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Em dia de volatilidade eleitoral, bolsa cede e dólar avança para R$ 5,08

A quinta-feira foi marcada por um ambiente de maior cautela no mercado financeiro doméstico, impulsionado pelas incertezas da reta final do segundo turno das eleições e por dados econômicos locais que indicam desaceleração do consumo. O Ibovespa recuou 1,06%, aos 204.324,26 pontos, mas preserva um sólido ganho acumulado de +9,64% no mês de outubro. No câmbio, o dólar comercial subiu 1,17%, cotado a R$ 5,087, refletindo maior demanda por proteção cambial. Em contrapartida, as bolsas americanas fecharam em alta, impulsionadas pela queda no rendimento dos títulos do governo americano. No Brasil, os juros futuros avançaram por toda a curva, registrando elevação de até 20 pontos-base nos vencimentos mais longos.

Essa combinação de ruídos políticos e desaceleração da atividade econômica influenciou diretamente a precificação dos ativos locais. Para quem atua na gestão de recursos previdenciários, entender a dinâmica entre o avanço das taxas dos DIs e a oscilação das carteiras marcadas a mercado é indispensável para proteger o patrimônio e mapear boas oportunidades de alocação.

Convido você a acompanhar a análise detalhada de cada segmento nas seções a seguir para conferir os impactos em seus investimentos.

Olhar Global – Alívio nos rendimentos dos Treasuries impulsiona bolsas em Wall Street

No cenário internacional, os investidores americanos encontraram espaço para recuperação em meio ao recuo nas taxas dos títulos do Tesouro dos EUA (Treasuries). A trégua nos rendimentos longos permitiu um alívio nos custos de capital e abriu margem para a retomada do apetite por ativos de risco, especialmente no setor industrial e defensivo.

No plano macroeconômico, a agenda trouxe sinais mistos: enquanto as vendas no varejo americano vieram acima das projeções do mercado, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) acelerou de forma expressiva, mantendo no radar os desafios da política monetária do Federal Reserve para a reunião de dezembro. Na Europa, os principais índices também encerraram o dia com valorização, renovando máximas de duas semanas.

Principais índices:

O índice Dow Jones subiu 1,08% (52.177,81 pontos)

O S&P 500 avançou 0,33% (7.744,10 pontos)

O Nasdaq teve alta de 0,08% (26.713,03 pontos)

Ibovespa – Bolsa brasileira recua com incertezas eleitorais e sinais de desaceleração no varejo

Em uma sessão dominada pelo clima de espera e prudência, o principal índice da B3 fechou a quinta-feira em queda de 1,06%, aos 204.324,26 pontos (perda de 2.181,72 pontos no dia).

Desempenho acumulado do índice:

Dia (15/10): -1,06%
Semana: -2,28%
Outubro (Mês): +9,64%
2026 (Ano): +26,80%

A atenção dos agentes econômicos esteve concentrada no desdobramento das pesquisas de intenção de voto do segundo turno presidencial e nos debates legislativos em Brasília, como as propostas sobre a jornada de trabalho e a segurança pública. Além disso, os dados do comércio varejista de agosto vieram abaixo do esperado, reforçando o impacto do aperto monetário sobre a atividade econômica e levando economistas a projetarem risco de estagnação ou crescimento negativo para o PIB do terceiro trimestre.

No campo corporativo, as perdas foram lideradas pela Direcional (DIRR3), que despencou 9,26% após apresentar prévia operacional com recuo nas vendas e lançamentos. A Vale (VALE3) recuou 0,45%, pressionada pela cotação do minério de ferro nas mínimas em dois anos, e a Petrobras (PETR4) cedeu 1,29%. Entre os grandes bancos, o tom foi negativo (Banco do Brasil -1,78%, Itaú -1,29% e Bradesco -0,67%), com exceção do Santander (SANB11), que subiu 0,60%. O Magazine Luiza (MGLU3) recuou 4,24% apesar do anúncio de parceria estratégica com a Shopee, enquanto a B3 (B3SA3) cedeu 0,49%, embora venha registrando volumes recordes de negociação em seu mercado de opções.

Juros futuros sobem forte e abrem oportunidades de taxas atrativas em NTN-Bs

Os contratos de DIs futuros negociados na B3 encerraram a quinta-feira em firme alta por toda a extensão da curva, com avanço de até 20 pontos-base nos vencimentos de longo prazo.

Como se comportaram os principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,4447%
IMA-B: -0,3075%
IMA-B 5: -0,0637%
IRF-M: -0,3493%
IRF-M 1: -0,0173%

O que isso significa para a previdência (RPPS)?

O contrato de DI futuro reflete a taxa de juros praticada no mercado interfinanceiro para prazos futuros e funciona como a referência central para a precificação de títulos públicos (como NTN-Bs, LTNs e NTN-Fs), Letras Financeiras e fundos de investimentos.

O avanço das taxas dos DIs impulsionado pelo aumento dos prêmios de risco fiscal e pelas ofertas do leilão do Tesouro Nacional (que vendeu 7,3 milhões de LTNs e 700 mil NTN-Fs), provocou um ajuste temporário de queda nos preços dos papéis mantidos em carteira devido ao efeito da marcação a mercado. Esse movimento refletiu-se nos índices da ANBIMA, em especial no IMA-B 5+ (-0,44%) e no IRF-M (-0,34%). Para os gestores de RPPS, essas oscilações de curto prazo exigem serenidade, pois a elevação das taxas de juros no mercado secundário abre excelentes janelas de oportunidade para alocar recursos em títulos NTN-B com cupons de juros reais elevados, garantindo a sustentabilidade atuarial no longo prazo.

Dólar comercial avança 1,17% e atinge R$ 5,08 com busca por proteção cambial

O dólar comercial renovou sua trajetória de alta no mercado local, fechando valorizado em 1,17%, cotado a R$ 5,087 na venda (com mínima de R$ 5,037 e máxima de R$ 5,099).

A valorização do dólar no Brasil ocorreu de forma descolada do exterior, onde o índice DXY cedeu 0,50%, aos 102,04 pontos. O movimento interno refletiu a procura de investidores institucionais por instrumentos de proteção (hedge) cambial frente ao ambiente de indefinição política nas pesquisas eleitorais. Um dólar mais elevado tende a pressionar os custos de bens e insumos importados, exigindo atenção quanto aos seus potenciais repasses sobre os índices de inflação.

E agora?

A sexta-feira chega com uma agenda carregada de indicadores econômicos de peso. No cenário doméstico, o Banco Central divulga o IBC-Br do mês de agosto, considerado a prévia oficial do PIB brasileiro, além dos dados do relatório da CFTC sobre posições cambiais. No exterior, os agentes monitoram a produção industrial de setembro nos EUA e a leitura final da inflação ao consumidor na Europa, além das repercussões de novas pesquisas de intenção de voto do segundo turno. A orientação para os comitês e conselhos de RPPS é manter o foco na disciplina de alocação da Política Anual de Investimentos.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos

Confira os principais destaques previstos para esta Sexta-feira (16/10/2026):

🇧🇷 09:00 – Brasil: Prévia do PIB / IBC-Br de Agosto (Banco Central)
🇧🇷 16:30 – Brasil: Posições líquidas de especuladores em BRL (Relatório CFTC)

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