A última sessão de negócios trouxe o alívio que investidores de todo o mundo aguardavam. Em uma terça-feira (14) marcada pela divulgação de dados de inflação nos Estados Unidos significativamente melhores que o esperado, o apetite por ativos de risco foi destravado globalmente. O principal índice de preços ao consumidor norte-americano (o CPI) registrou uma surpreendente deflação em junho, diminuindo os temores de que o Federal Reserve (o banco central dos EUA) seja obrigado a elevar ainda mais os juros básicos este ano.
Por aqui, o reflexo desse bom humor externo foi imediato e muito positivo. O Ibovespa subiu 0,51%, fechando aos 176.641,10 pontos, o que eleva o seu acumulado no mês de julho para +2,72%. No câmbio, o real deu um show de valorização e fez o dólar comercial despencar 1,12%, cotado a R$ 5,0739 — a menor cotação em quase um mês. Na renda fixa doméstica, o prêmio de risco recuou forte, conduzindo os juros futuros (DIs) a um fechamento expressivo de taxas, com destaque para as quedas nos vencimentos intermediários e longos. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam em alta, impulsionadas pela recuperação das gigantes de tecnologia.
Esse ambiente de calmaria nos indicadores e de trégua temporária nas tensões no Estreito de Ormuz redesenha o cenário de curto prazo para as carteiras de investimentos. Convidamos você a acompanhar na íntegra a análise detalhada de cada mercado nas seções a seguir.
Olhar Global – Deflação inesperada nos EUA traz calmaria monetária e ofusca ruídos geopolíticos
O cenário internacional viveu um dia de forte descompressão técnica após o Departamento do Trabalho dos EUA reportar uma queda de 0,4% na inflação oficial de junho (CPI), superando de forma positiva a estimativa de recuo de apenas 0,1% projetada pelos analistas. No acumulado de 12 meses, a inflação desacelerou para 3,5%. O resultado deu margem de manobra substancial para o novo presidente do Fed, Kevin Warsh, em seu primeiro depoimento ao Congresso, sinalizando que a inflação pode convergir para as metas sem a necessidade de novos aumentos de juros estruturais. Consequentemente, o mercado passou a precificar 83,4% de probabilidade de manutenção das taxas americanas na reunião de julho.
Esse alívio nos dados de preços conseguiu deixar em segundo plano a cautela com o conflito armado entre Washington e Teerã. Embora o petróleo tenha registrado alta no mercado internacional (com o WTI subindo 1,53% a US$ 79,34 e o Brent avançando 1,72% a US$ 84,73) devido à continuidade de ataques aéreos pontuais, os ganhos foram limitados pela decisão do presidente Donald Trump de abandonar a polêmica proposta de cobrar taxas de navegação no Estreito de Ormuz. Em Nova York, o otimismo com a desinflação e o recuo nas taxas das Treasuries abriram espaço para compras firmes no setor de tecnologia.
Dow Jones: +0,02% (52.508,66 pts)
S&P 500: +0,38% (7.543,89 pts)
Nasdaq: +0,90% (26.107,01)
Ibovespa – Bolsa ultrapassa os 177 mil pontos no melhor momento do dia
O principal índice de ações da B3 encerrou a sessão de ontem cotado aos 176.641,10 pontos, registrando um giro financeiro robusto de R$ 22,1 bilhões. No acumulado do ano de 2026, a valorização consolidada atinge +9,57%.
A Bolsa operou em terreno positivo durante a maior parte do pregão, reagindo de forma direta à melhora na percepção de risco global após o CPI norte-americano. O motor por trás da alta do Ibovespa foi o setor bancário, que funcionou como uma locomotiva puxando o índice para cima. O destaque absoluto ficou com as units do BTG Pactual, que avançaram 3,21%, secundadas pelos ganhos sólidos do Santander (+2,54%), Banco do Brasil (+2,41%), Bradesco (+1,75%) e Itaú Unibanco (+1,67%). Outro fator de sustentação foi a SLC Agrícola (+4,39%), que anunciou a reestruturação de uma aquisição bilionária de terras no Mato Grosso.
Por outro lado, atuando como um contrapeso temporário, a mineradora Vale (VALE3) registrou alta contida de 0,62%, mas sustentada por análises que reforçam seu desconto em relação aos concorrentes globais. Já a Petrobras figurou na ponta negativa, com as ações ordinárias (PETR3) caindo 1,43% e as preferenciais (PETR4) recuando 1,11%, acompanhando o comportamento do petróleo durante o pregão regular e digerindo a extensão do imposto sobre exportação de óleo bruto por mais 60 dias.
