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Tensão no Oriente Médio derruba Ibovespa, mas rali do petróleo segura Petrobras

A quarta-feira (8) foi marcada por uma forte onda de instabilidade nas mesas de operações, com as tensões geopolíticas globais voltando a ditar o ritmo dos negócios. A declaração contundente do presidente norte-americano, Donald Trump, anunciando o fim do cessar-fogo com o Irã, reacendeu os temores de um conflito de maior escala no Oriente Médio, fazendo o preço do petróleo disparar no mercado internacional e elevando os rendimentos dos títulos públicos globais. No Brasil, esse ambiente de aversão ao risco pesou sobre os ativos de maior liquidez: o Ibovespa fechou em queda de 0,79%, perdendo o patamar psicológico dos 170 mil pontos no pior momento do pregão, o que faz o índice acumular uma baixa de 0,78% no mês de julho.

Apesar do cenário adverso no exterior, a moeda nacional demonstrou resiliência, com o dólar comercial fechando praticamente estável, registrando uma leve baixa de 0,11%. Em Nova York, as bolsas enfrentaram uma sessão volátil e encerraram o dia em tom misto: os índices Dow Jones e S&P 500 cederam pressionados pelas preocupações com os reflexos da guerra sobre a inflação, enquanto o Nasdaq conseguiu fechar em terreno positivo, ancorado por anúncios corporativos de peso no setor de tecnologia. Por aqui, o prêmio de risco internacional contaminou o mercado de renda fixa, empurrando os juros futuros (DIs) para cima ao longo de toda a curva.

Diante de um cenário em que a volatilidade externa redesenha as projeções de curto prazo, convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes e os impactos estratégicos nas seções a seguir.

Olhar Global – Fim de cessar-fogo no Oriente Médio sacode Nova York e faz petróleo disparar mais de 5%

O cenário internacional sofreu um revés importante após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarar durante a cúpula da Otan que o acordo provisório com o Irã “está acabado”. A fala ocorreu após novos ataques a bases norte-americanas no Golfo e retaliações militares na noite anterior, frustrando as esperanças recentes de diplomacia e deixando os investidores em alerta sobre possíveis retaliações contra a infraestrutura de transporte de energia no Estreito de Ormuz. Como consequência direta, as cotações do petróleo dispararam para os maiores patamares desde 22 de junho, com o barril do tipo Brent saltando expressivos 5,20% para fechar cotado a US$ 78,02.

O salto das commodities energéticas renovou os temores de que a inflação global permaneça pressionada por mais tempo, empurrando os principais índices de Nova York para o terreno negativo logo na abertura. Contudo, o índice Nasdaq conseguiu virar para o campo positivo na reta final do pregão amparado pelo segmento de semicondutores. A Broadcom saltou 4,8% após fechar um bilionário acordo de fornecimento de chips com a Apple, e a Nvidia avançou 3,65% com informações de que a China planeja permitir a compra limitada de seus chips de Inteligência Artificial por empresas locais. Na ponta oposta, gigantes como Microsoft, Alphabet e as ações da SpaceX sofreram baixas relevantes.

Dow Jones: -1,09% (52.348,39 pts)
S&P 500: -0,28% (7.482,71 pts)
Nasdaq: +0,20% (25.870,65 pts)

Ibovespa – Bolsa cede a peso de mineradoras e bancos, mas petroleiras evitam tombo maior

O principal índice de referência de ações da B3 fechou a sessão de ontem em queda de 0,79%, aos 170.653,45 pontos, movimentando um volume financeiro de R$ 21,75 bilhões. No balanço acumulado do terceiro trimestre de 2026, o índice registra variação de -0,78% em julho, preservando um ganho positivo de +6,07% no ano.

A pressão vendedora esteve concentrada em grandes pesos pesados do índice acionário. As ações da Vale (VALE3) recuaram 4,59%, acompanhando as perdas estruturais do setor de mineração no exterior e ignorando a leve alta do minério de ferro na China. No setor financeiro, o aumento global da aversão ao risco puxou o Itaú Unibanco (ITUB4) para uma queda de 1,27%, influenciando o recuo de 0,96% do índice setorial. No segmento imobiliário, as perdas foram lideradas pela Cury (CURY3, -7,85%) após a divulgação de sua prévia operacional, contagiando papéis como MRV (MRVE3, -5,84%) e Tenda (TEND3, -5,09%) em um reflexo direto do avanço nas taxas de juros de mercado.

