O otimismo dos recordes recentes deu lugar a uma correção expressiva nesta quarta-feira. Em um movimento que pegou muitos investidores de surpresa, o Ibovespa caiu 2,14%, fechando aos 181.708 pontos. Foi o pior desempenho diário do ano até agora, devolvendo parte dos ganhos acumulados na semana, embora o saldo de 2026 ainda permaneça positivo em 12,77%.
A “tempestade” foi alimentada por uma combinação de fatores: o setor bancário sentiu o peso dos balanços do 4T25 (com o Santander abrindo a temporada de forma morna), o varejo sofreu com dados de serviços mais fracos e, em Brasília, o Congresso aprovou novos gastos que pressionam o nosso telhado fiscal. Enquanto as ações derretiam, o dólar comercial se manteve estável a R$ 5,250, as bolsas em Nova York fecharam mistas (com a tecnologia ainda em queda) e os juros futuros (DIs) terminaram o dia sem direção única, refletindo a cautela do investidor diante de tantas nuvens escuras.
Nas seções a seguir, detalhamos os impactos dessa volatilidade para as carteiras de RPPS e o que esperar dos próximos balanços corporativos. Continue a leitura para entender o panorama completo.
Olhar Global – Tecnologia sob pressão e o alívio no mercado de trabalho americano
O cenário internacional continua desafiador para o setor de tecnologia. Em Wall Street, a “fuga” das Big Techs prossegue, com investidores questionando se os preços atuais das ações de Inteligência Artificial ainda fazem sentido. O índice Nasdaq recuou mais de 1,5%, enquanto o Dow Jones, focado em empresas mais tradicionais, conseguiu subir.
Outro ponto de atenção foi o relatório ADP nos EUA, que mostrou uma criação de vagas abaixo do esperado. Embora pareça uma notícia ruim para o trabalhador, o mercado financeiro às vezes vê isso como um sinal de que a inflação pode esfriar, o que daria espaço para o Fed cortar juros no futuro. Na Europa, as bolsas subiram levemente, mas o clima global ainda é de “esperar para ver” antes das decisões dos bancos centrais europeus que ocorrem nesta quinta-feira.
• Dow Jones: +0,53%
• S&P 500: -0,51%
• Nasdaq: -1,51%
Ibovespa – Bancos e varejo puxam a queda; Vale resiste bravamente
O Ibovespa encerrou aos 181.708 pontos. O desânimo foi liderado pelo setor financeiro, que tem o maior peso no índice.
• Bancos em queda: O Santander (SANB11) caiu 2,70% após divulgar resultados que mostraram pressão na inadimplência. O efeito foi cascata: Itaú (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) recuaram mais de 3,2%, com o mercado antecipando que os balanços que virão podem não ser tão brilhantes quanto se imaginava.
• Varejo e Serviços: O setor de serviços brasileiro perdeu força em janeiro, o que derrubou as varejistas. O Magazine Luiza (MGLU3) tombou 3,85%.
• Vale (VALE3): Foi uma das poucas ilhas de tranquilidade, subindo 0,49%. Mesmo em um dia difícil, a mineradora conseguiu atrair compradores que buscam a segurança das commodities.
• Hypera (HYPE3): O destaque negativo absoluto foi a Hypera, que desabou 10,30% após anunciar um aumento de capital que o mercado não esperava.
Juros – Curva de juros oscila entre o fiscal doméstico e o exterior
Os juros futuros (DIs) tiveram uma sessão mista. Enquanto as taxas de curto prazo caíram levemente, os vértices mais longos subiram. Isso acontece porque, de um lado, temos a expectativa de corte da Selic (curto prazo), mas, de outro, o aumento de gastos aprovado pelo Congresso em Brasília gera medo sobre como o país pagará suas contas no futuro (longo prazo).
Impacto para o RPPS:
Para os RPPS, essa oscilação reforça a importância da diversificação. Quando os DIs longos sobem, o valor de mercado dos títulos NTN-B de longo prazo pode sofrer uma leve queda temporária (marcação a mercado).
O que o mercado espera: Que o governo consiga equilibrar o discurso fiscal para evitar que essas taxas subam demais, o que poderia comprometer o rendimento das carteiras de renda fixa. Para o gestor de RPPS, o momento exige cautela: o “feijão com arroz” do CDI ainda protege, mas o ganho real estará na volatilidade dos títulos de inflação.
Comportamento dos Índices:
• IMA-B 5+: -0,1813%
• IMA-B: -0,1020%
• IMA-B 5: -0,0018%
• IRF-M: -0,0899%
• IRF-M 1: +0,0573%
Dólar – Estabilidade em meio ao caos acionário
O *dólar comercial fechou estável a R$ 5,250*. Apesar da queda forte da Bolsa, o câmbio não disparou, o que é um sinal positivo de que o investidor estrangeiro ainda não “jogou a toalha” em relação ao Brasil. A moeda flutuou entre a mínima de R$ 5,216 e a máxima de R$ 5,265, mostrando que o mercado está buscando um novo patamar de preço enquanto aguarda as definições políticas e econômicas da semana.
E agora?
A quinta-feira será o dia de “limpar a sujeira” da tempestade. Teremos as decisões de juros na Europa e no Reino Unido, além de novos dados de emprego nos EUA (pedidos de seguro-desemprego). No Brasil, os olhos se voltam para o balanço do Bradesco antes da abertura e da Multiplan após o fechamento. Será que os resultados vão ajudar a dissipar as nuvens ou teremos mais chuva pela frente?
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (05/02)
• 🇪🇺 10:15 – Decisão da Taxa de Juros pelo Banco Central Europeu (BCE).
• 🇺🇸 10:30 – Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego nos EUA.
• 🇺🇸 21:00 – Discurso de Donald Trump (Atenção para falas sobre comércio e tarifas).
Com a volatilidade em alta, o acompanhamento próximo dos ativos é fundamental para a segurança do patrimônio previdenciário. Estamos juntos nessa navegação.