Juros – Juros futuros recuam de forma robusta e geram ganhos contábeis expressivos
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 operou sob forte alívio técnico e fechamento de taxas nesta terça-feira, impulsionado pelo recuo generalizado nos rendimentos das Treasuries norte-americanas pós-CPI. Os contratos futuros registraram quedas expressivas que atingiram até 18,5 pontos-base nos vencimentos intermediários e longos, em uma sessão em que o Tesouro Nacional adotou uma estratégia cautelosa de emissões concentradas em LFTs para evitar pressões sobre as taxas reais da curva.
O mercado de DI futuro registrou forte fechamento da curva nesta terça-feira, com as taxas dos vértices intermediários e longos recuando até 18,5 pontos-base.
O que isso significa para o RPPS?
Para o RPPS, o DI futuro é o coração financeiro que dita as taxas de desconto de mercado e o custo de oportunidade de praticamente todos os ativos.
Ele influencia diretamente os investimentos em renda fixa, como os títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e letras financeiras, além de determinar a atratividade da renda variável. Quando as taxas futuras caem, o valor de mercado dos títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs) adquiridos anteriormente sobe imediatamente por marcação a mercado positiva.
Esse fechamento expressivo nas taxas de juros representou um excelente dia para as carteiras ativas de RPPS. A valorização das cotas impulsionou os fundos enquadrados em indexadores de prazo estendido, como o IMA-B (+0,3038%) e o IMA-B 5+ (+0,3819%), gerando ganhos de capital expressivos que aceleram o cumprimento da meta atuarial. Concomitantemente, o caixa de curto prazo alocado no IRF-M 1 (+0,0915%) continuou a render de forma linear e protegida. Conforme a expectativa do mercado, o ambiente de inflação comportada no exterior e o IPCA brando no Brasil dão sustentação técnica para que o Copom efetue novos cortes na Selic a partir de agosto, abrindo uma janela favorável para travamento de taxas de longo prazo que garantam a sustentabilidade dos benefícios futuros.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,3819%
IMA-B: +0,3038%
IMA-B 5: +0,2075%
IRF-M: +0,3300%
IRF-M 1: +0,0915%
Dólar – Moeda americana desaba 1,12% com recuo global pós-inflação e geopolítica branda
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 1,12%, cotado a R$ 5,0739 para venda (enquanto no mercado à vista da B3 o recuo foi de 1,06%, fechando a R$ 5,0778).
A moeda norte-americana despencou perante o real, atingindo a sua menor cotação de fechamento desde o dia 15 de junho e acumulando uma expressiva desvalorização de 7,56% no ano de 2026. A forte desvalorização do dólar no Brasil acompanhou a tendência observada no cenário externo, onde o índice global DXY cedeu para os 100,9 pontos. O mercado acredita que a deflação expressiva nos EUA reduziu drasticamente o prêmio de risco global, enquanto a postura de Donald Trump de adotar diálogos comerciais bilaterais na região do Golfo acalmou o estresse cambial local, favorecendo a atratividade do real.
E agora?
A quarta-feira inicia sob forte expectativa de continuidade dos ajustes técnicos provocados pelo CPI americano. No cenário doméstico, os comitês de alocação de recursos avaliam logo cedo os dados do Crescimento do Setor de Serviços de maio pelo IBGE, um termômetro vital de atividade econômica. No front externo, o mercado de energia e taxas aguarda os números de estoques de petróleo e os dados do IPP mensal de junho nos EUA (inflação ao produtor), além da divulgação do Livro Bege do Federal Reserve à tarde, documento que trará o mapa detalhado das condições de crédito e emprego sob a gestão de Kevin Warsh.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (15/07/2026)
Principais indicadores macroeconômicos para monitorar hoje:
🇧🇷 09h00 – IBGE: Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) referente a maio no Brasil.
🇺🇸 09h30 – BLS: Índice de Preços ao Produtor (IPP mensal de junho) nos EUA.
🇺🇸 11h30 – EIA: Relatório oficial de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Divulgação do Fluxo Cambial Estrangeiro semanal.
🇺🇸 15h00 – Federal Reserve: Divulgação do Livro Bege com as condições econômicas regionais.
Monitore de perto os movimentos táticos da marcação a mercado para otimizar os retornos reais do passivo do seu instituto. Acompanhe a abertura das curvas de juros e o resultado do setor de serviços no nosso Morning News.
R3 Investimentos