A penúltima sessão da semana trouxe uma onda de cautela que mexeu com os preços das telas de negociação tanto no Brasil quanto no exterior. O anúncio feito pelos Estados Unidos sobre a aplicação de novas tarifas comerciais de 25% sobre produtos brasileiros ativou um modo de defesa nos mercados, pressionando ações de grande peso e mexendo com o cenário político e econômico doméstico. Com isso, o Ibovespa fechou em queda de 1,24%, aos 173.825,27 pontos, reduzindo o seu ganho acumulado no mês de julho para +1,12%.
Esse ambiente de maior aversão ao risco refletiu-se de forma coordenada nos demais ativos: o dólar comercial fechou em alta, aproximando-se do patamar de R$ 5,10, enquanto as bolsas de Nova York encerraram o dia em queda firme, puxadas pelas pressões do setor de tecnologia e semicondutores. Por aqui, os juros futuros (DIs) apresentaram um comportamento de inclinação, com a ponta curta recuando amparada por dados fracos de comércio e os prazos mais longos subindo sob o peso do prêmio de risco e de leilões do Tesouro Nacional. Diante de um cenário em que fatores geopolíticos e comerciais externos desafiam o ritmo local, convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais nas seções a seguir.
Olhar Global – Nova York recua com fraqueza em semicondutores e cautela geopolítica no radar
O panorama internacional vestiu o manto da cautela após dois dias consecutivos de alívio inflacionário. O principal gatilho para o recuo em Wall Street foi o setor de tecnologia, mais especificamente o segmento de semicondutores, que sofreu uma forte correção técnica na esteira da divulgação dos resultados trimestrais da gigante TSMC e de uma desconfiança temporária em torno das avaliações das empresas de inteligência artificial. Somou-se a isso a persistente incerteza sobre o desenrolar das tensões militares no Oriente Médio, mantendo os investidores na defensiva.
No mercado de commodities, o petróleo operou com alta volatilidade, mas terminou o dia em queda, refletindo o monitoramento das movimentações dos rebeldes houthis no Golfo, dentro de uma faixa estreita de negociação. Na Europa, as bolsas também fecharam em queda, acompanhando o movimento de aversão global a risco e a busca por ativos considerados refúgios seguros.
O índice Dow Jones recuou 0,20% (52.552,97 pontos)
O S&P 500 cedeu 0,51% (7.533,74 pontos)
O Nasdaq teve queda de 1,47% (25.881,95 pontos)
Ibovespa – Tarifaço norte-americano e queda de blue chips puxam a Bolsa para baixo
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a sessão de ontem cotado a 173.825,27 pontos. Com esse ajuste técnico, a rentabilidade acumulada do índice acionário em 2026 situa-se em +7,97%.
O pregão paulista sofreu com a falta de sustentação de seus grandes pilares, funcionando como uma engrenagem que perde força quando suas peças principais desaceleram. As ações da mineradora Vale (VALE3) e do Itaú Unibanco (ITUB4) lideraram as perdas do dia, contaminadas pelo anúncio de tarifas comerciais adicionais de 25% impostas pelo governo norte-americano sobre produtos nacionais. As novas regras, previstas para entrar em vigor em 22 de julho, geraram desconforto político-econômico e pesaram sobre as empresas ligadas ao ciclo econômico amplo. Embora a lista final de exceções tenha vindo mais abrangente do que o esperado originalmente — poupando setores como carne bovina, suco de laranja e componentes de aviação —, o volume financeiro total da sessão somou moderados R$ 18,92 bilhões, refletindo a postura defensiva dos operadores.
Juros – Curva de DIs sofre inclinação com varejo fraco e leilão robusto do Tesouro
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a quinta-feira registrando uma clara inclinação em sua curva de rendimentos. O resultado de fechamento do dia mostra que as taxas de curto prazo recuaram, enquanto os contratos intermediários e de longo prazo subiram até 8,5 pontos-base.
