O mercado financeiro brasileiro encerrou a última semana em um ritmo de “ajuste de expectativas”. Após o Ibovespa ter flertado com a marca histórica dos 190 mil pontos, os investidores optaram por uma postura mais cautelosa nesta sexta-feira, resultando em uma queda de 0,69%. O movimento foi influenciado por dois pesos pesados: a queda nos preços das commodities (afetando Vale e Petrobras) e dados do varejo nacional que vieram abaixo do esperado, sinalizando que a economia pode estar perdendo um pouco de tração.
No cenário externo, a inflação nos EUA deu sinais de alívio, o que é excelente para as perspectivas de juros globais, mas o temor de uma “bolha” no setor de tecnologia manteve as bolsas americanas em uma toada mista. Por aqui, o dólar subiu, impulsionado por investidores que buscaram “seguro” antes do feriadão de Carnaval, enquanto os juros futuros (DIs) caíram, reagindo à economia mais lenta e à expectativa de cortes na Selic. No acumulado de fevereiro, o Ibovespa sustenta uma alta de 2,74%.
Com o Brasil entrando em modo de folia, o mercado se posicionou de forma defensiva. Para entender como esses movimentos impactam a rentabilidade dos fundos de pensão e o que esperar na volta do feriado, confira os detalhes abaixo.
Olhar Global – Inflação americana traz alívio, mas tecnologia gera cautela
O destaque internacional foi o relatório de inflação ao consumidor (CPI) dos EUA, que veio mais “frio” do que o mercado acreditava. Isso fortalece a tese de que o Federal Reserve (o Banco Central americano) tem espaço para manter ou até acelerar o corte de juros por lá, o que costuma ser muito positivo para países emergentes como o Brasil.
Entretanto, nem tudo foi festa. O setor de tecnologia em Wall Street continua sob pressão, com investidores questionando se os altos investimentos em Inteligência Artificial trarão lucro rápido. Na Europa, o clima também foi de aversão ao risco. Enquanto isso, o petróleo subiu levemente devido a novas tensões no Oriente Médio, embora a alta tenha sido limitada pela expectativa de maior oferta da commodity no futuro.
Principais índices:
• Dow Jones: +0,10% (49.500,93 pts)
• S&P 500: +0,05%
• Nasdaq: -0,22% (queda acumulada de 2,1% na semana)
Ibovespa – Ressaca antecipada após os recordes
A Bolsa fechou aos 186.464 pontos, devolvendo parte dos ganhos recentes. No ano, a valorização ainda é expressiva: +15,74%.
O dia foi marcado pelo que chamamos de “realização de lucros” — é como se o investidor, após ver suas ações subirem muito nos últimos dias, decidisse vender uma parte para colocar o dinheiro no bolso antes do feriado. As ações da Vale (VALE3) e da Petrobras (PETR4) foram as principais detratoras, acompanhando o cenário incerto para o minério de ferro e o petróleo. Além disso, as empresas do varejo sofreram com os dados de vendas de dezembro, que mostraram um consumo mais tímido das famílias brasileiras.
Juros – Atividade fraca abre espaço para Selic menor
Diferente da Bolsa, o mercado de renda fixa teve um dia positivo. As taxas de juros futuros (DIs) caíram de forma consistente ao longo de toda a curva.
Por que isso importa para o RPPS?
Dados fracos no comércio e nos serviços (divulgados ontem) sugerem que a economia brasileira não está superaquecida. Para o mercado, isso é um sinal verde para o Banco Central continuar cortando a Selic. A expectativa de um corte de 0,50 ponto percentual em março agora é de 76%.
Para os regimes de previdência, a queda do DI futuro valoriza os títulos públicos marcados a mercado (como NTN-Bs e pré-fixados), o que ajuda a impulsionar o patrimônio acumulado para o pagamento de benefícios.
Desempenho dos índices de referência:
• IMA-B 5+: +0,3705%
• IMA-B: +0,2582%
• IMA-B 5: +0,1164%
• IRF-M: +0,1012%
• IRF-M 1: +0,0532%
Dólar – Proteção para o feriado
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,57%, cotado a R$ 5,229.
Diferente de outros dias, o real não acompanhou o movimento global das moedas. A alta por aqui foi puramente “sazonal”: como o mercado brasileiro ficará fechado na segunda e terça-feira, muitos investidores compram dólares para se proteger de possíveis notícias negativas que possam surgir no exterior enquanto estamos pulando Carnaval. É o famoso “seguro-feriado”.
E agora?
Entramos no recesso de Carnaval. Na segunda e terça-feira não haverá negociações na B3, mas o mundo continua girando. Na Quarta-feira de Cinzas (18/02), a bolsa retoma os trabalhos a partir das 13h. O mercado ficará de olho em como as bolsas internacionais se comportaram durante nossa ausência para ajustar os preços na abertura.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (16/02)
Fique atento:
• 🇧🇷 Feriado Nacional (Carnaval): B3 e órgãos públicos fechados.
• 🇺🇸 Agenda Externa: Sem eventos de alto impacto previstos para esta segunda-feira.
Aproveite o descanso, mas não perca o foco acompanhando o Morning News.
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