Se você sentiu um calor atípico ontem, não foi apenas o clima; foi o “bafo” do dragão da inflação que voltou a incomodar os investidores. O Ibovespa recuou 0,86% nesta terça-feira, fechando aos 180.342,33 pontos, sentindo o peso dos dados de preços no Brasil e nos EUA. O índice agora flerta perigosamente com a perda do patamar dos 180 mil pontos, acumulando uma queda de 3,72% apenas em maio.
O dia foi marcado por uma “reprise” indigesta: a inflação (IPCA no Brasil e CPI nos EUA) mostrou que, embora tenha desacelerado no mês, o acumulado anual segue subindo e espalhando brasas por diversos setores. Em Nova York, os índices terminaram mistos, com a tecnologia sofrendo mais. Por aqui, o dólar comercial teve uma alta leve (0,09%), cotado a R$ 4,896, e os juros futuros (DIs) subiram em toda a curva, refletindo o medo de que o Banco Central precise endurecer o discurso. Com o petróleo voltando aos US$ 110, o cenário exige fôlego extra para atravessar a semana.
Abaixo, detalhamos como esse “incêndio” nos preços afeta desde a Petrobras até o futuro das aposentadorias. Acompanhe a análise completa.
Olhar Global – Trump foca no nuclear e ignora o bolso
O panorama internacional foi dominado pela divulgação do CPI americano (inflação ao consumidor), que atingiu o maior patamar anual em quase três anos. O mercado acredita que os cortes de juros nos EUA ficaram para um futuro bem distante. Enquanto isso, o presidente Donald Trump afirmou não ter pressa para um acordo com o Irã, priorizando impedir o avanço nuclear persa, mesmo que isso custe mais caro ao consumidor americano.
Na Europa, o clima azedou com a inflação alemã e a crise política no Reino Unido. Com o Estreito de Ormuz ainda bloqueado e o petróleo em alta, o mundo vê a inflação deixar de ser apenas um “choque de energia” para se tornar algo mais persistente e disseminado.
* Dow Jones: +0,11% (49.760,56 pts)
* S&P 500: -0,16% (7.401,03 pts)
* Nasdaq: -0,71% (26.088,20 pts)
Ibovespa – Petrobras frustra e bancos recuam
O principal índice da nossa bolsa fechou aos 180.342,33 pontos. No acumulado de 2026, a valorização é de +11,93%.
A Petrobras (PETR4) foi um dos nomes que puxou o índice para baixo, caindo 1,62%. Mesmo com o petróleo subindo, o balanço veio abaixo do esperado e os dividendos anunciados foram menores do que o mercado desejava. É como esperar um banquete e receber apenas o aperitivo. Os bancos também não ajudaram, com quedas no Itaú (-1,14%) e Banco do Brasil (-1,09%), refletindo o mau humor do setor financeiro com o cenário de juros.
Mas nem tudo foi fumaça. A Hapvida (HAPV3) deu um show à parte e disparou 9,27% após um balanço sólido, provando que boas gestões brilham mesmo no caos. A Braskem (BRKM5) também decolou (+29,02%) com revisões positivas. Já a Vale (VALE3) começou bem, mas perdeu força e fechou com leve baixa de 0,24%.
Juros – O dragão faminto e a marcação a mercado
Os juros futuros (DIs) fecharam em alta por toda a curva nesta terça-feira, com os contratos mais longos subindo até 6,5 pontos-base. O combustível para essa alta foi o IPCA brasileiro (4,39% no acumulado), que mostrou serviços ainda muito caros e persistentes.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de regimes próprios, o despertar da inflação traz a marcação a mercado negativa.
Imagine que os títulos públicos na sua carteira (como as NTN-Bs) são ativos que rendem “Inflação + Juros”. Se o mercado passa a exigir um juro maior para o futuro porque a inflação não cai, o preço desses títulos “hoje” diminui.
Isso exige que o gestor de RPPS tenha estômago para a volatilidade, pois, conforme o mercado acredita, o Banco Central terá um trabalho árduo para domar esse dragão sem prejudicar o crescimento. No longo prazo, porém, essas taxas maiores ajudam a garantir o cumprimento da meta atuarial em novas compras.
Desempenho dos Índices de Renda Fixa:
* IMA-B 5+: -0,1612%
* IMA-B: -0,0871%
* IMA-B 5: +0,0080%
* IRF-M: -0,0527%
* IRF-M 1: +0,0474%
Dólar – Moeda estável no olho do furacão
O dólar comercial fechou com uma alta discreta de 0,09%, cotado a R$ 4,896.
A moeda americana ensaiou uma queda durante o dia, mas o fortalecimento global do dólar (índice DXY subiu 0,33%) impediu que o Real ganhasse mais terreno. O mercado vê a divisa estacionada abaixo de R$ 4,90 como um sinal de que o investidor estrangeiro ainda vê valor no Brasil, apesar do cenário externo conturbado. No entanto, qualquer faísca adicional no Oriente Médio pode empurrar a moeda novamente para cima.
E agora?
O dragão da inflação está alimentado e parece que vai demorar para “encher a pança”. Hoje teremos dados do varejo no Brasil e o IPP (inflação ao produtor) nos EUA. Se esses números vierem salgados, a pressão sobre os juros continuará. O segredo agora é não correr sem rumo: no mercado, como nos filmes de Hitchcock, a pressa é inimiga da perfeição.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (13/05)
Fique de olho nestes indicadores hoje:
* 🇧🇷 09:00 – Vendas no Varejo (Março): Para medir o fôlego do consumo brasileiro.
* 🇺🇸 09:30 – IPP (Abril): A inflação que “morde” as indústrias americanas.
* 🇧🇷 14:30 – Fluxo Cambial Estrangeiro: Veremos se o investidor estrangeiro continua por aqui.
* 🇪🇺 16:15 – Discurso de Christine Lagarde (BCE): Pistas sobre os juros na Europa.
Acompanhe as tendências e proteja o futuro. Veja a análise técnica detalhada do IPP no nosso Morning News.
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