Janeiro terminou com um saldo que há muito tempo não se via nas telas dos investidores. Apesar de o Ibovespa ter recuado 0,97% nesta última sexta-feira, fechando aos 181.363 pontos, o balanço mensal é digno de celebração: uma valorização de 12,56%. Foi o melhor janeiro em anos, impulsionado por um fluxo estrangeiro robusto e pela percepção de que o Brasil se tornou o “porto seguro” dos mercados emergentes.
O movimento de queda no último pregão do mês foi lido como uma “realização de lucros” técnica — quando os investidores vendem parte de suas posições para garantir o ganho acumulado. No exterior, a notícia do dia foi a indicação de Kevin Warsh para a presidência do Federal Reserve (Fed) por Donald Trump, um nome que sugere juros mais baixos no futuro, mas que ainda gera cautela sobre a independência da instituição. Por aqui, o dólar subiu 1,03% (R$ 5,248) devido à disputa pela Ptax de fim de mês, e os juros futuros (DIs) tiveram uma leve alta, refletindo dados de emprego doméstico ainda muito fortes.
Abaixo, detalhamos como o encerramento do mês e as novas peças no tabuleiro global influenciam a estratégia dos RPPS para fevereiro. Acompanhe a análise completa.
Olhar Global – A “era Warsh” no Fed e o susto nos metais
Donald Trump finalmente revelou sua aposta para o comando do Banco Central americano: Kevin Warsh. Conhecido por ser um crítico da expansão desenfreada de gastos, mas também um entusiasta de juros mais baixos para estimular a economia, sua indicação traz um misto de previsibilidade e novos questionamentos. Enquanto o mercado digere se Warsh manterá a autonomia do Fed, as bolsas em Nova York fecharam no vermelho, castigadas ainda pelos balanços das Big Techs.
Curiosamente, o ouro e a prata — que vinham em um rali de proteção — sofreram quedas acentuadas na sexta-feira. A prata, inclusive, registrou um de seus piores pregões da história devido ao excesso de especulação. Para o Brasil, o cenário europeu trouxe um alento: o PIB da Zona do Euro veio mais forte que o esperado, o que ajuda a manter a demanda global por nossas exportações aquecida.
• Dow Jones: -0,36%
• S&P 500: -0,43%
• Nasdaq: -0,94%
Ibovespa – Realização estratégica após rali histórico
O Ibovespa encerrou o dia em 181.363 pontos. Após bater recordes sucessivos, o investidor aproveitou o último dia do mês para “limpar a mesa”. O mercado acredita que esse ajuste é natural e saudável, não alterando a tendência de alta para o trimestre.
• Vale (VALE3): Recuou 3,54% no dia, mas o saldo de janeiro é impressionante, com alta superior a 17%. A queda foi reflexo de uma correção técnica e da cautela com o setor imobiliário chinês.
• Petrobras (PETR4): Mostrou resiliência e subiu 0,16%, sustentada por boas perspectivas sobre suas reservas e dividendos.
• Setor Financeiro: Os bancos foram os principais responsáveis pela pressão negativa no índice hoje. O Santander (SANB11) caiu 1,71% e o Itaú (ITUB4) cedeu 1,41%, acompanhando a alta das taxas de juros no mercado futuro.
Analogia: Janeiro foi como uma festa incrível que durou o mês todo. A sexta-feira foi apenas o momento de arrumar a casa e descansar para começar fevereiro com energia renovada.
Juros – Curva abre com emprego forte e cenário externo
Diferente dos últimos dias, os juros futuros (DIs) fecharam em alta por toda a curva. Esse movimento de “abertura” (quando as taxas sobem) foi influenciado por dois fatores: a alta dos rendimentos dos títulos americanos após a indicação de Warsh e os dados de desemprego no Brasil, que atingiram 5,1% — a mínima histórica.
O que isso significa para o RPPS?
Um desemprego tão baixo é excelente para a economia, mas acende um alerta no Banco Central: salários mais altos podem gerar inflação de serviços. Por isso, os DIs subiram, refletindo a cautela de que o corte da Selic em março pode ser mais cauteloso.
Para os regimes de previdência, essa leve subida das taxas hoje gera uma pequena oscilação negativa na marcação a mercado dos títulos prefixados e de inflação. No entanto, o acumulado de janeiro para os índices IMA-B e IRF-M continua extremamente positivo, garantindo um excelente fechamento de mês para as metas atuariais.
Desempenho dos Índices de Renda Fixa:
• IMA-B 5+: -0,0266%
• IMA-B: -0,0001%
• IMA-B 5: +0,0335%
• IRF-M: +0,0421%
• IRF-M 1: +0,0515%
Dólar – Alta na sexta, mas vitória no mês
O dólar comercial subiu 1,03%, fechando a R$ 5,248. A alta pontual deveu-se à disputa pela “Ptax” (taxa de referência do BC) e ao fortalecimento global da moeda americana após as notícias do Fed. Contudo, não se engane: em janeiro, o real foi uma das moedas que mais se valorizou no mundo, com o dólar acumulando uma queda de 4,39% no mês. Isso mostra que o apetite do investidor pelo Brasil continua muito vivo.
E agora?
Entramos em fevereiro, o mês do Carnaval e, para o mercado, o mês de “decifrar” a Ata do Copom, que será divulgada nesta terça-feira. Ela trará os detalhes sobre o quão confiante o Banco Central está para iniciar o corte de juros. Nos EUA, o foco se volta para o Payroll (relatório de empregos), que ditará o humor global.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (02/02)
• 🇧🇷 08:25 – Boletim Focus (Expectativas atualizadas de inflação e PIB).
• 🇧🇷 10:00 – PMI Industrial (Mede a saúde da indústria brasileira).
• 🇺🇸 11:45 – PMI Industrial nos EUA.
• 🇺🇸 14:30 – Discurso de membros do FOMC (Impacto na visão sobre juros).
O excelente desempenho de janeiro coloca os RPPS em uma posição confortável, mas a seletividade será a palavra de ordem para fevereiro. Estamos à disposição para ajudar nessas escolhas.
R3 Investimentos
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