Após o susto da tempestade de ontem, o mercado financeiro brasileiro viveu uma quinta-feira de recuperação parcial e muita seletividade. O Ibovespa fechou com uma leve alta de 0,23%, aos 182.127 pontos, conseguindo respirar mesmo diante de um cenário externo bastante adverso. No mês de fevereiro, o índice caminha com uma valorização de 0,42%, mantendo um acumulado robusto de 13,03% no ano.
O grande protagonista do dia foi o Itaú Unibanco, que após divulgar um balanço sólido, disparou e evitou que o índice brasileiro acompanhasse o tombo das bolsas americanas. Lá fora, o clima azedou novamente: as gigantes de tecnologia sofreram com o receio de que os investimentos massivos em Inteligência Artificial não tragam retorno tão rápido quanto o esperado. No Brasil, o dólar subiu levemente para R$ 5,254, enquanto os juros futuros (DIs) seguiram a toada mista, com taxas longas subindo em meio ao ruído fiscal e político.
Para entender como os balanços dos bancos e o mercado de trabalho americano mexem com o seu patrimônio, preparamos o resumo completo nas seções a seguir.
Olhar Global – Wall Street sob o peso da IA e o esfriamento do emprego
O otimismo com a tecnologia parece ter encontrado um freio. Em Nova York, o destaque negativo foi a Alphabet (Google), que assustou investidores ao prever gastos bilionários em IA para 2026. O mercado acredita que passamos da fase do “encantamento” para a fase da “cobrança”: agora, os investidores querem ver lucros reais acompanhando cada dólar investido em novos chips e servidores.
Além disso, o mercado de trabalho dos EUA deu sinais de cansaço. As vagas em aberto caíram para o menor nível em cinco anos e os cortes de vagas em janeiro foram os maiores desde a crise de 2009. Na Europa, o tom foi de cautela após o Banco Central Europeu manter os juros inalterados, reforçando que a luta contra a inflação ainda não terminou.
* Dow Jones: -1,20%
* S&P 500: -1,23%
* Nasdaq: -1,59%
Ibovespa – O brilho do Itaú contra a queda da Vale
O Ibovespa encerrou o dia em 182.127 pontos. Se o índice fosse uma orquestra, o Itaú teria sido o solista que garantiu os aplausos, compensando o silêncio de outros setores importantes.
* Itaú (ITUB4): Subiu 2,02%. O balanço do 4T25 mostrou uma rentabilidade (ROE) acima dos pares e uma qualidade de crédito que agradou os analistas, consolidando o banco como a “escolha preferida” do setor no momento.
* Vale (VALE3): No sentido oposto, a mineradora caiu 3,33%. O movimento reflete a correção do preço do minério de ferro no exterior e uma natural realização de lucros após as fortes altas recentes.
* Petrobras (PETR4): Recuou 1,39%, influenciada pela queda nos preços do petróleo após Donald Trump sinalizar um alívio nas tensões geopolíticas com a Venezuela e o Irã.
* Bancos: O clima foi misto. Enquanto Itaú brilhou, o Banco do Brasil (BBAS3) caiu 2,63% e o Santander (SANB11) cedeu 1,20%, ainda repercutindo os dados de inadimplência da véspera.
Juros – Curva de juros: O cabo de guerra entre Brasília e o BC
O mercado de juros futuros viveu mais um dia de “ajuste fino”. As taxas de curto prazo (2027) caíram levemente, embaladas pelas falas afáveis do presidente Lula ao atual comando do Banco Central. No entanto, as taxas longas (2031-2035) subiram, refletindo o prêmio de risco que os investidores exigem diante das incertezas fiscais e da decisão do STF de suspender “penduricalhos” salariais.
Impacto para o RPPS:
Essa “abertura” da curva longa (aumento das taxas) exige atenção redobrada dos gestores de RPPS.
Por que isso acontece?
Quando a incerteza sobre o futuro do país aumenta, o investidor pede mais juros para emprestar dinheiro ao governo por 10 ou 15 anos. Isso afeta diretamente a marcação a mercado das NTN-Bs longas, que podem apresentar volatilidade negativa no curto prazo.
O ponto positivo: Para quem está comprando agora, essas taxas mais altas travam um rendimento real (acima da inflação) muito atrativo, garantindo fôlego para bater as metas atuariais no longo prazo.
Confira os principais índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: -0,0157%
• IMA-B: +0,0231%
• IMA-B 5: +0,0721%
• IRF-M: +0,0772%
• IRF-M 1: +0,0577%
Dólar – Real em compasso de espera
O dólar comercial fechou com leve alta de 0,08%, a R$ 5,254. A moeda brasileira acompanhou o movimento global de fortalecimento do dólar (índice DXY subiu 0,20%). Apesar das críticas do governo ao patamar da Selic, o mercado de câmbio parece ter ignorado o ruído político, focando mais na dinâmica internacional e na expectativa pela viagem oficial de Lula aos EUA em março. Para o investidor, o dólar estável ajuda a planejar remessas e diversificação internacional sem grandes sobressaltos.
E agora?
A sexta-feira chega com um gosto de “quero mais” informações. Com o adiamento do principal relatório de emprego dos EUA (payroll), o mercado deve se concentrar nos balanços domésticos. O Bradesco é a bola da vez e seus números podem definir se o setor bancário terá força para empurrar o Ibovespa de volta aos recordes ou se a cautela irá prevalecer.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (06/02)
* 🇧🇷 08:00 – IGP-DI (Um termômetro importante para a inflação no atacado).
* 🇺🇸 10:30 – Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (Substituindo parte das atenções do payroll).
* 🇺🇸 12:00 – Expectativa de Inflação da Univ. de Michigan (Crucial para o sentimento do consumidor).
* 🇺🇸 14:00 – Discurso de Philip Jefferson, vice-presidente do Fed.
O dinamismo do mercado exige estratégia e calma. Continue acompanhando nossos canais para transformar informação em rentabilidade para o seu RPPS.