Em contrapartida, o setor de energia atuou como o grande amortecedor do Ibovespa no dia. Beneficiadas diretamente pela disparada nos preços internacionais do óleo bruto, as ações preferenciais da Petrobras (PETR4) avançaram 3,15% (com PETR3 subindo 2,79%). A PetroReconcavo (RECV3) pegou carona no fluxo positivo do setor e disparou 6,04%, ainda colhendo frutos de seus dados operacionais de produção. Outro destaque positivo ficou com a Natura (NTCO3), que saltou 5,59% ao reverter as perdas da abertura mesmo após projetar receitas trimestrais menores na comparação anual.

Juros – Geopolítica global e ata do Fed pressionam curva e abrem taxas futuras

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 registrou uma quarta-feira de forte abertura e estresse técnico na curva a termo, com os principais vértices apresentando avanços de até 8,5 pontos-base. O movimento de alta nas taxas foi chancelado pelo aumento global da aversão ao risco pós-declarações de Trump e pelo avanço dos rendimentos das Treasuries nos Estados Unidos, que absorveram a leitura mais dura da ata do FOMC sobre a persistência da inflação norte-americana. Mais cedo, o Tesouro Nacional realizou um leilão bem-sucedido de NTN-Bs e LFTs com venda integral, o que aliviou a curva temporariamente, mas o efeito foi revertido pela deterioração externa.

O que isso significa para o RPPS?

Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social, a flutuação nas taxas de DI futuro dita diretamente a avaliação das carteiras no curto e longo prazo.

O DI futuro funciona como o principal indexador de custo do dinheiro no país, servindo de base para balizar o retorno de títulos públicos federais, fundos de investimento e letras financeiras. Quando as taxas futuras sobem devido ao aumento do risco global, o preço dos ativos de prazos mais longos sofre um ajuste contábil para baixo.

Esse movimento técnico justificou as retrações marginais observadas no IMA-B 5+ (-0,0601%) e no IMA-B geral (-0,0048%), ao passo que os papéis pós-fixados de curtíssimo prazo e alta liquidez, representados pelo IRF-M 1 (+0,0489%), seguiram entregando retornos lineares estáveis e seguros para o caixa.

Diante do petróleo em alta e das incertezas internacionais, as opções digitais na B3 mostraram que o mercado reduziu levemente as apostas de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom em agosto, recuando de 78% para 72%. Para os comitês de investimentos dos RPPS, embora a volatilidade de curto prazo exija disciplina, os dias de abertura na curva são oportunidades excelentes para alocações estruturadas na renda fixa primária: adquirir papéis de longo prazo com prêmios de juros reais mais elevados permite blindar o patrimônio contra desvios inflacionários e superar a meta atuarial com segurança.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,0601%
IMA-B: -0,0048%
IMA-B 5: +0,0637%
IRF-M: -0,0731%
IRF-M 1: +0,0489%

Dólar – Real mostra resiliência global e moeda americana fecha estável a R$ 5,148

O dólar comercial encerrou o pregão de ontem praticamente estável perante o real, registrando uma leve baixa de 0,11%, cotado a R$ 5,1484 para venda.

Ao longo da sessão, a moeda norte-americana chegou a ganhar força no exterior frente a outras divisas emergentes após o acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio, motivando investidores internacionais a buscarem proteção em ativos considerados refúgios seguros. No entanto, a moeda brasileira mostrou firmeza no plano doméstico e limitou as perdas, amparada pela ausência de surpresas na divulgação da ata do Federal Reserve. Com esse comportamento, o dólar passa a acumular uma desvalorização de 6,21% no ano de 2026, ajudando a amortecer o repasse de custos importados para a economia real.

E agora?

A quinta-feira coloca as mesas de operações em compasso de monitoramento das retaliações e declarações bilaterais entre Washington e Teerã, elemento central para estimar a duração do choque sobre os preços dos combustíveis. No cenário macroeconômico, os investidores se concentram na divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos com os Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego, além de acompanharem atentamente o pronunciamento de Lorie Logan, dirigente do Fed, que pode trazer novas pistas sobre os rumos dos juros americanos sob a ótica inflacionária trazida pelo petróleo. No Brasil, a seletividade técnica na renda fixa ditará o ritmo dos prêmios de risco.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (09/07/2026)

Gatilhos econômicos importantes para monitorar hoje:

🇺🇸 09h30 – Departamento de Trabalho: Divulgação dos Pedidos Iniciais por Seguro-Desemprego semanal nos EUA.
🇺🇸 14h30 – Federal Reserve: Discurso de Lorie Logan, presidente do Fed de Dallas e membro votante do FOMC.

Acompanhe de perto as variações da curva de juros para calibrar a liquidez do seu instituto e garantir a imunização do seu passivo de longo prazo. Participe do nosso Morning News para conferir os impactos econômicos em tempo real.

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