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Início de 2026: Mercados em Alta e Perspectivas Estruturais para o Brasil

A primeira semana cheia de 2026 foi marcada por um ambiente construtivo para os mercados, tanto no Brasil quanto no exterior. O investidor iniciou o ano diante de uma combinação rara: avanço dos ativos de risco, inflação doméstica sob controle no fechamento de 2025 e sinais de desaceleração gradual — porém saudável — da economia americana. O grande catalisador foi o destravamento do acordo comercial entre Mercosul e União Europeia, encerrando uma negociação de mais de duas décadas e ampliando de forma estrutural o horizonte de crescimento para setores exportadores brasileiros.

No mercado local, o Ibovespa avançou 1,76% na semana, encerrando aos 163.370 pontos, enquanto o dólar recuou para a região de R$ 5,36. O movimento refletiu a melhora do humor global, a perspectiva de aumento do fluxo comercial e a manutenção de um diferencial de juros ainda bastante atrativo para o Brasil.


Cenário Internacional

O pano de fundo externo começou a semana sob tensão, após a operação militar dos Estados Unidos que resultou na captura de Nicolás Maduro na Venezuela. A reação inicial dos mercados foi de cautela, mas rapidamente prevaleceu a leitura de que o impacto econômico seria limitado no curto prazo. No médio prazo, a expectativa de reabertura do setor petrolífero venezuelano às petroleiras americanas passou a ser vista como um fator potencialmente desinflacionário, ao ampliar a oferta global de petróleo. O Brent chegou a operar abaixo de US$ 60 ao longo da semana, antes de se recuperar para a faixa de US$ 63, refletindo esse reequilíbrio de expectativas.

Nos Estados Unidos, os dados de emprego reforçaram o cenário de desaceleração controlada da atividade. O ADP mostrou criação de vagas abaixo do esperado, o relatório Jolts indicou redução das posições em aberto, e o Payroll confirmou um ritmo mais moderado de geração de empregos, ainda que a taxa de desemprego tenha recuado. Para o mercado, trata-se do chamado cenário “Cachinhos Dourados”: crescimento suficiente para sustentar lucros corporativos, mas sem pressão inflacionária adicional. Como consequência, os principais índices acionários renovaram máximas históricas, com o S&P 500 e o Dow Jones encerrando a semana em alta.

A leitura predominante é de que o Federal Reserve manterá os juros inalterados em janeiro, com o mercado passando a precificar cortes apenas a partir do meio do ano. Esse pano de fundo segue favorável aos ativos de risco globais, especialmente em economias emergentes com fundamentos mais sólidos.


Cenário Doméstico

No Brasil, o destaque foi a divulgação do IPCA de dezembro. O índice subiu 0,33% no mês e fechou 2025 em 4,26%, abaixo do teto da meta, o que trouxe alívio relevante para a percepção de risco macroeconômico. Ainda assim, a composição do dado segue exigindo cautela. A inflação de serviços acelerou no acumulado do ano e permanece rodando em patamares elevados, especialmente nos segmentos intensivos em mão de obra. Esse qualitativo reforça a visão de que o Banco Central deverá manter uma postura conservadora, iniciando o ciclo de cortes da Selic apenas a partir de março.

Os indicadores de atividade mostraram sinais mistos. A produção industrial permaneceu estagnada em novembro, reforçando a leitura de desaceleração provocada pelo aperto monetário acumulado. Em contrapartida, o PMI de serviços surpreendeu positivamente, indicando resiliência da demanda em setores menos sensíveis ao crédito. Esse contraste sustenta a tese de desaceleração gradual, sem ruptura abrupta do crescimento.

No campo político-institucional, o embate entre TCU e Banco Central no caso Banco Master gerou ruído adicional, acompanhado de perto por investidores estrangeiros. Soma-se a isso o veto presidencial ao PL da dosimetria, reacendendo tensões entre Executivo e Congresso. O fluxo estrangeiro segue negativo neste início de ano, ainda que em magnitude moderada.


Bolsa Brasileira

O mercado acionário doméstico refletiu diretamente o otimismo com o acordo Mercosul–União Europeia. Empresas exportadoras foram as principais beneficiadas, com destaque para frigoríficos e companhias de papel e celulose, que passaram a precificar acesso ampliado a mercados europeus e redução de barreiras comerciais. A Petrobras acompanhou a recuperação do petróleo ao longo da semana, enquanto a Vale, apesar da correção pontual no último pregão, acumulou desempenho positivo no período.

Movimentos técnicos também chamaram atenção, como a forte oscilação nas ações da Azul, explicada por ajustes extremos após eventos recentes de diluição acionária, sem alteração estrutural de fundamentos no curto prazo.


Juros e Renda Fixa

A curva de juros futuros ganhou inclinação ao longo da semana, especialmente após a divulgação do IPCA e dos dados de emprego nos EUA. A pressão concentrou-se nos vértices mais curtos, refletindo a inflação de serviços e a percepção de que o Banco Central manterá os juros elevados por mais tempo. Os vencimentos mais longos permaneceram relativamente estáveis, sinalizando confiança na convergência inflacionária no horizonte mais distante.

O Tesouro Nacional realizou o primeiro leilão de NTN-F do ano com boa demanda, incluindo a estreia do vencimento em 2037, reforçando o apetite por duration mesmo em um ambiente de juros elevados.

Para os RPPS, esse contexto segue ambíguo no curto prazo. A abertura da curva pode gerar marcação negativa em títulos prefixados e indexados à inflação, mas, ao mesmo tempo, cria janelas relevantes para alocação em taxas reais mais atrativas, favorecendo o cumprimento da meta atuarial no longo prazo.


Câmbio

O dólar encerrou a semana em queda consistente frente ao real, acumulando recuo superior a 1%. O movimento foi impulsionado por ajuste técnico após a pressão sazonal de dezembro, manutenção do diferencial de juros elevado e melhora do ambiente externo para moedas emergentes. A percepção de impacto desinflacionário da situação venezuelana e a valorização de outras divisas emergentes também contribuíram para o fortalecimento do real.

Apesar da recuperação recente, o fluxo cambial estrutural segue desafiador. O ano de 2025 registrou uma das maiores saídas líquidas da história, o que mantém o câmbio sensível a ruídos políticos e fiscais ao longo de 2026.

 

Perspectivas

A próxima semana tende a ser decisiva para a formação de expectativas. Nos Estados Unidos, a divulgação do CPI pode alterar a precificação dos juros globais. No Brasil, o IBC-Br ajudará a calibrar a leitura sobre o ritmo da atividade. A formalização final do acordo Mercosul–União Europeia continuará no centro das atenções, com potencial de impacto estrutural positivo para a economia brasileira.

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