A quinta-feira (2) injetou fôlego nos ativos de risco globais, trazendo um movimento de forte alívio tático para as mesas de operação brasileiras. O principal motor do dia foi a divulgação do Payroll de junho nos Estados Unidos. O relatório oficial de empregos veio significativamente mais fraco do que o consenso do mercado, atenuando os temores de que o Federal Reserve (Fed) precise retomar o aperto monetário residual ainda este ano. Embalado por esse ambiente externo mais favorável e por visões institucionais otimistas sobre o Brasil, o Ibovespa fechou em alta de 0,64%, aos 172.787,62 pontos. Com esse desempenho, o principal índice da B3 inaugura o mês de julho com ganho acumulado de +0,44%, elevando o retorno consolidado do ano para +7,20%.
No front cambial, o Real demonstrou resiliência diante da descompressão global da moeda americana (índice DXY em queda de 0,50%), o que levou o dólar comercial a encerrar o dia de lado, com sutil variação negativa de 0,03%, cotado a R$ 5,208. Em Nova York, as bolsas registraram um fechamento misto, equilibrando o entusiasmo com os dados econômicos e a realização técnica em tecnologia. Já no ambiente de renda fixa doméstica, a dinâmica foi distinta: o prêmio de risco associado a leilões expressivos do Tesouro Nacional impulsionou os juros futuros (DIs), que fecharam em alta expressiva nas pontas intermediária e longa da curva.
A calmaria vinda do mercado externo abre espaço para uma sexta-feira de liquidez diferenciada. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise dos desdobramentos operacionais nas seções abaixo.
Olhar Global – Dados de emprego em Nova York dividem opiniões e dão fôlego às bolsas europeias
O panorama internacional concentrou suas atenções no mercado de trabalho norte-americano. A criação de vagas abaixo das expectativas projetadas pelos analistas gerou duas correntes de interpretação nas mesas: a expectativa majoritária do mercado acredita que o desaquecimento reduz as chances de novas altas de juros pelo Fed em 2026, abrindo espaço para a manutenção das taxas atuais; por outro lado, economistas de grandes casas ponderam que, embora o dado tenha vindo abaixo do esperado, o mercado de trabalho ainda exibe patamares historicamente robustos para uma inflação persistente.
Essa divergência de visões trouxe volatilidade para Wall Street. Enquanto as empresas de valor tradicionais sustentaram o índice Dow Jones no campo positivo, o setor de tecnologia e Inteligência Artificial passou por nova rodada de escrutínio sobre múltiplos e valuations, puxando o Nasdaq para baixo. Na Europa, a reação foi mais consensual e positiva, impulsionando as bolsas locais ao fechar em firme alta. Paralelamente, no mercado de commodities, o petróleo do tipo Brent registrou oscilações e fechou em leve alta, refletindo os alertas emitidos pelo Irã em meio às cerimônias fúnebres no Oriente Médio, contrabalançando a expectativa de normalização de fluxo no Estreito de Ormuz.
Dow Jones: +1,14% (52.306,22 pts) | Semana: +1,97%
S&P 500: -0,01% (7.483,40 pts) | Semana: +1,69%
Nasdaq: -0,80% (26.040,03 pts) | Semana: +2,12%
Ibovespa – BlackRock destaca atratividade do Brasil e grandes bancos impulsionam pregão
O principal índice de referência de ações da bolsa brasileira encerrou a sessão aos 172.787,62 pontos, acumulando ganho de +0,44% no terceiro trimestre (3T26).
O ânimo dos investidores domésticos ganhou um forte respaldo institucional de fora. A BlackRock, maior gestora de recursos do planeta, destacou que o mercado de capitais brasileiro oferece um dos maiores retornos potenciais do mundo, impulsionado por “megaforças” estruturais e múltiplos atrativos — visão que ajuda a contextualizar a entrada expressiva de quase US$ 34 bilhões de fluxo estrangeiro registrada no acumulado do primeiro semestre. No pregão, o setor financeiro atuou como o grande pilar do dia: o Banco do Brasil (BBAS3) avançou 1,27%, acompanhado pelas altas de 0,71% no Santander (SANB11) e de 0,97% na operadora B3 (B3SA3), enquanto o Itaú Unibanco (ITUB4) registrou estabilidade ao subir 0,05%.
