O mercado financeiro viveu uma terça-feira (05) de alívio e correção de rumos. Após um início de maio turbulento, o otimismo voltou a dar as caras, impulsionado principalmente pela queda nos preços do petróleo e por resultados corporativos que surpreenderam positivamente. O Ibovespa subiu 0,62%, fechando aos 186.753,82 pontos, enquanto o dólar comercial despencou 1,12%, atingindo a marca de R$ 4,912 — o menor patamar desde o início de 2024.
Nas seções abaixo, vamos explorar como o recuo das tensões globais e o desempenho “extra forte” da Ambev ajudaram a compensar as preocupações trazidas pela Ata do Copom, que sinalizou uma vigilância maior sobre a inflação até 2028. No cenário internacional, as bolsas americanas fecharam com ganhos, acompanhando a calmaria no mercado de energia, e os juros futuros brasileiros (DIs) recuaram por toda a curva, trazendo um respiro importante para as carteiras de renda fixa.
Acompanhe a seguir os detalhes que moldaram este dia de recuperação e o que esperar para o restante da semana.
Olhar Global – Alívio no óleo e diplomacia no radar
O panorama internacional foi marcado por um tom mais conciliador. A declaração de que as ações militares dos EUA no Oriente Médio possuem caráter “defensivo e temporário” serviu como um bálsamo para os investidores, que temiam uma escalada sem volta no conflito com o Irã. Esse clima ajudou o petróleo a recuar, o que retira um peso enorme das expectativas de inflação mundial.
Em Wall Street, o sentimento é de que os fundamentos das empresas estão falando mais alto que os canhões. Com lucros robustos tanto em tecnologia quanto em setores tradicionais, o mercado americano voltou a testar níveis recordes. A sensação é de que, embora a situação no Estreito de Ormuz ainda seja um nó logístico, o pior da crise energética pode ter ficado para trás.
* Dow Jones: +0,72% (49.295,93 pts)
* S&P 500: +0,81% (7.259,22 pts)
* Nasdaq: +1,03% (25.326,13 pts)
Ibovespa – Ambev “encorpada” e o resgate dos bancos
O principal índice da nossa bolsa encerrou o dia aos 186.753,82 pontos. No acumulado de maio, a variação é de -0,30%, enquanto o ano de 2026 sustenta uma alta de +15,91%.
A grande estrela do dia foi a Ambev (ABEV3), que disparou 15,30% após divulgar um balanço do primeiro trimestre que deixou o mercado “com sede” de compras. Os bancos também jogaram no time da alta, ajudando a equilibrar a balança diante da queda da Petrobras (PETR4), que recuou 1,38% acompanhando a baixa do petróleo. Já a Vale (VALE3) teve um dia instável, fechando com leve baixa de 0,34%. O Ibovespa hoje funcionou como um veleiro ajustando suas velas: aproveitou a força das empresas domésticas para navegar contra a correnteza das commodities.
Juros – Ata do Copom e a marcação a mercado positiva
Os juros futuros (DIs) fecharam em queda firme nesta terça-feira, com recuos de até 12,5 pontos-base. O movimento foi uma reação à queda global do petróleo e ao bom humor externo, que acabou se sobrepondo ao tom conservador da Ata do Copom. No documento, o Banco Central alertou que a inflação pode ser mais persistente do que o desejado nos próximos anos, exigindo cautela na velocidade dos cortes da Selic.
O que isso significa para o RPPS?
Para os RPPS, a queda das taxas de juros futuras é sinônimo de marcação a mercado positiva.
Quando as taxas de mercado caem, o preço “de hoje” dos títulos que o seu fundo já possui em carteira (como NTN-Bs e prefixados) sobe.
Isso gera uma valorização imediata do patrimônio líquido, ajudando no cumprimento da meta atuarial. Conforme o mercado acredita, a melhora no cenário fiscal e a queda do dólar abrem espaço para que essa compressão de taxas continue, beneficiando quem está posicionado em renda fixa de longo prazo.
Dólar – Real atinge maior valor em dois anos
O dólar comercial fechou em forte queda de 1,12%, cotado a R$ 4,912.
O Real brilhou intensamente nesta sessão, indo na contramão da força global da moeda americana (índice DXY subiu 0,11%). A entrada de fluxo estrangeiro e a percepção de que o Brasil segue com juros reais muito atrativos para o investidor externo foram os motores desse movimento. Um dólar na casa dos R$ 4,90 é um aliado poderoso para o controle da inflação, reduzindo o custo de produtos importados e estabilizando o poder de compra.
E agora?
O mercado inicia esta quarta-feira atento aos dados de emprego nos EUA (ADP) e aos indicadores de atividade (PMI) no Brasil e na Europa. A grande questão é se o clima de trégua no Oriente Médio vai se consolidar, permitindo que a inflação global continue cedendo. Por aqui, a expectativa em torno da viagem de Lula a Washington amanhã já começa a movimentar as análises sobre as relações comerciais entre as duas potências.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (06/05)
Eventos para monitorar hoje:
* 🇪🇺 05:00 – PMI Composto S&P Global (Abril): Saúde econômica da Zona do Euro.
* 🇺🇸 09:15 – Variação de Empregos Privados ADP (Abril): Antecipa os dados oficiais de emprego nos EUA.
* 🇧🇷 10:00 – PMI Composto S&P Global (Abril): Nível de atividade da economia brasileira.
* 🇺🇸 11:30 – Estoques de Petróleo Bruto: Pode ditar o rumo da Petrobras à tarde.
Acompanhe as tendências e proteja o futuro. Veja a análise detalhada dos impactos do dólar na sua carteira no nosso Morning News.
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