MORNING NEWS

Incerteza baliza os negócios locais em dia de forte alta do dólar e Wall Street em recuperação

A quinta-feira (18) trouxe para as mesas de operações um cenário de acomodação técnica e reavaliação de riscos após a rodada dupla de decisões monetárias. Em uma sessão marcada por oscilações contidas, o Ibovespa fechou com leve baixa de 0,10%, aos 168.277,55 pontos, andando praticamente de lado ao longo do dia. O movimento demonstrou a postura cautelosa dos investidores locais em relação aos próximos passos da política monetária no Brasil. Com esse resultado corriqueiro, o principal índice acionário da B3 registra um recuo acumulado de 0,40% no mês de junho, mantendo uma valorização de +5,72% no ano de 2026.

No exterior, o tom foi de recuperação, com as bolsas de Nova York retomando o fôlego comprador e registrando altas robustas após digerirem o posicionamento agressivo do Federal Reserve. Esse movimento global de reconfiguração de carteiras, contudo, acabou pressionando os mercados emergentes. Por aqui, o dólar comercial engatou sua quarta alta consecutiva, subindo expressivos 1,30% para fechar cotado a R$ 5,174, acompanhando o índice global da moeda norte-americana. Esse estresse cambial, somado à leitura que os agentes econômicos fizeram do último comunicado do Copom, impulsionou as taxas dos juros futuros (DIs), que fecharam em alta expressiva nos vencimentos médios e longos.

Com as decisões dos bancos centrais agora na mesa, abre-se um novo horizonte para as alocações. Convidamos você a acompanhar o panorama completo e os impactos estratégicos nas seções a seguir.

Olhar Global – Wall Street retoma as compras com acordo assinado e avanço de tecnologia

O ambiente internacional superou o nervosismo da véspera e operou sob a ótica da oportunidade. Os investidores em Nova York voltaram às compras, impulsionados pelo setor de tecnologia e pelo fechamento oficial do acordo entre os Estados Unidos e o Irã. Embora subsistam tensões diplomáticas e questionamentos políticos em Washington, a assinatura do tratado permitiu o reinício do fluxo regular de navios pelo

Estreito de Ormuz, mantendo os preços do petróleo negociados abaixo do patamar de US$ 80 por barril.
Essa estabilização das commodities energéticas ajudou a suavizar o impacto do gráfico de pontos mais duro (hawkish) apresentado pelo Federal Reserve na véspera. O mercado acredita que, embora o Fed tenha sinalizado a manutenção de juros restritivos por um período mais prolongado devido à inflação resiliente, a economia americana segue demonstrando solidez e estabilização no mercado de trabalho, o que amparou a devolução das perdas anteriores nas bolsas americanas. Na Europa, a postura cautelosa prevaleceu e os índices fecharam em tom misto, enquanto o ouro registrou forte queda.

Dow Jones: +0,14% (51.565,75 pts)
S&P 500: +1,09% (7.500,67 pts)
Nasdaq: +1,91% (26.517,93 pts)

Ibovespa – Setores de peso sustentam estabilidade, mas bancos e varejo pressionam o índice

O principal índice de ações do mercado brasileiro encerrou a sessão aos 168.277,55 pontos, acumulando uma variação de -9,15% no segundo trimestre.

O pregão doméstico desenhou-se de forma lateralizada, funcionando como uma espécie de cabo de guerra entre as grandes empresas exportadoras e os setores mais sensíveis aos juros locais. Do lado positivo, a Vale (VALE3) recuperou o fôlego e fechou com alta de 0,24%, enquanto a Petrobras (PETR4) reverteu as perdas iniciais e avançou 0,65%, dando sustentação ao índice mesmo sem o vento a favor do petróleo internacional.

Por outro lado, o setor financeiro atuou como um forte limitador de ganhos, com recuos coordenados no Bradesco (BBDC4, -0,74%), Itaú Unibanco (ITUB4, -0,66%) e Santander (SANB11, -0,81%), sendo o Banco do Brasil (BBAS3, +0,62%) a única exceção positiva. O setor de consumo e varejo também sofreu com o avanço das taxas futuras de juros, levando a Magazine Luiza (MGLU3) a cair 4,85% e as Lojas Renner (LREN3) a recuar 2,98%. A maior queda do pregão ficou com a Braskem (BRKM5, -9,92%), penalizada pela resistência de credores ao plano de reestruturação da companhia.

