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Bolsa retoma alta, mas semana fecha no negativo

A última sessão da semana trouxe um alívio pontual para a Bolsa brasileira, impulsionada pelo forte desempenho do setor petrolífero e pela reação positiva a dados de atividade econômica. O Ibovespa subiu 0,54%, encerbrando aos 205.430,33 pontos e garantindo um sólido ganho acumulado de +10,24% no mês de outubro (embora tenha fechado a semana com recuo de 1,74% devido aos ajustes anteriores). No mercado cambial, o dólar comercial caiu 0,28%, negociado a R$ 5,073. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam em queda, pressionadas pela forte correção no setor de tecnologia e inteligência artificial e pela disparada das cotações de energia. Já no mercado doméstico de juros futuros (DIs), o comportamento foi misto, com alívio nos vencimentos de curto prazo e leve alta na ponta longa.

A dinâmica dos mercados continua sendo ditada pela reta final das pesquisas de intenção de voto do segundo turno presidencial e pelas discussões sobre o equilíbrio fiscal. Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social (RPPS), acompanhar essas oscilações entre renda variável, câmbio e curva de juros é fundamental para manter a disciplina nos rebalanceamentos de carteira e assegurar o cumprimento das metas atuariais.

Convido você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada segmento nas seções a seguir.

Olhar Global – Correção em tecnologia e disparada do petróleo pesam sobre Wall Street

No cenário internacional, o encerramento da semana foi marcado por um forte movimento vendedor em Wall Street. A realização de lucros atingiu em cheio as empresas do setor de tecnologia vinculadas à inteligência artificial, enquanto a disparada das cotações do petróleo no mercado futuro elevou o sinal de alerta sobre as pressões inflacionárias globais. O barril de petróleo tipo Brent voltou a encostar no patamar de US$ 110, impulsionado por tensões de oferta e pela força do consumo.

Paralelamente, os dados mostraram que a produção industrial de setembro nos Estados Unidos superou as estimativas dos analistas, sinalizando que a economia norte-americana permanece aquecida. Esse ambiente reacendeu dúvidas no mercado quanto à velocidade dos próximos cortes de juros pelo Federal Reserve, influenciando o tom defensivo dos investidores globais.

Principais índices:

O índice Dow Jones caiu 0,34% (+0,67% na semana)

O S&P 500 recuou 1,09% (-1,95% na semana)

O Nasdaq teve queda de 2,15% (-4,48% na semana)

Ibovespa – Bolsa brasileira engata recuperação no dia e renova otimismo para o longo prazo

Após emendar três sessões seguidas de baixas, o Ibovespa encontrou fôlego e fechou a sexta-feira em alta de 0,54%, aos 205.430,33 pontos (ganho de 1.106,07 pontos no pregão).

Desempenho acumulado do índice:

Dia (16/10): +0,54%
Semana: -1,74%
Outubro (Mês): +10,24%
2026 (Ano): +27,50%

A atração de compradores na B3 foi sustentada pela expressiva alta da Petrobras (PETR4), que disparou 4,04% acompanhando o rali das cotações internacionais da commodity, e pela PRIO (PRIO3), com ganho de 2,56%. O setor frigorífico também contribuiu positivamente (Minerva +1,46% e MBRF +2,59%), acompanhado pela recuperação das ações de varejo (Magazine Luiza saltou 6,93% e Casas Bahia avançou 2,70%). Em contrapartida, os grandes bancos recuaram em bloco (Bradesco -1,78%, BB -0,55%, Itaú -0,54% e Santander -0,28%) e a Vale (VALE3) cedeu 0,32%, contendo uma alta mais expressiva do índice.

No plano macroeconômico local, o IBC-Br (prévia do PIB divulgada pelo Banco Central) registrou crescimento de 0,3% em agosto, impulsionado pelo consumo das famílias e bens essenciais, conforme o mercado esperava. No ambiente analítico, instituições financeiras como o Banco Inter revisaram para cima suas projeções para o Ibovespa, estipulando meta de 240 mil pontos até 2027, fundamentando a leitura de que os ativos brasileiros continuam descontados e oferecem bom potencial de valorização de longo prazo.

Juros – Curva de juros futura opera com viés misto e alivia vértices de curto prazo

Os contratos de juros futuros registraram leve alívio nos vencimentos curtos (recuo de até 2,4 pontos-base), enquanto a ponta longa teve modesto avanço de até 2,0 pontos-base diante do cenário fiscal e político.

Como se comportaram os principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,2628%
IMA-B: -0,1978%
IMA-B 5: -0,0848%
IRF-M: -0,1200%
IRF-M 1: +0,0558%

O que isso significa para a previdência (RPPS)?

O contrato de DI futuro expressa a taxa de juros negociada no mercado para diferentes prazos e funciona como a principal referência para a precificação de títulos públicos federais (como NTN-Bs e LTNs), Letras Financeiras e fundos de investimento.

O alívio na ponta curta da curva decorreu do resultado do IBC-Br, que apontou uma expansão moderada da atividade econômica sem acelerar pressões inflacionárias imediatas, o que favoreceu o desempenho de títulos e índices de menor maturidade, como o IRF-M 1 (+0,05%). Por outro lado, a cautela em relação às propostas fiscais e ao quadro eleitoral manteve a inclinação nos prazos mais longos. Para os comitês de RPPS, momentos de manutenção de juros reais elevados no mercado secundário permanecem sendo excelentes oportunidades para travar taxas de retorno expressivas em notas do Tesouro e fortalecer a estrutura do plano de benefícios.

Dólar recua para R$ 5,07 após três sessões seguidas de valorização

O dólar comercial interrompeu sua sequência de altas e encerrou a sessão de sexta-feira em queda de 0,28%, negociado a R$ 5,073 na venda (com mínima de R$ 5,068 e máxima de R$ 5,096). No acumulado semanal, contudo, a moeda americana registrou avanço de 1,75%.
O movimento de recuo no mercado doméstico esteve alinhado ao comportamento internacional, onde o índice DXY (que compara o dólar contra uma cesta de moedas fortes) cedeu 0,25%, aos 101,81 pontos. A realização de lucros no mercado cambial aliviou a cotação no curto prazo, trazendo fôlego para os ativos de risco locais. A manutenção da moeda em patamares comportados é avaliada como positiva para conter repasses de preços e estabilizar as expectativas inflacionárias.

E agora?

Iniciamos a última semana que antecede o segundo turno das eleições presidenciais no Brasil. As expectativas dos agentes de mercado estarão concentradas nas movimentações finais de campanha, nos debates decisivos transmitidos em rede nacional e nas últimas pesquisas de intenção de voto. Na agenda econômica, o mercado financeiro acompanha a divulgação da prévia de inflação do IGP-10 e do Boletim Focus emitido pelo Banco Central. Para os gestores e conselheiros de RPPS, a recomendação permanece na manutenção da postura pragmática, pautada pela observância da Política Anual de Investimentos.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos

Confira os principais destaques previstos para esta Segunda-feira (19/10/2026):

🇧🇷 08:00 – Brasil: IGP-10 – Índice Geral de Preços de Outubro (FGV)
🇧🇷 08:25 – Brasil: Relatório Focus com expectativas de mercado (Banco Central)

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