O encerramento da última semana trouxe um respiro bem-vindo e um tom de calmaria para as mesas de operações em solo nacional. Em uma sexta-feira (3) marcada pela calmaria técnica e pela ausência dos investidores norte-americanos, o Ibovespa fechou em alta de 0,74%, aos 174.070,27 pontos. O movimento consolidou uma valorização semanal de 0,45%, quebrando ciclos defensivos anteriores. Com essa arrancada inicial no mês, o principal índice da nossa Bolsa passa a acumular uma alta de 1,19% em julho, expandindo os ganhos acumulados no ano de 2026 para +8,03%.
A dinâmica do pregão foi pautada pelo ambiente de menor liquidez global, reflexo direto do fechamento das bolsas de Nova York devido às celebrações do Dia da Independência nos Estados Unidos (Independence Day). Sem o farol operacional externo, o mercado doméstico encontrou espaço para uma recuperação autônoma. O Real ganhou tração expressiva, fazendo o dólar comercial recuar 0,76%, cotado a R$ 5,168. Na renda fixa, a combinação de uma produção industrial mais moderada com ajustes de posições acionou um recuo robusto nas taxas dos juros futuros (DIs), que despencaram principalmente nos vencimentos intermediários e geraram forte valorização nas carteiras.
O início de uma nova semana abre as portas do segundo semestre com relatórios estruturais de expectativas no radar. Convidamos você a acompanhar o panorama analítico completo nas seções a seguir.
Olhar Global – Feriado nos Estados Unidos induz praças globais à calmaria e trégua geopolítica avança
O ambiente internacional operou desprovido de seu principal centro de liquidez financeira. Em função da antecipação do feriado nacional de 4 de Julho nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York não abriram suas portas, reduzindo substancialmente o giro financeiro ao redor do globo. Na Europa, sem a influência das ordens de compra e venda de Wall Street, as principais praças financeiras operaram sem grandes solavancos institucionais e conseguiram encerrar a jornada em firme terreno positivo.
No front geopolítico, o recesso patriótico em Washington coincidiu com um momento de menor atrito no Oriente Médio. O Irã iniciou de forma controlada os ritos fúnebres do aiatolá Ali Khamenei, e a ausência de novas retóricas combativas imediatas ajudou a estabilizar o sentimento geral de risco. O mercado acredita que a tendência de curto prazo caminha para uma distensão gradual no fluxo de comércio marítimo do Estreito de Ormuz, permitindo uma recalibragem pacífica dos custos logísticos globais e acomodando os prêmios das commodities.
Dow Jones: Não operou (Feriado de Independência nos EUA)
S&P 500: Não operou (Feriado de Independência nos EUA)
Nasdaq: Não operou (Feriado de Independência nos EUA)
Ibovespa – Produção industrial sinaliza moderação e grandes bancos comandam rali doméstico
O principal termômetro de ações da B3 encerrou a última sessão aos 174.070,27 pontos, registrando uma variação de -8,24% no segundo trimestre.
Os investidores locais digeriram o dado da produção industrial de maio, que apontou uma retração de 0,2% após quatro meses consecutivos de expansão. Conforme a expectativa do mercado, o recuo em setores como derivados de petróleo reflete uma acomodação natural após fortes altas prévias, sugerindo um ritmo de atividade mais moderado, embora o quadro geral continue resiliente devido aos estímulos de ano eleitoral. No pregão, a Vale (VALE3) subiu 0,77%, ignorando a baixa do minério de ferro na Ásia, enquanto a Petrobras (PETR4) avançou 0,76% mesmo sem a referência do petróleo internacional.
O motor primordial da alta do Ibovespa foi o segmento financeiro, que registrou forte fluxo comprador: o Itaú Unibanco (ITUB4) subiu 0,64%, o Bradesco (BBDC4) avançou 0,55%, o Santander (SANB11) valorizou 0,67% e a B3 (B3SA3) saltou 1,03%, neutralizando o ajuste marginal do Banco do Brasil (BBAS3, -0,10%). No setor de aviação, a Embraer (EMBJ3) decolou 2,08%, colhendo a repercussão positiva do seu relatório de entregas do segundo trimestre, considerado o melhor desempenho operacional para o período em 16 anos.
