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IPCA-15 mais brando e esclarecimentos do BC resgatam o otimismo doméstico

A comunicação clara e a leitura de dados econômicos mais leves foram as grandes protagonistas das mesas de operações nesta quinta-feira (25). Em um dia de forte recuperação técnica, o Ibovespa fechou em alta expressiva de 0,87%, aos 171.990,20 pontos, recuperando-se prontamente das perdas da sessão anterior. O fôlego comprador foi alimentado pela divulgação do IPCA-15 de junho, que veio abaixo das estimativas, somado aos esforços da diretoria do Banco Central para dissipar os ruídos gerados nos últimos comunicados. Com essa performance robusta, o principal índice da B3 reduz a sua queda acumulada no mês de junho para apenas 1,00%, enquanto eleva os ganhos do ano de 2026 para +7,65%.

No front cambial, a melhora no sentimento doméstico e o recuo global da divisa norte-americana permitiram que o Real recuperasse fôlego, conduzindo o dólar comercial a uma queda de 0,47%, cotado a R$ 5,177. O ambiente de renda fixa, por sua vez, experimentou uma dinâmica de inclinação: ancorados por um leilão de lotes cheios do Tesouro Nacional, os juros futuros (DIs) curtos recuaram, refletindo o aumento das apostas em novos cortes da Selic, enquanto os prazos longos avançaram levemente embutindo prêmios inflacionários de longo prazo. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam de forma mista, divididas entre dados macroeconômicos consistentes e reveses pontuais em gigantes da tecnologia.

Uma sexta-feira carregada de dados de emprego e atividade promete testar a resiliência dessa melhora. Convidamos você a acompanhar o relatório completo das seções a seguir.

Olhar Global – Nova York fecha mista com PCE dentro do esperado e reajustes nas gigantes de tecnologia

O panorama internacional operou sob uma esteira de dados econômicos robustos, mas enfrentou uma barreira técnica vinda do setor corporativo. Por um lado, o Índice de Preços de Consumo Pessoal (PCE) de maio — indicador de inflação preferido pelo Federal Reserve para guiar os juros — veio exatamente dentro do esperado pelas grandes casas de análise. Embora o dado acumulado siga acima da meta de 2%, a leitura trouxe alívio, combinando-se com a revisão de um PIB mais forte no primeiro trimestre. O petróleo do tipo Brent e as cotações do ouro voltaram a subir em um movimento de busca por proteção patrimonial.

Por outro lado, o índice Nasdaq foi penalizado pelas ações de pesos-pesados como Apple e Microsoft, que recuaram após anúncios de reajustes de preços em produtos de alta escala, o que ofuscou o balanço trimestral forte apresentado pela fabricante de memórias Micron. O mercado acredita que os consumidores americanos continuam fortes o suficiente para absorver os aumentos de custos das cadeias globais de tecnologia, mas a seletividade dos gestores impediu um rali generalizado nas bolsas em Nova York. Na Europa, as praças financeiras fecharam no campo negativo, contaminadas pelas ações do setor de defesa.

O índice Dow Jones avançou 0,07% (51.887,37 pts)

O S&P 500 recuou 0,01% (7.357,49 pts)

O Nasdaq teve queda de 0,46% (25.358,60 pts)

Ibovespa – Vale e Petrobras lideram campo positivo e BB dispara mais de 1,5%

O principal referencial de ações da B3 encerrou a sessão aos 171.990,20 pontos. No acumulado do segundo trimestre de 2026, a variação aponta um recuo de -8,00%.

A sessão foi marcada por um amplo movimento de compras, onde o investidor aproveitou os múltiplos atraentes das ações brasileiras. A Vale (VALE3) recuperou o fôlego e subiu 1,12%, funcionando como um importante motor do índice. A Petrobras (PETR4) também jogou no ataque e avançou 0,47%, acompanhando o repique de curto prazo do petróleo no exterior. No setor bancário, o desempenho foi majoritariamente positivo: o Banco do Brasil (BBAS3) disparou 1,57% e o Itaú Unibanco (ITUB4) avançou 1,73%, mitigando as oscilações defensivas de Bradesco (BBDC4, -0,17%) e Santander (SANB3, -0,49%).

No varejo, a Magazine Luiza (MGLU3) subiu 1,15%, tentando ensaiar uma reação contundente após acumular perdas expressivas no ano. A C&A (CEAB3) estendeu a performance da véspera e subiu mais 0,19%. Na ponta oposta, a Braskem (BRKM5) desabou 10,37%, liderando as perdas do Ibovespa após credores demonstrarem forte resistência às propostas de reestruturação de suas dívidas institucionais.

