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Ruídos locais e dólar global forte trazem cautela na abertura do segundo semestre

A primeira sessão do segundo semestre de 2026 foi marcada por um reposicionamento tático dos investidores e pela busca por proteção patrimonial. Em uma quarta-feira (1º) de ajustes e volatilidade no cenário interno, o Ibovespa registrou recuo de 0,20%, aos 171.688,61 pontos, iniciando o novo ciclo contábil em tom defensivo. No acumulado das primeiras sessões desta semana, o principal índice da B3 apresenta uma baixa de 0,93%, enquanto preserva uma rentabilidade positiva de +6,56% no balanço consolidado do ano.

A dinâmica das mesas de operações foi pautada pelo avanço global da moeda norte-americana e por fatores políticos domésticos que adicionaram cautela aos modelos de precificação. No front externo, o retorno do otimismo com a distensão entre Washington e Teerã derrubou as cotações do petróleo, mas declarações de autoridades monetárias na Europa e nos EUA mantiveram as bolsas de Nova York em baixa. Esse movimento de aversão global a risco penalizou os mercados emergentes, empurrando o dólar comercial para uma alta de 0,90%, cotado a R$ 5,209. Refletindo esse estresse no câmbio e novas pesquisas eleitorais locais, as taxas dos juros futuros (DIs) subiram por toda a curva.

A virada de semestre abre uma bateria densa de relatórios sobre a saúde do emprego global. Convidamos você a acompanhar o panorama analítico e os impactos nas carteiras previdenciárias na íntegra a seguir.

Olhar Global – Nova York realiza lucros pós-recordes e Warsh adota tom construtivo com a inflação

O panorama internacional iniciou a segunda metade do ano passando por uma acomodação técnica saudável. Após carimbar o melhor primeiro semestre em cinco anos, Wall Street vivenciou um pregão de realização de lucros focado no setor de tecnologia e semicondutores. O mercado acredita que, embora o segmento de Inteligência Artificial siga como o grande motor estrutural de crescimento no longo prazo, o forte rali recente gerou uma sobrevalorização pontual em alguns ativos, justificando uma pausa regulada nas ordens de compra.

No campo monetário, o novo presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, injetou otimismo moderado durante fórum internacional em Portugal ao ponderar que os riscos para a inflação norte-americana diminuíram na margem. Na Europa, a presidente do BCE, Christine Lagarde, seguiu linha semelhante ao apontar riscos econômicos mais equilibrados na Zona do Euro. No front geopolítico, declarações do presidente Donald Trump indicando progressos nos entendimentos com o Irã elevaram o tráfego de navios cargueiros no Estreito de Ormuz para além de 10 milhões de barris diários, derrubando o preço do petróleo e exercendo pressão técnica sobre as cotações do ouro.

Dow Jones: -0,01% (52.306,22 pts)
S&P 500: -0,21% (7.483,40 pts)
Nasdaq: -0,66% (26.040,03 pts)

Ibovespa – Indústria cresce em junho, mas avanço do dólar e bancos limitam ganhos na B3

O principal termômetro de ações da bolsa brasileira encerrou a sessão aos 171.688,61 pontos, inaugurando o terceiro trimestre (3T26) com um recuo de -0,20%.

Apesar de a atividade manufatureira nacional ter reportado expansão em junho medida pelo Índice PMI Industrial, o Ibovespa acabou cedendo ao peso das suas grandes ações de valor. O setor financeiro operou de forma mista e limitou uma reação do índice, com o Banco do Brasil (BBAS3) recuando 0,90%, enquanto Itaú Unibanco (ITUB4) e Bradesco (BBDC4) avançaram 0,46% e 0,28%, respectivamente. A Petrobras (PETR4) passou boa parte do dia no vermelho acompanhando a fraqueza do óleo bruto internacional, mas virou na reta final para fechar com leve ganho de 0,03%.

Garantindo um amortecedor técnico importante para o índice, as ações da Vale (VALE3) subiram 0,15%, demonstrando resiliência técnica na contramão da baixa do minério de ferro na Ásia. No setor de aviação, a Embraer (EMBJ3) avançou 0,16%, capturando os frutos de sua recente tripla certificação de aeronaves. No lado das perdas, a petroquímica Braskem (BRKM5) cedeu 2,67%, estendendo o fluxo defensivo do encerramento do semestre anterior, e a Minerva (BEEF3) recuou 4,85%.

