O mês de maio começou com um “déjà-vu” indesejado para os investidores. O cenário que marcou boa parte de abril — incerteza no Oriente Médio e pressão nos preços de energia — continuou ditando o ritmo dos negócios nesta segunda-feira (04). O Ibovespa recuou 0,92%, fechando aos 185.600,12 pontos, estendendo a trajetória de cautela vista nas últimas semanas. No acumulado de maio, o índice inicia com queda de 0,92%, enquanto o saldo de 2026 sustenta uma alta de 15,19%.
O dia foi marcado pelo retorno do petróleo à faixa dos US$ 110, o que impulsionou a Petrobras, mas pesou sobre o restante do mercado global. Em Nova York, as bolsas fecharam no vermelho, e por aqui o dólar comercial subiu 0,32%, cotado a R$ 4,968. Já os juros futuros (DIs) avançaram em toda a curva, refletindo o estresse externo e as preocupações com a inflação. No campo político, o governo federal anunciou um novo “Desenrola” para tentar aliviar o endividamento das famílias, enquanto o mercado aguarda com expectativa a Ata do Copom, que será divulgada hoje.
Convidamos você a acompanhar os detalhes dessa abertura de mês e entender como as engrenagens globais e domésticas estão movendo o seu patrimônio.
Olhar Global – Impasse em Ormuz e o fôlego da tecnologia
O panorama internacional segue travado no Estreito de Ormuz. O mercado acredita que uma resolução rápida para a guerra entre EUA/Israel e o Irã é improvável, especialmente após o presidente Donald Trump demonstrar insatisfação com as últimas propostas de paz. Esse cenário mantém o petróleo sob pressão, elevando os custos de transporte e energia em todo o mundo.
Apesar do clima pesado na geopolítica, o setor de tecnologia continua sendo o “porto seguro” dos investidores, impulsionado pelos lucros sólidos das big techs e pela dominância do tema Inteligência Artificial. Na Ásia, a China demonstra resiliência, posicionando-se de forma estratégica para enfrentar os desafios globais de curto prazo.
* Dow Jones: -1,13% (48.937,99 pts)
* S&P 500: -0,41% (7.200,81 pts)
* Nasdaq: -0,19% (25.067,80 pts)
Ibovespa – O peso da Vale e o salto da CVC
O principal índice da nossa bolsa encerrou o primeiro pregão de maio aos 185.600,12 pontos.
A Vale (VALE3) foi um dos grandes destaques negativos, recuando 3,10%, acompanhando o mau humor com o setor de mineração. O setor bancário também teve um dia difícil, com quedas generalizadas no Banco do Brasil (-1,35%) e Bradesco (-2,12%). Por outro lado, a Petrobras (PETR4) subiu 0,53%, servindo como um escudo natural contra a alta do petróleo e animando os investidores com a expectativa de fortes dividendos. O grande destaque individual foi a CVC (CVCB3), que disparou 23,32% em meio a rumores de aquisição.
Juros – Pressão inflacionária e o foco na Ata do Copom
Os juros futuros (DIs) encerraram o dia com altas consistentes por toda a curva. O movimento foi impulsionado pelo avanço das taxas nos EUA (yields) e pelo encarecimento do petróleo, que gera medo de inflação persistente no Brasil.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de regimes próprios, a subida das taxas de juros gera a marcação a mercado negativa. Quando o juro futuro sobe, o preço “de hoje” dos títulos públicos prefixados e atrelados ao IPCA (NTN-Bs) cai. Esse ajuste dificulta o alcance imediato da meta atuarial, exigindo que o investidor mantenha o foco no longo prazo. Hoje (05), o mercado se volta para a Ata do Copom, que detalhará a visão do Banco Central sobre os riscos da guerra e o espaço para novos cortes na Selic.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
* IMA-B 5+: -0,4004%
* IMA-B: -0,2254%
* IMA-B 5: -0,0005%
* IRF-M: -0,3516%
* IRF-M 1: +0,0280%
Dólar – Moeda americana volta a ganhar força
O dólar comercial fechou em alta de 0,32%, cotado a R$ 4,968.
O movimento seguiu a tendência global de fortalecimento do dólar frente às moedas de países emergentes, com o índice DXY subindo 0,27%. A incerteza geopolítica faz com que os investidores busquem a segurança da divisa americana. No Brasil, o dólar operando próximo aos R$ 5,00 serve como um lembrete da volatilidade que o setor externo ainda impõe à nossa economia.
E agora?
A terça-feira começa com o mercado debruçado sobre a Ata do Copom às 8h. O documento é essencial para entender se o Banco Central manterá o ritmo de cortes de 0,25 pp ou se a pressão do petróleo a US$ 110 exigirá uma pausa. Além disso, a expectativa para o encontro entre Lula e Trump em Washington na quinta-feira já começa a circular nas mesas de operação. É hora de cautela e monitoramento constante.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (05/05)
Principais eventos para monitorar hoje:
* 🇧🇷 08:00 – Ata do Copom: Detalhamento da última decisão sobre a Selic.
* 🇧🇷 06:00 – IPC-Fipe (Abril): Inflação na cidade de São Paulo.
* 🇪🇺 09:30 – Discurso de Christine Lagarde (BCE): Visão da zona do euro sobre juros.
* 🇺🇸 11:00 – Ofertas de Emprego JOLTS: Saúde do mercado de trabalho americano.
Mantenha sua estratégia ancorada em fundamentos técnicos e clareza. Acompanhe os desdobramentos da Ata do Copom no nosso Morning News.
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