Essa divisão de movimentos na curva ocorreu devido a forças distintas. Na ponta curta, as taxas caíram cerca de 1,5 ponto-base reagindo à surpresa negativa das vendas no varejo doméstico de maio, indicador que veio abaixo do esperado e elevou as apostas de flexibilização monetária pelo Copom. Já os prazos médios e longos avançaram pressionados pelo aumento do prêmio de risco fiscal e por um leilão de grande volume de títulos prefixados realizado pelo Tesouro Nacional, que aumentou a demanda por remuneração nos prazos mais estendidos.
O que isso significa para o RPPS?
Para a gestão das carteiras dos Regimes Próprios, essa inclinação exige monitoramento estratégico rigoroso sob a ótica de Asset Liability Management (ALM).
O DI futuro dita o custo do dinheiro e serve de balizador direto para a rentabilidade de ativos de renda fixa, como títulos públicos federais, letras financeiras e debêntures, afetando também a precificação de ativos de renda variável. Quando as taxas de juros futuras de prazos longos sobem, o valor presente dos títulos prefixados sofre uma oscilação contábil negativa, o que justifica o recuo observado no índice IRF-M (-0,1180%).
Por outro lado, os títulos indexados à inflação mantiveram a resiliência patrimonial protetiva, garantindo retornos positivos no IMA-B geral (+0,0655%) e no IMA-B 5+ (+0,0750%). Enquanto isso, os papéis pós-fixados e fundos de liquidez focados na cauda curta, representados pelo IRF-M 1 (+0,0521%), continuam rendendo de forma linear e blindando o caixa operacional. Conforme a expectativa do mercado, o ambiente demanda atenção, mas as taxas de juros reais futuros oferecidas nos títulos longos (NTN-Bs) continuam em patamares excelentes para o gestor travar rendimentos robustos, garantindo a imunização do passivo atuarial e o atingimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,0750%
IMA-B: +0,0655%
IMA-B 5: +0,0538%
IRF-M: -0,1180%
IRF-M 1: +0,0521%
Dólar – Moeda americana sobe 0,40% e fecha a R$ 5,0990 com riscos comerciais
O dólar comercial encerrou o pregão em alta de 0,40%, cotado a R$ 5,0990 para venda (enquanto o dólar futuro avançou 0,43%, negociado na B3 próximo de R$ 5,121).
A divisa norte-americana interrompeu a sequência recente de alívio e voltou a ganhar força frente ao real, oscilando em sintonia com a valorização global da moeda lá fora, onde o índice dólar DXY avançou para os 100,7 pontos. O mercado acredita que a confirmação do pacote tarifário de 25% imposto pelos Estados Unidos gerou uma corrida defensiva por proteção cambial nas mesas de operação locais. Apesar de o impacto econômico direto ser mitigado no curto prazo pela lista de exceções que preservou itens importantes da pauta exportadora — como carne bovina, suco de laranja e componentes aeronáuticos —, a incerteza tarifária segurou o real. No acumulado do ano de 2026, a moeda estrangeira preserva uma desvalorização de 7,48% perante o real.
E agora?
A sexta-feira coloca as mesas de operações diante de uma bateria de dados de alta relevância para encerrar a semana. No cenário nacional, os investidores avaliam logo cedo a inflação medida pelo IGP-10 de julho, seguido de perto pela divulgação do IBC-Br de maio pelo Banco Central, considerado a grande prévia mensal do PIB brasileiro. Nos Estados Unidos, o foco estará totalmente voltado para os dados de atividade industrial com a Produção Industrial de junho e as Expectativas de Inflação de Michigan, indicadores vitais para calibrar se as pressões de custos globais continuarão cedendo.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (17/07/2026)
Gatilhos macroeconômicos fundamentais para monitorar hoje:
🇧🇷 08h00 – FGV: Divulgação do Índice Geral de Preços – 10 (IGP-10) de julho.
🇧🇷 09h00 – Banco Central: Índice de Atividade Econômica do BC (IBC-Br de maio).
🇺🇸 10h15 – Federal Reserve: Produção Industrial mensal de junho nos EUA.
🇺🇸 11h00 – Univ. de Michigan: Índice de Expectativas de Inflação de julho nos EUA.
Aproveite as variações técnicas das taxas de juros reais e garanta o perfeito casamento de fluxos atuariais para o patrimônio do seu instituto. Acompanhe os desdobramentos do IBC-Br e as análises macroeconômicas no nosso Morning News.
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