Juros – Selic a 14,75% e a queda das taxas futuras
Após o Copom reduzir a taxa Selic para 14,75% na noite anterior, o mercado de juros futuros passou o dia digerindo o comunicado. Embora o corte tenha sido de apenas 0,25 ponto percentual — o que gerou críticas de setores da indústria por ser um “rigor excessivo” — o mercado financeiro entendeu a cautela do Banco Central diante da guerra. Como resultado, as taxas dos DIs caíram por toda a curva, com recuos de até 20 pontos-base.
O que isso significa para o RPPS?
Essa queda nas taxas futuras (fechamento da curva) é uma notícia positiva para o fechamento do mês. Ela gera a marcação a mercado positiva, o que significa que os títulos públicos de longo prazo na carteira do seu RPPS (como NTN-Bs e prefixados) valorizaram hoje. Conforme o mercado espera, a “serenidade” pregada pelo Copom ajuda a reduzir o prêmio de risco, estabilizando a rentabilidade dos fundos de renda fixa que buscam bater a meta atuarial.
Desempenho dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: +0,0092%
• IMA-B: +0,1047%
• IMA-B 5: +0,2278%
• IRF-M: +0,2501%
• IRF-M 1: +0,0933%
Taxas de fechamento dos DIs:
• DI Jan/27: 14,095% (queda de 0,105 pp)
• DI Jan/29: 13,675% (queda de 0,080 pp)
• DI Jan/35: 13,855% (queda de 0,060 pp)
Dólar – Real ganha fôlego após volatilidade extrema
O dólar comercial fechou em queda de 0,58%, cotado a R$ 5,215.
A moeda americana chegou a bater nos R$ 5,31 durante o dia, mas a virada no sentimento global e a queda do índice DXY (que mede o dólar contra moedas fortes) lá fora trouxeram o câmbio de volta para patamares mais baixos. Para o investidor, o dólar operando próximo de R$ 5,20 ajuda a conter o repasse de preços para a inflação, dando um fôlego extra para a política monetária doméstica.
E agora?
A semana termina com os investidores tentando recuperar o fôlego. A guerra continua sendo o principal motor de incerteza, mas as falas de Netanyahu trouxeram uma luz sobre um possível desfecho diplomático. No Brasil, o foco político deve se voltar para a saída de Fernando Haddad do Ministério da Fazenda, um movimento que o mercado acompanhará de perto para entender se haverá mudanças na condução fiscal. Sem grandes indicadores na agenda de hoje, o clima deve ser de consolidação dos ganhos de hoje.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (20/03)
📌 Dados para monitorar na sexta-feira:
• 🇨🇳 09:00 – Investimento Estrangeiro Direto na China (Fevereiro).
• 🇺🇸 14:00 – Contagem de Sondas Baker Hughes (EUA): Importante para o setor de petróleo.
• 🇧🇷 17:30 – Relatório da CFTC: Posições líquidas de especuladores no Real.
• 🇪🇺 17:30 – Relatório da CFTC: Posições líquidas de especuladores no Euro.
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