O mercado financeiro brasileiro começou a terça-feira (02) precisando apertar os cintos diante de ventos contrários vindos do hemisfério norte, mas conseguiu encontrar vento a favor para ligar os motores. Após engatar cinco quedas consecutivas, o Ibovespa decolou e fechou em forte alta de 1,16%, aos 174.197,10 pontos. O movimento trouxe um alívio adocicado para os portfólios locais, fazendo o índice iniciar o mês de junho com ganho acumulado de 0,24%.
O grande assunto do dia pousou nas mesas de operação na forma de uma proposta de “tarifaço” de 25% por parte do governo dos EUA sobre produtos brasileiros. Embora o anúncio tenha causado um frio na barriga inicial, o mercado acalmou-se rapidamente ao digerir as extensas 73 páginas de isenções técnicas, que preservaram setores vitais como a aviação civil e grande parte do agronegócio. Com isso, os investidores se concentraram no cenário corporativo e no exterior, onde as bolsas americanas subiram de forma contida, o dólar comercial recuou 0,27% (fechando a R$ 5,009) e a curva de juros futuros (DIs) planou em formato misto.
Convidamos você a acompanhar na íntegra o panorama completo de decolagens e prêmios de risco econômicos nas seções a seguir.
Olhar Global – Concentração em tecnologia sustenta Nova York e Europa digere inflação
O panorama internacional manteve o voo em altitude de cruzeiro, estabelecendo novos recordes discretos. Em Wall Street, as companhias ligadas aos semicondutores e à Inteligência Artificial continuaram servindo como o principal combustível dos índices, compensando o ritmo incerto das conversas diplomáticas de bastidores entre Washington e Teerã. O mercado acredita que a economia global já trabalha com um cenário de cessação sustentada de hostilidades no médio prazo, independentemente dos ruídos diários trazidos pela presidência americana.
Na Europa, as bolsas de valores também fecharam no azul, superando a divulgação de uma inflação ao consumidor ligeiramente mais salgada em maio, que subiu para 3,2% no acumulado anual. Com o petróleo internacional operando em alta estrutural, o investidor global prefere se abrigar em grandes marcas de tecnologia, embora algumas casas de análise alertem para o risco de uma concentração excessiva de capital em poucos ativos.
Dow Jones: +0,49% (51.328,16 pts)
S&P 500: +0,13% (7.609,99 pts)
Nasdaq: +0,03% (27.093,90 pts)
Ibovespa – Vale e siderurgia puxam o gatilho da recuperação
O principal índice da nossa Bolsa encerrou o dia aos 174.197,10 pontos. No acumulado do segundo trimestre do ano, a variação aponta uma retração de -7,08%.
Após maio registrar a maior debandada de capital estrangeiro desde 2022 (com saída líquida de R$ 14,9 bilhões), a terça-feira marcou um check-in técnico vigoroso. A Vale (VALE3) liderou o rali da sessão ao disparar 4,04%. O movimento foi acompanhado em bloco pelo setor de siderurgia, que reagiu com forte otimismo após o detalhamento das isenções nas taxas americanas de importação: a CSN (CSNA3) saltou 8,85% e a Usiminas (USIM5) decolou 8,57%.
Os grandes bancos do varejo também apoiaram o pregão, garantindo ganhos firmes liderados pelo Bradesco (BBDC4, +1,52%) e Itaú Unibanco (ITUB4, +0,51%). A única grande nota destoante do dia ficou com a Petrobras (PETR4), que caiu 0,49%, ignorando a alta do petróleo bruto e o anúncio de novos recordes de produção local extraída em abril, operando em compasso de espera por desdobramentos de suas políticas de refino.
Juros – Curva mista divide curtíssimo prazo e horizontes longos
O mercado de juros futuros (DIs) apresentou um comportamento de descolamento geográfico entre seus vértices. Enquanto os contratos de prazos mais curtos recuaram até 4,5 pontos-base, os vencimentos mais longos na ponta da curva subiram cerca de 1,0 ponto-base, configurando um fechamento misto.
O que isso significa para o RPPS?
A queda nas taxas futuras de curto prazo reflete o aumento expressivo das apostas de que o Copom realizará um último corte residual de 25 pontos-base na taxa Selic na reunião deste mês, visando suavizar a desaceleração econômica sem abrir mão do controle de preços. Para os gestores de regimes próprios, esse alívio traz uma marcação a mercado positiva nos títulos de menor duração.
Imagine a carteira do RPPS como uma aeronave: quando o vento dos juros futuros de curto prazo diminui, o preço de mercado dos títulos pós-fixados e de menor vencimento ganha valor no balanço.
Por outro lado, o prêmio exigido nos contratos longos (como os DIs de 2034 e 2035) subiu de forma tímida, digerindo as implicações de longo prazo do “tarifaço” americano sobre a balança comercial e o câmbio. Conforme o mercado espera, as condições financeiras continuarão exigindo uma postura rígida do Banco Central. Para as novas alocações do RPPS, o leilão robusto e com colocação integral de NTN-Bs e LFTs pelo Tesouro Nacional confirma que capturar essas taxas reais esticadas é a decisão técnica mais recomendada para blindar o poder de compra e superar a meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,3255%
IMA-B: -0,1999%
IMA-B 5: -0,0428%
IRF-M: -0,1199%
IRF-M 1: +0,0569%
Dólar – Moeda cede pelo segundo dia e encosta nos R$ 5,00
O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,009.
A divisa norte-americana manteve a trajetória descendente frente ao Real no mercado interno, operando descolada do índice global DXY, que registrou uma variação marginal positiva de 0,01% no exterior. O mercado acredita que a flexibilidade demonstrada na lista de isenções comerciais dos EUA reduziu drasticamente o risco de um choque cambial imediato, trazendo estabilidade para as operações corporativas e de importação atacadista.
E agora?
A quarta-feira amanhece com a pista cheia de indicadores de alta relevância técnica. No cenário nacional, as atenções se voltam para a divulgação dos dados de Produção Industrial de abril e para o PMI Composto, essenciais para checar a velocidade real da atividade brasileira. Nos Estados Unidos, o prato principal fica por conta do relatório ADP de emprego privado e da divulgação do Livro Bege do Fed, que servirá de bússola para mapear o vigor econômico sob a nova governança monetária. Se os indicadores confirmarem resiliência sem inflação, o voo do Ibovespa pode ganhar mais altitude.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (03/06)
Gatilhos econômicos para monitorar hoje:
🇧🇷 09h00 – IBGE: Produção Industrial Mensal (Abril).
🇺🇸 09h15 – ADP: Relatório de Geração de Empregos Privados (Maio).
🇧🇷 10h00 – S&P Global: PMI Composto e do Setor de Serviços (Maio).
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Fluxo Cambial Estrangeiro semanal.
🇺🇸 15h00 – Federal Reserve: Divulgação do Livro Bege (Sumário de condições econômicas).
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