Juros – Descompressão nos DIs intermediários traz forte ganho aos indexadores de inflação
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 registrou uma sessão de acentuado alívio técnico e fechamento de taxas na última sexta-feira. A curva a termo doméstica apresentou um movimento de achatamento benéfico, com os contratos de vencimento intermediário liderando o recuo ao despencarem até 12,5 pontos-base, enquanto a ponta curta acompanhou o viés de baixa de forma mais moderada. O movimento foi chancelado pelo indicador mais fraco da produção industrial, que ajudou a suavizar as projeções de pressão sobre a demanda interna.
O que isso significa para o RPPS?
Para a governança e gestão das carteiras dos Regimes Próprios, esse fechamento expressivo das taxas de mercado gera um impacto patrimonial altamente positivo.
O DI futuro funciona como a grande referência de rentabilidade para o ecossistema de renda fixa. Quando essas taxas futuras recuam, o preço de mercado dos títulos públicos federais indexados à inflação (NTN-Bs) experimenta uma valorização instantânea através da marcação a mercado positiva.
Esse alívio técnico impulsionou de forma robusta o desempenho dos indexadores de prazo estendido, fazendo o IMA-B 5+ saltar expressivos +0,8487% e o IMA-B geral avançar +0,5519% em apenas uma sessão, aproximando os institutos de previdência de suas respectivas metas atuariais. Paralelamente, o segmento pós-fixado de curtíssimo prazo e caixa, balizado pelo IRF-M 1 (+0,0787%), continuou fornecendo retornos nominais previsíveis e sem volatilidade. Para os comitês de investimentos, o cenário atual valida a importância estratégica de manter o carrego dos títulos públicos de alta qualidade, capturando ganhos patrimoniais na descompressão e travando juros reais expressivos nos momentos de reprecificação do mercado.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,8487%
IMA-B: +0,5519%
IMA-B 5: +0,1897%
IRF-M: +0,2938%
IRF-M 1: +0,0787%
Dólar – Real ganha força com menor liquidez e moeda norte-americana recua para R$ 5,16
O dólar comercial encerrou o último pregão em queda de 0,76%, cotado a R$ 5,168 para venda.
A divisa engatou sua segunda desvalorização diária consecutiva frente ao Real, flutuando entre a cotação mínima de R$ 5,166 e a máxima de R$ 5,200. A valorização da moeda nacional ocorreu de forma muito mais acentuada do que o comportamento externo do índice global DXY, que operou em sutil recuo de 0,01% aos 100,86 pontos. O mercado acredita que o desmonte de posições protetivas de curto prazo pelas tesourarias locais, em uma sessão sem o fluxo de saída de capital estrangeiro rumo a Nova York, abriu espaço para o Real recuperar terreno e fechar a semana com leve saldo positivo de 0,02%.
E agora?
A segunda-feira abre os negócios reativando os terminais de operação global em ritmo acelerado após o feriado prolongado. O prato principal da manhã doméstica está concentrado na divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, relatório que será minuciosamente escaneado pelos comitês para verificar se a inflação projetada de 2026 continuará sofrendo pressões altistas de desancoragem. No cenário externo, as atenções se voltam para o retorno operacional de Nova York com a divulgação dos dados finais do PMI Composto de junho da S&P Global e do Índice de Tendência de Emprego, indicadores vitais para calibrar os modelos de juros americanos.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (06/07)
Principais divulgações macroeconômicas para direcionar suas posições hoje:
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Divulgação do Boletim Focus com as projeções atualizadas de inflação, câmbio e Selic.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Índice PMI Composto final referente ao mês de junho nos EUA.
🇺🇸 11h00 – Conference Board: Divulgação do Índice de Tendência de Emprego de junho nos EUA.
Aproveite a valorização dos indexadores para consolidar os resultados de carteira e calibrar a liquidez do seu instituto previdenciário. Acompanhe as atualizações do Focus e a abertura das mesas no nosso Morning News.
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