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Sexta-feira de “Payroll” e tensão: Ibovespa recua sob o peso da guerra

O respiro durou pouco. A calmaria observada no meio da semana deu lugar a uma nova tempestade nesta quinta-feira, com a escalada das tensões no Oriente Médio atingindo em cheio o humor dos investidores. O Ibovespa fechou com uma queda expressiva de 2,64%, aos 180.463,84 pontos, perdendo quase 5 mil pontos em uma única sessão. O sentimento de “vender primeiro e perguntar depois” dominou o mercado global à medida que o petróleo ultrapassou os US$ 80, alimentando temores de uma inflação mais persistente e prolongada.
O cenário doméstico também não foi dos mais simples. Além da aversão ao risco vinda de fora, o mercado reagiu a dados de emprego ainda apertados por aqui e à expectativa nervosa pelo balanço da Petrobras. Como resultado, o dólar subiu forte (1,32%), fechando a R$ 5,287, e os juros futuros (DIs) dispararam, refletindo o prêmio de risco que o investidor exige em momentos de incerteza. No acumulado de março, o Ibovespa já recua 4,41%, embora ainda sustente uma alta de 12% no ano.
Abaixo, detalhamos os movimentos que chacoalharam os mercados e o que esperar da agenda de hoje, que traz o dado de emprego mais importante do mundo.

Olhar Global – Petróleo nas alturas e o impasse Trump-Irã

O cenário internacional voltou a ser o centro das atenções. O mercado passou a duvidar da eficácia dos planos de escolta de petroleiros prometidos por Donald Trump, enquanto o Irã tenta ampliar a abrangência do conflito para ganhar poder de negociação. Com o petróleo disparando, o medo é que os custos de energia travem o crescimento global e forcem os bancos centrais a manter os juros altos por mais tempo.
Em Wall Street, o clima foi de “fuga para a segurança”. Investidores abandonaram ativos de risco, como ações de tecnologia e varejo, e buscaram abrigo no dólar. Na Europa, a situação não é diferente, com o continente monitorando de perto o espaço aéreo e as rotas de fornecimento.

Principais índices:

• Dow Jones: -1,61% (47.954,74 pts)
• S&P 500: -0,56%
• Nasdaq: -0,26%

Ibovespa – Quinta-feira de “sai de baixo”

A queda de hoje foi profunda e generalizada. O Ibovespa encerrou aos 180.463,84 pontos. A valorização de 2026, que chegou a ultrapassar os 18%, agora se ajusta para +12%.
As gigantes da Bolsa puxaram o índice para baixo. A Vale (VALE3) derreteu 3,33%, acompanhando o pessimismo global. Os grandes bancos, como o Itaú (ITUB4), também recuaram na casa dos 3%, refletindo a saída de investidores estrangeiros. A Petrobras (PETR4) subiu apenas 0,47%, um ganho tímido diante da alta do petróleo, já que o mercado preferiu esperar os números do 4T25 e a decisão sobre dividendos que saem hoje. O destaque negativo ficou com a Localiza (RENT3), que caiu quase 7% após rebaixamentos de analistas.

Juros – Curva em disparada e o desafio para o COPOM

O mercado de renda fixa viveu um dia de forte estresse. Os contratos de juros futuros (DIs) registraram altas de até 22,5 pontos-base, o que chamamos de “abertura da curva”. O mercado acredita que a escalada do petróleo pressionará o IPCA, o que pode levar o Banco Central a ser menos agressivo no corte da Selic na reunião de março (dias 17 e 18).

O que isso significa para o RPPS?

Para os gestores de regimes de previdência, esse aumento nas taxas causa uma queda imediata no valor de mercado dos títulos públicos já adquiridos (marcação a mercado negativa). Contudo, é fundamental manter a visão de longo prazo: taxas maiores na curva de juros abrem janelas para novas aquisições de títulos atrelados à inflação (NTN-Bs) com rentabilidades reais muito atraentes para bater a meta atuarial. O cenário exige cautela na gestão de caixa, mas oferece oportunidades para quem busca proteção contra a inflação.

Comportamento dos Índices de Renda Fixa:

• IMA-B 5+: -1,0979%
• IMA-B: -0,6621%
• IMA-B 5: -0,0973%
• IRF-M: -0,4443%
• IRF-M 1: +0,0234%

Dólar – Moeda volta a ser o “porto seguro” global

O dólar comercial fechou em alta de 1,32%, cotado a R$ 5,287.

Em momentos de guerra e incerteza, o capital global foge para a moeda mais forte do mundo. Esse movimento de “fuga para a qualidade” encarece o dólar no Brasil, o que acaba pressionando a inflação de produtos importados e combustíveis. O mercado monitora se esse patamar de R$ 5,30 se tornará uma nova resistência.

E agora?

A sexta-feira será um teste de nervos. O foco total está no Payroll (relatório de emprego dos EUA), que dirá se a economia americana continua aquecida demais. No Brasil, o IGP-DI dará pistas sobre a inflação no atacado. Entre balanços da Petrobras e tambores de guerra, o investidor deve agir com prudência, lembrando que a diversificação é a melhor defesa em tempos de volatilidade.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (06/03)

Eventos cruciais para a abertura de hoje:

• 🇧🇷 08:00 – IGP-DI (Fevereiro): Importante indicador de inflação para contratos e aluguéis.
• 🇺🇸 10:30 – Relatório de Emprego (Payroll): O dado mais esperado da semana pelos mercados globais.
• 🇺🇸 10:30 – Taxa de Desemprego nos EUA: Fundamental para a política de juros do Fed.

Acompanhe os desdobramentos do Payroll e o impacto nos seus investimentos em tempo real no nosso Morning News.

 

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