A tranquilidade trazida pela baixa liquidez do feriado americano durou pouco. Na terça-feira (26), com o retorno das mesas de operação em Nova York, o mercado financeiro global recuperou seu ritmo total e acabou chacoalhando os ativos brasileiros. O Ibovespa interrompeu a recuperação recente e fechou em queda de 0,69%, aos 176.589,03 pontos. No acumulado de maio, o índice registra recuo de 5,73%, enquanto o saldo de 2026 sustenta uma alta de 9,60%.
O movimento refletiu o fluxo de capital que voltou a circular de forma global após o feriado do Memorial Day. No exterior, os investidores continuam divididos entre o otimismo tecnológico e os desdobramentos de novos ataques na região do Oriente Médio. Por aqui, essa dinâmica puxou o dólar comercial para uma alta de 0,18%, cotado a R$ 5,027, enquanto os juros futuros (DIs) subiram por toda a curva, impulsionados pela valorização do petróleo. A agenda de hoje ganha tração com dados que exigem atenção, especialmente a divulgação do IPCA-15 de maio.
Convidamos você a acompanhar na íntegra as seções a seguir para entender como o retorno do fluxo global mexe com as suas alocações.
Olhar Global – Retorno de Wall Street e o rali dos semicondutores
O panorama internacional operou de forma mista no retorno do feriado americano. O grande motor do dia foi o setor de tecnologia: as ações da Micron Technology dispararam cerca de 20%, levando a companhia a ultrapassar a marca histórica de US$ 1 trilhão em valor de mercado, o que impulsionou o Nasdaq a subir mais de 1%. O mercado acredita que os contratos de longo prazo no setor de semicondutores continuam blindados contra as oscilações macroeconômicas.
Por outro lado, novos ataques na região do Irã trouxeram volatilidade aos preços do petróleo Brent, que fechou em alta. Apesar dos atritos na superfície, a visão consensual entre os grandes analistas ainda pressupõe que uma distensão diplomática formal será alcançada nos próximos dias entre Washington e Teerã. Na Europa, as bolsas refletiram essa dualidade e encerraram o dia sem uma direção única.
Dow Jones: -0,23% (50.461,68 pts)
S&P 500: +0,61% (7.519,13 pts)
Nasdaq: +1,19% (26.656,18 pts)
Ibovespa – Grandes bancos recuam e Vale acompanha oscilação
O principal índice da B3 fechou aos 176.589,03 pontos. No acumulado do segundo trimestre do ano, a variação aponta uma retração de -5,80%.
O pregão foi marcado por um movimento de realização de lucros no setor financeiro. Após a forte alta da véspera, os grandes bancos privados devolveram os ganhos em bloco, com o Banco do Brasil (BBAS3) liderando as quedas com recuo de 2,49%, acompanhado de perto pelo Itaú Unibanco (ITUB4, -0,64%). A Vale (VALE3) também operou em volatilidade e fechou em queda de 0,62%.
Em contrapartida, a Petrobras (PETR4) sustentou uma leve alta de 0,09%, protegida pela valorização do barril de petróleo Brent no exterior.
A grande movimentação do dia ficou com a Brava Energia (BRAV3, +0,70%), que atraiu as atenções do mercado após receber uma oferta bilionária de aquisição de ações por parte da Ecopetrol. A WEG (WEGE3), tradicional favorita dos investidores, mostrou resiliência e virou para o terreno positivo na reta final, subindo 0,30%.
Juros – Petróleo em alta pressiona curva de juros futura
Os juros futuros (DIs) encerraram a terça-feira em alta por toda a extensão da curva, com os contratos de vencimento mais longo subindo até 9 pontos-base. O movimento de abertura (alta de taxas) foi impulsionado pelo encarecimento do petróleo internacional e pela valorização do dólar futuro, que avançou para R$ 5,030.
O que isso significa para o RPPS?
Para os gestores de RPPS, a elevação das taxas futuras se traduz em uma marcação a mercado negativa no curto prazo.
Quando as taxas exigidas pelo mercado sobem, o preço atual dos títulos públicos prefixados (IRF-M) e indexados ao IPCA (IMA-B) sofre um ajuste contábil para baixo.
Essa volatilidade exige um acompanhamento de perto do comitê de investimentos, mas também reforça uma excelente oportunidade estrutural: a curva mais esticada permite contratar taxas de juros reais muito atrativas nas novas alocações. Conforme o mercado espera, o IPCA-15 de maio, que será divulgado hoje com projeção de alta de 0,53%, deve manter o Banco Central em postura vigilante para assegurar o cumprimento das metas atuariais de longo prazo.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,1822%
IMA-B: +0,1125%
IMA-B 5: +0,0253%
IRF-M: -0,1593%
IRF-M 1: +0,0341%
Dólar – Moeda reverte sinal e fecha cotada a R$ 5,02
O dólar comercial encerrou o dia em alta de 0,18%, cotado a R$ 5,027.
A moeda nacional perdeu terreno frente à divisa americana, acompanhando o fluxo de saída de recursos domésticos com o fim do feriado em Nova York. O movimento ocorreu na contramão do índice global DXY, que recuou 0,10% frente a uma cesta de moedas fortes. No front interno, os dados do Banco Central mostraram que o Investimento Direto no País (IDP) somou robustos US$ 8,912 bilhões em abril, vindo acima do esperado e confirmando o papel do Brasil como um importante polo de atração de capital produtivo de longo prazo.
E agora?
A quarta-feira amanhece com o radar totalmente voltado para a divulgação do IPCA-15, que balizará as discussões sobre o ritmo da inflação doméstica e os próximos passos da Selic. No cenário externo, os investidores estarão focados nos dados semanais de emprego nos EUA (ADP) e nos estoques oficiais de petróleo. Manter a disciplina técnica e observar a consolidação das taxas reais de juros é a melhor estratégia para proteger o patrimônio institucional.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (27/05)
Gatilhos econômicos essenciais para monitorar hoje:
🇧🇷 08h00 – IBGE: IPCA-15 de maio (Expectativa do mercado: +0,53% m/m).
🇺🇸 09h15 – ADP: Relatório de Variação Semanal de Empregos nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Fluxo Cambial Estrangeiro semanal.
🇺🇸 17h30 – API: Estoques Semanais de Petróleo Bruto.
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