O mercado financeiro encerrou oficial e contabilmente os primeiros seis meses de 2026 desenhando um cenário de contrastes e ajustes de portfólio. Na última sessão do período, a terça-feira (30) foi de realização para as ações brasileiras. O Ibovespa fechou em queda de 0,68%, aos 172.024,12 pontos, penalizado pelo recuo em bloco dos bancos e das grandes exportadoras de commodities. Com esse ajuste técnico, a Bolsa nacional encerra o mês de junho com recuo de 1,01% e o segundo trimestre com retração de 8,24%. No entanto, o balanço amplo traz resiliência: no acumulado do primeiro semestre, o índice preserva uma valorização de +6,76%.
No exterior, o clima foi de celebração histórica. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam com novas altas consistentes, coroando o melhor primeiro semestre em cinco anos, embaladas pelo avanço da diplomacia e pela força das empresas de tecnologia. Esse apetite global por risco impulsionou o Real no fechamento do dia, conduzindo o dólar comercial a uma queda de 0,23%, cotado a R$ 5,163 (mínima da sessão). O grande destaque em solo nacional ficou com o mercado de renda fixa: os dados de emprego mais fracos do Caged acionaram um alívio robusto nos juros futuros (DIs), cujas taxas despencaram por toda a curva.
Um novo semestre e um novo horizonte econômico se iniciam hoje com indicadores vitais de atividade industrial no radar. Convidamos você a acompanhar o panorama analítico completo nas seções a seguir.
Olhar Global – Nova York consolida melhor primeiro semestre desde 2021 com trégua diplomática e rali de tecnologia
Os investidores em Wall Street fecharam as portas do semestre em ritmo de festa institucional. Os principais índices norte-americanos estenderam seus ganhos e sacramentaram a melhor metade de ano desde 2021, com o Nasdaq saltando mais de 11% e o índice de small caps Russell 2000 avançando impressionantes 21% no acumulado de seis meses. O fôlego comprador foi alimentado pelo anúncio de novas rodadas de conversas diplomáticas no Catar entre os governos dos EUA e do Irã. O mercado acredita que os canais de distensão seguem operando para evitar uma escalada de hostilidades no Oriente Médio.
Essa percepção de calmaria fez o preço do petróleo flutuar em patamares mais comportados, absorvendo sem grandes sobressaltos a decisão de Omã de introduzir cobranças tarifárias de tráfego no Estreito de Ormuz. Na Europa, as praças financeiras também encerraram o período no campo positivo, sintonizadas com o alívio nos custos de energia e com a estabilização das cadeias logísticas globais, enquanto as cotações do ouro cederam terreno diante das projeções de juros estruturais ainda elevados no exterior.
Dow Jones: +0,26% (52.317,81 pts)
S&P 500: +0,79% (7.499,12 pts)
Nasdaq: +1,52% (26.213,72 pts)
Ibovespa – Blue chips passam por realização contábil de fim de semestre, mas Embraer decola com tripla certificação
O principal índice de referência da B3 encerrou o pregão aos 172.024,12 pontos, consolidando uma variação de -8,24% no segundo trimestre.
O dia de menor liquidez local — típico de encerramento de balanços semestrais — expôs o índice à realização de lucros. A Petrobras (PETR4) recuou 0,89% e a PRIO (PRIO3) cedeu 1,88%, acompanhando a descompressão das cotações internacionais do óleo cru. A Vale (VALE3) também operou em tom defensivo e fechou com queda sutil de 0,08%. No setor bancário, a pressão vendedora foi generalizada, liderada pela baixa de 1,73% do Banco do Brasil (BBAS3) e acompanhada por recuos de 0,39% no Itaú Unibanco (ITUB4) e no Bradesco (BBDC4).
Na ponta oposta, a Embraer (EMBJ3) foi o grande destaque positivo ao avançar 2,08%, celebrando a obtenção da certificação tripla de agências reguladoras nacionais e internacionais para a sua nova aeronave Praetor 500E. No varejo, o comportamento foi misto, com a Magazine Luiza (MGLU3) subindo 4,28%, enquanto a Azzas 2154 (AZZA3) recuou 3,26%. No front fiscal, o anúncio do déficit primário de R$ 53,257 bilhões do Governo Central em maio e o lançamento do novo Plano Safra (R$ 525 bilhões) vieram em linha com o esperado e não alteraram a dinâmica das ações.