Juros – Pesquisa eleitoral e estresse no câmbio elevam as taxas dos DIs na B3

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 registrou uma sessão de forte estresse e abertura generalizada de taxas nesta quarta-feira. Os investidores reconfiguraram suas posições de risco, empurrando os contratos futuros para cima em até 12 pontos-base, com os ajustes distribuídos de maneira uniforme entre os vencimentos de curto, médio e longo prazo.
O grande gatilho para a abertura nas taxas foi a divulgação da nova pesquisa eleitoral AtlasIntel, associada ao avanço firme do dólar comercial e ao movimento de alta nos rendimentos das Treasuries nos Estados Unidos.

O que isso significa para o RPPS?

Para a gestão das carteiras dos Regimes Próprios, essa abertura generalizada na curva a termo resulta em uma volatilidade que exige monitoramento técnico preciso.

O DI futuro atua como a grande bússola que dita a taxa de juros exigida para os investimentos de renda fixa. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos títulos federais prefixados (IRF-M) e indexados à inflação (IMA-B) sofre um ajuste contábil para baixo (marcação a mercado negativa) nos balancetes do fundo.

Por outro lado, o segmento pós-fixado e de caixa de curtíssimo prazo, medido pelo IRF-M 1 (+0,0424%), continua entregando retornos nominais lineares e protegendo a liquidez imediata. Conforme o mercado espera, os dados do Caged de maio reportaram moderação no mercado de trabalho, o que corrobora o cenário de continuidade da calibração gradual da Selic.

Para os gestores de RPPS, o atual momento de abertura da curva não deve ser motivo de desconforto, mas sim compreendido como uma excelente oportunidade de compra: o nível atual de taxas reais de juros oferecido nos títulos públicos (NTN-Bs) permite que novos aportes travem rendimentos significativamente robustos, assegurando com folga o cumprimento da meta atuarial de longo prazo.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,5324%
IMA-B: -0,3247%
IMA-B 5: -0,0697%
IRF-M: -0,2925%
IRF-M 1: +0,0424%

Dólar – Moeda norte-americana avança 0,90% e volta ao patamar de R$ 5,20 com aversão global

O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,90%, cotado a R$ 5,209 para venda.
A divisa norte-americana restabeleceu sua trajetória de valorização frente ao Real, interrompendo uma sequência de duas quedas diárias consecutivas e registrando a máxima de R$ 5,217. O Real perdeu força em sintonia com as principais moedas de mercados emergentes, que viram o índice de referência dessas divisas apagar os ganhos acumulados no ano à medida que o dólar global se fortaleceu — com o índice DXY avançando 0,21% aos 101,40 pontos. O mercado acredita que ruídos sobre sanções internacionais a indivíduos específicos em território nacional e o fluxo de aversão tática internacional ditaram o ritmo do câmbio.

E agora?

A quinta-feira abre os negócios colocando os analistas de alocação macroeconômica diante do relatório mais aguardado do mês. As atenções do mercado mundial estarão totalmente centralizadas na divulgação do Relatório de Emprego (Payroll) e da Taxa de Desemprego de junho nos Estados Unidos, bússolas vitais que o Federal Reserve utiliza para calibrar sua política monetária de curto prazo. No ambiente doméstico, os investidores acompanham os dados de inflação de curto prazo mensurados pelo IPC-Fipe de junho logo cedo, além do monitoramento semanal do balanço patrimonial do Fed à tarde. O dia promete alta volatilidade institucional e grandes oportunidades de calibragem de risco.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (02/07)

Gatilhos econômicos de máxima relevância para monitorar hoje:

🇧🇷 06h00 – Fipe: Divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC-Fipe de junho).
🇺🇸 09h30 – Bureau of Labor Statistics: Relatório de Empregos não-agrícolas / Payroll de junho nos EUA.
🇺🇸 09h30 – Bureau of Labor Statistics: Divulgação da Taxa de Desemprego oficial de junho nos EUA.
🇺🇸 17h30 – Federal Reserve: Balanço Patrimonial consolidado semanal da autoridade monetária americana.

Aproveite os prêmios trazidos pela abertura da curva de juros para imunizar o passivo do seu instituto contra oscilações inflacionárias. Acompanhe os impactos do Payroll e a abertura dos negócios locais no nosso Morning News.

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