Acompanhando o viés altista das commodities, a Vale (VALE3) virou para o campo positivo no final do pregão e subiu 0,33%, em sintonia com a recuperação do minério de ferro. A Petrobras (PETR4) avançou 0,26%, capturando a alta marginal do óleo cru no mercado externo. No varejo, o comportamento seguiu fragmentado: a Azzas 2154 (AZZA3) ganhou 1,41%, compensando as realizações de lucros na Magazine Luiza (MGLU3, -3,84%) e nas Lojas Renner (LREN3, -0,74%). Fora do índice, as ações da Axia Energia (AXIA3) subiram 0,46%, impulsionadas por relatórios de análise que preveem benefícios operacionais em um cenário de tarifas de energia mais elevadas.
Juros – Curva de DIs sofre inclinação com leilão do Tesouro, mas abre taxas reais atrativas para RPPS
A curva de contratos futuros de juros (DIs) na B3 operou em trajetória de forte inclinação nesta quinta-feira. Os contratos de vencimento médio e longo registraram altas expressivas que atingiram até 17,5 pontos-base de avanço. Esse movimento foi impulsionado primordialmente pelo risco fiscal doméstico e por uma atuação contundente do Tesouro Nacional, que realizou um leilão de grande volume de títulos prefixados (LTNs e NTN-Fs) com colocação integral dos lotes ofertados. A forte oferta de papéis exigiu que o mercado incorporasse prêmios de juros maiores nos vértices longos.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês e gestores dos Regimes Próprios, essa inclinação da curva e o avanço das taxas exigem precisão analítica.
O DI futuro dita o custo do dinheiro e serve de balizador para as taxas de juros de toda a renda fixa do país, incluindo títulos públicos e papéis de crédito privado. Quando os juros longos sobem, os ativos de prazos estendidos indexados à inflação (IMA-B) sofrem um ajuste pontual de preço para baixo por marcação a mercado.
Por outro lado, o segmento de liquidez imediata e pós-fixada, mensurado pelo IRF-M 1 (-0,0012%), permaneceu praticamente estável, fornecendo estabilidade nominal ao caixa. Conforme a expectativa do mercado, o cenário inflacionário global e local demanda cautela, mas a abertura atual de taxas na curva a termo eleva os juros reais oferecidos pelos títulos públicos de longo prazo. Para os RPPS, esse movimento configura uma excelente oportunidade técnica de alocação primária: adquirir títulos como a NTN-B com taxas reais mais elevadas permite blindar a carteira contra repiques inflacionários e travar retornos de carregamento significativamente superiores à meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,1704%
IMA-B: -0,1017%
IMA-B 5: -0,0178%
IRF-M: -0,2745%
IRF-M 1: -0,0012%
Dólar – Câmbio anda de lado com real forte ante desidratação global da moeda americana
O dólar comercial encerrou o pregão com variação negativa sutil de 0,03%, cotado a R$ 5,208 para venda.
A divisa norte-americana flutuou de forma contida no mercado doméstico, oscilando entre a mínima de R$ 5,159 e a máxima de R$ 5,219. O Real conseguiu se contrapor às pressões locais e acompanhou de perto o movimento externo do índice DXY, que recuou 0,50% para o patamar dos 100,88 pontos. A expectativa do mercado é de que o dado de emprego fraco nos Estados Unidos reduza a atratividade comparativa de títulos do Tesouro americano no curto prazo, aliviando o fluxo de saída de capital de países emergentes e ancorando o câmbio local no patamar de suporte técnico dos R$ 5,20.
E agora?
A sexta-feira projeta uma dinâmica de liquidez visivelmente mais restrita nos mercados globais devido ao feriado antecipado do Dia da Independência nos Estados Unidos (4 de Julho), que manterá as bolsas de Nova York fechadas durante todo o dia. Sem o direcionamento de Wall Street, os investidores em solo doméstico concentrarão suas atenções exclusivamente nos indicadores internos de atividade econômica. O prato principal em termos de dados macroeconômicos será a divulgação do Índice PMI Composto da S&P Global referente ao mês de junho, indicador que ajudará a balizar as projeções de crescimento para o início deste segundo semestre.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (03/07)
Indicadores de relevância tática para monitorar hoje:
🇺🇸 Dia Todo – Feriado Nacional: Mercados fechados nos Estados Unidos (Independência dos EUA).
🇧🇷 10h00 – S&P Global: Divulgação do Índice PMI Composto do Brasil (Junho).
🇧🇷 10h00 – S&P Global: Divulgação do Índice PMI de Serviços do Brasil (Junho).
Mantenha o foco nos fundamentos de longo prazo e aproveite os prêmios da renda fixa estruturada para garantir a consistência do patrimônio previdenciário. Acompanhe os impactos dos indicadores de serviços na abertura dos negócios no nosso Morning News.
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