Juros – Dados do Caged acionam forte recuo nas taxas futuras e valorizam títulos públicos
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 vivenciou uma das sessões de maior alívio e descompressão técnica do mês. As taxas dos contratos futuros registraram um recuo contundente de até 9,0 pontos-base ao longo de toda a curva, limpando os prêmios de risco acumulados de forma expressiva tanto nos prazos intermediários quanto nos vértices de maior duração. O grande gatilho para o movimento foi a divulgação dos dados de emprego do Caged de maio, que mostrou a criação de vagas abaixo do consenso e o menor saldo para o mês desde 2020.
O que isso significa para o RPPS?
Para a gestão dos Regimes Próprios, essa forte descompressão das taxas futuras gera um impacto contábil imediato e extremamente positivo para o fechamento dos balancetes.
O DI futuro funciona como o indexador oculto da renda fixa do país. Quando as taxas de juros futuras recuam, o preço de mercado dos títulos públicos federais indexados à inflação (NTN-Bs) sofre uma valorização imediata nos ativos já adquiridos (marcação a mercado positiva)
O movimento impulsionou a valorização das cotas de fundos enquadrados no IMA-B (+0,0845%) e IMA-B 5+ (+0,0631%), aproximando os institutos do cumprimento de suas metas atuariais no fechamento do semestre. Paralelamente, os papéis pós-fixados e de liquidez de curto prazo, como o IRF-M 1 (+0,0791%), continuam fornecendo rentabilidade nominal firme e sem oscilações para o fluxo de pagamentos. O leilão bem-sucedido do Tesouro Nacional — que escoou com folga lotes de NTN-Bs e LFTs — confirma que o mercado assimilou os dados de moderação no mercado de trabalho de forma construtiva, sinalizando um ambiente técnico seguro e rentável para o planejamento previdenciário de longo prazo.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,0631%
IMA-B: +0,0845%
IMA-B 5: +0,1109%
IRF-M: +0,2950%
IRF-M 1: +0,0791%
Dólar – Moeda cede 0,23% e fecha na mínima da sessão com fluxo de risco positivo
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,23%, cotado a R$ 5,163 para venda.
A divisa norte-americana engatou a sua segunda desidratação consecutiva perante o Real, tocando a cotação mínima do dia no encerramento das operações. O Real se destacou positivamente e operou na contramão do índice global DXY, que registrou leve avanço de 0,08%, situando-se aos 101,18 pontos. O mercado acredita que o desmonte de posições defensivas no câmbio doméstico foi alimentado pelo otimismo internacional com a trégua geopolítica e pela consolidação técnica da taxa Ptax de fim de período, mitigando os efeitos do avanço acumulado de 2,23% que o dólar registrou em junho.
E agora?
O segundo semestre de 2026 inicia os negócios nesta quarta-feira colocando os investidores em modo de análise intensiva de dados industriais e de emprego. No cenário nacional, as atenções estarão voltadas para a divulgação do Índice PMI Industrial de junho pela S&P Global, termômetro essencial para medir a saúde da manufatura no país, seguido pelo monitoramento do Fluxo Cambial Estrangeiro à tarde.
Nos Estados Unidos, o cardápio macroeconômico traz os dados de vagas privadas da pesquisa ADP e o PMI Industrial oficial, além do relatório semanal de estoques de petróleo. É o início de um novo ciclo contábil onde a seletividade técnica ditará as oportunidades.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (01/07)
Principais fatores macroeconômicos para monitorar hoje:
🇺🇸 09h15 – ADP: Relatório de Variação de Empregos Privados nos EUA (Junho).
🇧🇷 10h00 – S&P Global: Índice PMI Industrial do Brasil referente ao mês de junho.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Índice PMI Industrial final de junho nos Estados Unidos.
🇺🇸 11h30 – EIA: Relatório oficial de Estoques de Petróleo Bruto semanal nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Divulgação do Fluxo Cambial Estrangeiro semanal no mercado local.
Planeje os fluxos institucionais do seu fundo capturando os prêmios reais estruturados na renda fixa de alta qualidade. Acompanhe a abertura dos negócios e a leitura do PMI Industrial no nosso Morning News.
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