A quinta-feira (28) trouxe um cardápio econômico recheado e complexo, daqueles que exigem tempo para digerir. Em uma sessão marcada por oscilações constantes, o Ibovespa registrou sua terceira queda seguida, recuando 0,39% e fechando aos 175.063,41 pontos. O movimento consolidou um período desafiador para a renda variável: maio, que se encerra hoje para os negócios, já acumula uma queda de 6,54%, configurando a maior perda mensal da Bolsa desde fevereiro de 2023.
O descompasso doméstico ocorreu a despeito do clima positivo no exterior, onde Wall Street renovou recordes históricos embalada por dados de inflação mais comportados e rumores de que um acordo de paz entre EUA e Irã está na mesa, dependendo apenas do aval final de Donald Trump. Por aqui, a enxurrada de indicadores locais e o recuo da Petrobras ditaram o ritmo defensivo. Por outro lado, o dólar comercial recuou 0,57%, cotado a R$ 5,032, enquanto as taxas dos juros futuros (DIs) fecharam em alta por toda a curva, refletindo o ajuste técnico dos investidores institucionais.
Para compreender como esse emaranhado de dados macroeconômicos e o front internacional impactam diretamente o patrimônio previdenciário, convidamos você a acompanhar a análise completa a seguir.
Olhar Global – PCE traz alívio inflacionário e Nova York renova recordes
O panorama internacional viveu um dia de otimismo com a divulgação do índice PCE de abril — o indicador de inflação mais observado pelo Federal Reserve (Fed) para calibrar os juros. O dado veio ligeiramente abaixo das projeções, o que fez o mercado acreditar que o núcleo da inflação americana iniciou uma trajetória gradual de desinflação. A calmaria nos preços permitiu que dirigentes do Fed adotassem um tom mais confortável sobre a atual restrição monetária.
No front geopolítico, o apetite por risco foi turbinado por notícias de que Washington e Teerã alinharam as bases para um acordo definitivo. O Irã sinalizou que reabrirá totalmente o Estreito de Ormuz em até 30 dias após a assinatura do documento, o que derrubou os preços do petróleo Brent no mercado internacional. Em Nova York, o S&P 500 e o Nasdaq cravaram novos recordes, enquanto as bolsas europeias, que fecharam mais cedo, não conseguiram surfar a onda e terminaram majoritariamente em baixa.
Dow Jones: +0,05% (50.669,77 pts)
S&P 500: +0,58% (7.563,78 pts)
Nasdaq: +0,91% (26.917,47 pts)
Ibovespa – Petrobras e bancões recuam; Vale garante sustentação
O principal índice da nossa Bolsa encerrou o dia aos 175.063,41 pontos. No ano de 2026, o acumulado preserva um ganho de +8,65%.
A Petrobras (PETR4) foi o grande vetor de baixa do pregão, recuando 0,72%. A estatal anunciou um reajuste técnico na gasolina para operacionalizar o mecanismo de subsídios decretado pelo governo federal, mas o recuo do petróleo Brent lá fora pesou mais nas planilhas dos analistas. O setor financeiro também jogou contra o índice, registrando perdas expressivas lideradas pelo Banco do Brasil (BBAS3, -2,18%) e acompanhado pelo Itaú Unibanco (ITUB4, -0,79%).
A grande âncora de proteção foi a Vale (VALE3), que subiu 0,61% e caminha para fechar um mês de maio bastante vitorioso, acumulando mais de 3% de alta. No varejo, o cenário foi de polarização: enquanto a Lojas Renner (LREN3) avançou 0,87%, a Magazine Luiza (MGLU3) cedeu 3,79%, evidenciando que o setor de consumo doméstico ainda patina sob o peso das condições de crédito.
Juros – DIs sobem de ponta a ponta na curva e renovam prêmios
Diferentemente do comportamento observado durante o pregão regular — onde o recuo do Caged estimulou apostas de corte de juros —, as taxas dos juros futuros (DIs) encerraram a sessão de ajuste em alta por toda a curva, com os contratos intermediários e longos subindo até 5,5 pontos-base.
O movimento refletiu o reposicionamento dos investidores institucionais que, apesar do alívio no dólar, embutiram maior prêmio de risco diante dos preços ao produtor (IPP) de abril, que registraram a maior alta em quatro anos devido aos reflexos anteriores do petróleo.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de regimes próprios, a elevação das taxas futuras impõe uma marcação a mercado negativa imediata nas carteiras de renda fixa.
Quando as taxas exigidas pelo mercado sobem, o preço de mercado “de hoje” dos títulos públicos prefixados (IRF-M) e indexados à inflação (IMA-B) sofre uma desvalorização contábil no extrato.
No entanto, para o investidor institucional de longo prazo, esse cenário é altamente favorável. Conforme o mercado espera, a precificação das opções na B3 já aponta mais de 80% de chance de um corte de 25 pontos-base na Selic na reunião de junho do Copom. O Tesouro Nacional registrou forte demanda em seu leilão de LTNs e NTN-Fs, confirmando que o momento atual oferece taxas reais excelentes para carregar os títulos até o vencimento, blindando o passivo atuarial e garantindo o atingimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,1419%
IMA-B: +0,0850%
IMA-B 5: +0,0134%
IRF-M: +0,0831%
IRF-M 1: +0,0511%
Dólar – Moeda cede globalmente e Real recupera fôlego
O dólar comercial fechou em queda de 0,57%, cotado a R$ 5,032.
A moeda americana interrompeu a sequência de altas frente ao Real, acompanhando o recuo global do índice DXY, que cedeu para os 99,00 pontos após os dados mais fracos de inflação e atividade nos EUA. No front doméstico, o Governo Central reportou um superávit primário de R$ 25,198 bilhões em abril, superando as expectativas do mercado. Esse colchão fiscal, somado ao fluxo comercial, ajudou a fortalecer a moeda nacional, embora o patamar acima dos R$ 5,00 ainda exija monitoramento constante.
E agora?
O mês de maio chega ao seu último capítulo e promete uma sexta-feira de fortes emoções e volatilidade elevada. O grande “prato principal” do dia será a divulgação do PIB do primeiro trimestre de 2026 no Brasil, indicador crucial para calibrar as projeções de crescimento do ano. Além disso, teremos os dados oficiais da taxa de desemprego e a atualização do emprego formal pelo Caged. Com os mercados internacionais de olho na consolidação do acordo em Ormuz, o investidor deve manter os olhos colados nas telas.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (29/05)
Gatilhos econômicos fundamentais para monitorar hoje:
🇧🇷 08h00 – FGV: IGP-M referente ao mês de maio.
🇧🇷 09h00 – IBGE: PIB do Brasil do 1º Trimestre (Q1) e Taxa de Desemprego.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: PMI de Chicago (Maio).
🇧🇷 14h30 – Ministério do Trabalho: Índice de Evolução de Emprego do CAGED.
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