A largada da última semana cheia de maio foi em ritmo de “devagar, quase parando” nos mercados mundiais. Por conta do feriado nacional do Memorial Day nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York não operaram na segunda-feira (25), o que reduziu drasticamente o volume de negócios por aqui. Mesmo nesse compasso de espera e com o motor financeiro global desligado, o Ibovespa subiu 0,91%, fechando aos 177.815,72 pontos. No acumulado de maio, o índice reduz o prejuízo para uma queda de 5,07%, enquanto no ano de 2026 a valorização atinge +10,36%.
A calmaria na liquidez não impediu a melhora no humor dos investidores locais, sustentada por novos sinais de avanço nas tratativas de paz entre Washington e Teerã. O alívio diplomático derrubou o preço do petróleo internacional, abrindo espaço para um fechamento expressivo das taxas de juros futuras. No fechamento do dia, o dólar comercial recuou 0,19%, cotado a R$ 5,019 (chegando a furar os R$ 5,00 na mínima), as bolsas americanas fecharam por feriado (mas os índices futuros já amanhecem em alta nesta terça) e as taxas dos juros futuros (DIs) despencaram por toda a curva.
Convidamos você a acompanhar na íntegra as seções a seguir para entender os desdobramentos que mexem com a rentabilidade dos RPPS.
Olhar Global – Expectativa de paz em Ormuz ativa rali nos mercados futuros
O panorama internacional operou em marcha lenta na última sessão devido à ausência das mesas americanas, mas o sinal positivo prevaleceu nas bolsas da Europa, que fecharam em alta. O grande propulsor do otimismo foi o relato, endossado por Donald Trump, de que as conversas para o encerramento das hostilidades no Oriente Médio estão progredindo bem. A perspectiva de uma reabertura total e definitiva do Estreito de Ormuz fez o preço do barril de petróleo recuar forte, reduzindo o medo de um desarranjo mais severo nas cadeias produtivas globais.
Para esta terça-feira, a liquidez promete retornar com o pé no acelerador. Os índices futuros em Nova York já operam em alta firme, mesmo após notícias de bombardeios defensivos pontuais dos EUA na região do Golfo. O foco dos investidores internacionais se volta para a postura do Federal Reserve, já que o mercado acredita que a inflação acumulada desde o início da guerra exigirá uma postura rígida do comitê sob o comando independente de Kevin Warsh.
Dow Jones Futuro: +0,53%
S&P 500 Futuro: +0,53%
Nasdaq Futuro: +0,76%
Ibovespa – Bancos decolam e compensam freio na Petrobras
O principal índice da nossa bolsa encerrou o dia aos 177.815,72 pontos. No acumulado do segundo trimestre de 2026, a variação aponta recuo de -5,15%.
Em uma sessão com o menor volume de negócios desde janeiro, o setor financeiro carregou o índice nas costas. O Banco do Brasil (BBAS3) decolou 3,39% e o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 2,26%. A B3 (B3SA3) também brilhou com salto de 3,60%, impulsionada por revisões positivas após o anúncio de seus novos planos de recompra de ações. No varejo, a liderança de buscas ficou com a Lojas Renner (LREN3, +2,26%).
Na ponta oposta, a forte queda do petróleo lá fora puxou o freio de mão das companhias de energia: a Petrobras (PETR4) despencou 2,43% e a PRIO (PRIO3) recuou 5,98%. A Vale (VALE3) passou o dia flertando com o terreno negativo acompanhando o minério de ferro, mas descolou na reta final e fechou com leve alta de 0,59%. O Ibovespa agiu como um veículo leve: com pouca pista livre (baixa liquidez), bastou a força dos bancos para empurrar o índice para cima.
Juros – Petróleo em queda traz forte alívio para a renda fixa
Os juros futuros (DIs) tiveram um dia de forte descompressão, com quedas que atingiram até 20 pontos-base nos contratos de vencimento mais longo. A forte desvalorização das commodities energéticas no exterior esvaziou parte dos prêmios de risco associados à inflação estrutural.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de regimes próprios, o fechamento expressivo das taxas futuras é sinônimo de marcação a mercado positiva. Quando as taxas projetadas caem, o preço atual dos títulos públicos de longo prazo (como as NTN-Bs e os prefixados) sofre uma valorização contábil imediata nos balanços.
Esse movimento traz um fôlego importante para o alcance da meta atuarial nesta reta final de maio. No entanto, o comitê técnico deve manter o radar ligado: o Boletim Focus registrou a 11ª alta consecutiva na projeção do IPCA de 2026 (subindo para 5,04%), o que reforça o discurso duro de Gabriel Galípolo de que a Selic precisará continuar restritiva para ancorar as expectativas e garantir o poder de compra das aposentadorias futuras.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,1435%
IMA-B: +0,1446%
IMA-B 5: +0,1461%
IRF-M: +0,3902%
IRF-M 1: +0,0764%
Dólar – Moeda cede e flerta novamente com patamar abaixo de R$ 5,00
O dólar comercial fechou em queda de 0,19%, cotado a R$ 5,019.
A divisa americana perdeu fôlego frente ao Real, acompanhando o recuo global do índice DXY (-0,26%, aos 98,98 pontos) diante do otimismo com a diplomacia internacional. Na mínima do dia, a moeda chegou a ser negociada a R$ 4,994. O Ministério da Fazenda destacou que, embora a guerra tenha pressionado os preços globais, o Real segue ancorado pelo fluxo comercial robusto, o que ajuda a blindar a carteira de investimentos contra solavancos mais severos no câmbio.
E agora?
A moleza do feriado acabou. Esta terça-feira promete trazer o dinheiro de Wall Street de volta ao circuito, testando a sustentabilidade das altas recentes. Os investidores vão calibrar os negócios locais de olho nos dados de Investimento Estrangeiro Direto no Brasil e em indicadores do setor imobiliário nos EUA. O foco central continua sendo a veracidade dos termos do acordo de paz no Oriente Médio. Se a poeira geopolítica baixar, maio pode guardar uma reta final de forte recuperação.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (26/05)
Gatilhos econômicos para monitorar hoje:
🇧🇷 08h30 – Banco Central: Dados de Investimento Estrangeiro Direto (IED) de abril.
🇺🇸 09h30 – Fed Chicago: Índice de Atividade Nacional (Abril).
🇺🇸 10h00 – S&P/CoreLogic: Índice de Preços de Imóveis Composto-20 (Março).
🇺🇸 11h30 – Fed Dallas: Índice de Atividade das Empresas Industriais (Maio).
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