O mercado financeiro brasileiro viveu uma quarta-feira memorável. Pela primeira vez na história, o Ibovespa rompeu a barreira dos 190 mil pontos durante o pregão, consolidando o 11º recorde apenas neste início de ano. O grande combustível para essa alta de 2,03% veio de um conjunto de fatores: balanços corporativos surpreendentes (com destaque para Suzano e o setor de papel e celulose), a força das gigantes Vale e Petrobras, e o relatório de empregos dos EUA (o Payroll), que trouxe otimismo sobre a resiliência da maior economia do mundo.
O clima de euforia na Bolsa ajudou a derrubar o dólar, que fechou em queda, enquanto os juros futuros apresentaram um movimento misto — as taxas de curto prazo caíram, refletindo maior confiança em cortes na Selic, enquanto as de longo prazo subiram levemente devido às incertezas políticas e fiscais. No acumulado de fevereiro, o Ibovespa já sobe 4,60%, um desempenho que traz alento para as metas atuariais dos RPPS.
Quer entender como esse “dia de gala” impacta seu patrimônio e o que esperar dos próximos passos? Confira os detalhes abaixo.
Olhar Global – Emprego forte nos EUA dita o ritmo
O grande protagonista internacional foi o Payroll. O relatório mostrou que o mercado de trabalho americano segue criando vagas de forma robusta. No mercado financeiro, a expectativa é de que, se a economia deles vai bem, o consumo global continua aquecido, o que beneficia exportadoras brasileiras.
Apesar da boa notícia econômica, as bolsas em Nova York fecharam em leve queda. Isso ocorre porque o mercado agora se questiona se o Banco Central Americano (Fed) terá pressa para cortar os juros, já que a economia ainda está “quente”. Na Europa, o tom também foi de cautela com os balanços das empresas locais.
Principais índices:
• Dow Jones: -0,13% (50.121,40 pts)
• S&P 500: -0,01%
• Nasdaq: -0,16%
Ibovespa – O dia em que a Bolsa “furou o teto”
O principal índice da nossa bolsa fechou aos 189.699,12 pontos, mas chegou a tocar os 190.561,18 na máxima do dia. No ano de 2026, a valorização já impressiona: +17,73%.
A alta foi generalizada. A Suzano (SUZB3) disparou mais de 13% após apresentar números sólidos, puxando todo o setor de papel e celulose. A Vale (VALE3) subiu 3,49%, impulsionada pelo otimismo com o minério e projeções de analistas que veem a ação ultrapassando os R$ 100,00 ainda este ano. Os grandes bancos também não ficaram para trás, com Bradesco (+2,96%) e Itaú (+1,96%) reagindo bem aos balanços recentes. É como se todas as engrenagens da economia real tivessem girado juntas hoje.
Juros – Inclinação da curva e o impacto na Previdência
O mercado de juros futuros teve um dia de “inclinação”. Isso significa que as taxas para prazos curtos caíram, enquanto as taxas para prazos longos (2032 em diante) subiram um pouco. O recuo no curto prazo reflete a aposta do mercado em um corte de 0,50 ponto percentual na Selic em março.
O que isso significa para o RPPS?
Quando o DI futuro de curto prazo cai, os títulos públicos de renda fixa (como os pré-fixados) tendem a se valorizar no presente — a famosa “marcação a mercado” positiva. Para o gestor de previdência, isso ajuda a rentabilizar o estoque de ativos. Por outro lado, a leve alta nos juros longos mostra que o mercado ainda pede um “prêmio” maior para emprestar dinheiro ao governo por muito tempo, de olho nas discussões sobre o futuro das privatizações e sucessão presidencial.
Desempenho dos índices de referência:
• IMA-B 5+: +0,1706%
• IMA-B: +0,1335%
• IMA-B 5: +0,0867%
• IRF-M: +0,0575%
• IRF-M 1: +0,0702%
Dólar – Real ganha força com fluxo estrangeiro
A moeda americana fechou em queda de 0,18%, cotada a R$ 5,187. A explicação é simples: com a Bolsa brasileira batendo recordes e empresas apresentando lucros, entra muito capital estrangeiro no país. Para comprar ações aqui, o investidor de fora precisa vender dólares e comprar reais, o que faz o preço da nossa moeda subir (e o dólar cair). O presidente do BC, Gabriel Galípolo, reforçou que a autoridade monetária segue atenta para garantir que essa volatilidade não atrapalhe a inflação.
E agora?
Após o marco histórico dos 190 mil pontos, o mercado começa a olhar para os 200 mil. A expectativa é que o ritmo continue positivo se os dados de serviços no Brasil, que saem amanhã, mostrarem uma economia equilibrada. O cenário político, com as movimentações para 2026, passa a ser um componente diário de análise para quem cuida de recursos de longo prazo.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (12/02)
Fique de olho nos dados que podem mexer com o seu bolso:
• 🇺🇸 10:30 – Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego (EUA): Mede o fôlego atual da economia americana.
• 🇧🇷 09:00 – Pesquisa Mensal de Serviços (Brasil): Fundamental para o BC decidir os próximos passos da Selic.
• 🇺🇸 18:30 – Balanço Patrimonial do Federal Reserve.
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