Juros – Alívio no IPCA-15 e falas do BC reduzem as taxas dos DIs de curto prazo

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 apresentou uma dinâmica de inclinação e forte movimentação de carteiras. Enquanto as taxas dos contratos de curtíssimo prazo recuaram até 5,5 pontos-base, os vencimentos longos avançaram até 12,5 pontos-base. O gatilho para o fechamento da ponta curta foi a prévia da inflação oficial, o IPCA-15 de junho, que subiu 0,44% e veio mais fraco do que o esperado pelas mesas de operação. Somou-se a isso o Relatório de Política Monetária e os esclarecimentos de Gabriel Galípolo e Paulo Picchetti, que desfizeram os ruídos sobre o “horizonte relevante”, negando qualquer alongamento artificial nos modelos do Copom e pacificando a comunicação com os analistas.

O que isso significa para o RPPS?

Essa dinâmica misto-inclinada na curva de juros exige uma atuação cirúrgica por parte dos comitês de investimentos.

O DI futuro dita o custo do dinheiro e serve de lastro para precificar títulos públicos, fundos de renda fixa e ativos de crédito privado. Quando as taxas de curto prazo caem devido a uma inflação mais branda e à atuação firme do Tesouro Nacional em leilões de LTNs, os ativos pós-fixados e fundos de liquidez iminente (IRF-M 1, +0,0584%) entregam retornos consistentes e alta segurança.

Por outro lado, o avanço moderado nas taxas longas gerou marcação a mercado positiva nos indexadores médios (IMA-B, +0,2066%). Conforme o mercado espera, o Banco Central manterá os juros em patamar significativamente restritivo, sem se comprometer com sinalizações explícitas. Para os RPPS, o atual patamar de prêmios da curva continua se desenhando como um excelente porto seguro: enquanto as carteiras existentes capturam os ganhos de curto prazo da descompressão inflacionária, os novos aportes encontram taxas de juros reais historicamente elevadas para garantir o cumprimento pleno da meta atuarial no longo prazo.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,2973%
IMA-B: +0,2066%
IMA-B 5: +0,0947%
IRF-M: +0,0076%
IRF-M 1: +0,0584%

Dólar – Real quebra sequência defensiva e moeda recua para R$ 5,17

O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,47%, cotado a R$ 5,177 para venda.
A moeda norte-americana interrompeu uma sequência de duas altas consecutivas no ambiente doméstico, oscilando entre a mínima de R$ 5,167 e a máxima de R$ 5,219. O movimento de valorização do Real ocorreu em perfeita harmonia com o exterior, onde o índice global DXY recuou 0,18% para os 101,43 pontos, refletindo uma descompressão generalizada das posições defensivas após os dados do PCE virem dentro do esperado. No plano local, a forte arrecadação federal de maio (com expansão superior a 10%) também deu suporte ao fluxo cambial, atenuando os ruídos fiscais de curto prazo.

E agora?

A sexta-feira abre os negócios trazendo indicadores de peso que prometem movimentar a reta final da semana. No ambiente doméstico, o foco total das mesas se volta para a divulgação da Taxa de Desemprego de maio medido pela PNAD Contínua do IBGE, além dos dados consolidados da Dívida Pública Federal e relatórios de Investimento Estrangeiro Direto. Nos Estados Unidos, o mercado monitorará os dados de Expectativas de Inflação da Universidade de Michigan e a contagem de sondas de petróleo. Em paralelo, os investidores dividem as atenções com os gramados da Copa do Mundo, buscando um encerramento de semana com equilíbrio técnico e prêmios atrativos nas carteiras.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (26/06)

Principais divulgações macroeconômicas para acompanhar hoje:

🇧🇷 08h30 – Banco Central: Relatório de Investimento Estrangeiro Direto (IED) no Brasil.
🇧🇷 09h00 – IBGE: Divulgação da Taxa de Desemprego / PNAD Contínua de maio.
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Dados consolidados de Expectativas de Inflação e Confiança do Consumidor.
🇺🇸 14h00 – Baker Hughes: Contagem de sondas de perfuração de petróleo semanais nos EUA.
🇺🇸 16h30 – CFTC: Relatório de posições líquidas de especuladores no S&P 500.

Alinhe a liquidez do seu instituto previdenciário e aproveite os prêmios reais da renda fixa estruturada.

Acompanhe a leitura da taxa de desemprego e a abertura das mesas no nosso Morning News.

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