Juros – Inclinação da curva e cautela do Copom abrem janela estratégica para a Renda Fixa

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 operou sob forte dinamismo e inclinação técnica na sessão de ontem. Enquanto as taxas dos contratos de curtíssimo prazo recuaram até 8,5 pontos-base, os vencimentos de médio e longo prazo registraram uma disparada expressiva, avançando mais de 16 pontos-base. Esse movimento ganhou força após os agentes econômicos avaliarem o comunicado do Copom — que reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,25% ao ano — como mais suave (dovish) do que o necessário para ancorar as expectativas de inflação, que o Focus aponta em 5,30% para 2026. A sessão também foi marcada por um leilão integral de títulos prefixados pelo Tesouro Nacional.

O que isso significa para o RPPS?

Para os gestores de regimes próprios, essa abertura concentrada na cauda longa da curva de juros redesenha as oportunidades táticas de alocação.

O DI futuro é a taxa que serve de referência para o rendimento de todo o ecossistema de renda fixa. Quando os juros futuros de longo prazo sobem, o preço de mercado dos títulos públicos indexados à inflação (IMA-B) de prazos maiores sofre uma desvalorização contábil temporária. Em contrapartida, os títulos de curtíssimo prazo mantêm desempenho linear e positivo.

O mercado espera que a postura de “cenário aberto” adotada pelos bancos centrais traga volatilidade adicional no curto prazo. No entanto, para o patrimônio dos RPPS, o atual patamar de abertura das taxas longas cria uma das melhores janelas de oportunidade dos últimos anos. Com o índice IRF-M 1 (+0,0622%) garantindo rentabilidade nominal sólida e proteção na cauda curta, os comitês de investimentos podem aproveitar a elevação dos prêmios nos vértices longos para travar taxas de juros reais historicamente elevadas em títulos públicos federais (NTN-Bs), garantindo o atingimento das metas atuariais com excelente margem de segurança e liquidez.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,1774%
IMA-B: -0,1214%
IMA-B 5: -0,0520%
IRF-M: -0,4121%
IRF-M 1: +0,0622%

Dólar – Moeda americana avança 1,30% com reposicionamento global

O dólar comercial encerrou o dia em forte alta de 1,30%, negociado a R$ 5,174 para venda.
A divisa registrou sua quarta sessão consecutiva de valorização no mercado local, oscilando entre a mínima de R$ 5,128 e a máxima de R$ 5,190. O movimento doméstico seguiu em total sintonia com o cenário externo, onde o índice DXY — que mede a força do dólar contra uma cesta de moedas globais — avançou 0,71%, aos 100,80 pontos. O mercado acredita que a incerteza quanto aos rumos das taxas de juros americanas e o tom do Banco Central brasileiro induziram investidores institucionais a buscarem proteção cambial na reta final da semana.

E agora?

A sexta-feira inicia os negócios sob um ritmo nitidamente mais cadenciado e defensivo, típico de encerramento de semana após grandes eventos monetários. Nos Estados Unidos, os mercados operam em regime diferenciado devido ao feriado nacional de Juneteenth, o que deve esvaziar a liquidez e o volume de negócios global nas próximas horas. No plano europeu, as atenções se voltam para os pronunciamentos de dirigentes do Banco Central Europeu (BCE). Sem indicadores de alta relevância na agenda doméstica, o pregão deve se concentrar nos ajustes técnicos finais das carteiras de investimentos após a consolidação da Selic a 14,25%.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (19/06)

Principais eventos institucionais para monitorar hoje:

🇺🇸 Dia todo – Estados Unidos: Feriado Nacional de Juneteenth (Bolsas fechadas ou com liquidez reduzida).
🇪🇺 11h30 – Zona do Euro: Pronunciamento oficial de Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE).

Aproveite o fechamento das curvas longas para estruturar o carrego de longo prazo do seu RPPS. Acompanhe a análise detalhada dos impactos do Copom no nosso Morning News.

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