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Reta final pré-eleitoral acelera o dólar e mantém Ibovespa no azul

A apenas três dias do primeiro turno das eleições e no penúltimo pregão do mercado antes da votação, o ambiente financeiro doméstico viveu um dia de forte expectativa e ajuste de posições. A busca por proteção diante das incertezas do pleito impulsionou o câmbio e elevou as taxas de juros, mas a força das empresas de commodities garantiu sustentação à renda variável.

Nesse cenário, o Ibovespa cravou sua terceira alta consecutiva ao subir +0,46%, registrando um acumulado de +0,46% no mês de outubro. O dólar comercial disparou +0,89%, cotado a R$ 5,220, enquanto os juros futuros no Brasil avançaram por toda a extensão da curva. Nos Estados Unidos, as bolsas americanas fecharam com leves altas, impulsionadas pelas ações de tecnologia, mesmo diante da contínua pressão nos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e na cotação do petróleo.

Para os comitês e conselhos de RPPS, dias de maior volatilidade exigem serenidade na leitura dos preços e foco na estratégia atuarial de longo prazo, entendendo que movimentos de curto prazo criam tanto ruídos na marcação a mercado quanto oportunidades de alocação em taxas atrativas.

Convido você a acompanhar na íntegra os detalhes e análises de cada segmento nas seções a seguir.

Wall Street opera em alta modesta sob os olhares atentos do mundo para o cenário brasileiro

O cenário internacional manteve o foco na América Latina. O presidente norte-americano, Donald Trump, declarou publicamente que está acompanhando de perto o processo eleitoral brasileiro, destacando a relevância geopolítica e econômica do país. Ao mesmo tempo, o mercado nos EUA tentou equilibrar o otimismo vindo do setor de Inteligência Artificial com o peso da alta do petróleo Brent — que voltou a superar os US$ 100 por barril com restrições de exportação na Ásia e os desdobramentos dos conflitos no Oriente Médio.

Esse ambiente de energia mais cara voltou a gerar apreensão com a inflação global. Como reflexo, os rendimentos dos títulos do Tesouro de 10 anos dos EUA atingiram os maiores patamares em mais de duas décadas, enquanto na Europa os custos de financiamento no Reino Unido alcançaram 6%, pressionando os governos locais.

Principais índices:

O índice Dow Jones subiu 0,04% (50.927,33 pontos)

O S&P 500 avançou 0,20% (7.666,68 pontos)

O Nasdaq registrou alta de 0,04% (26.871,59 pontos)

Bolsa brasileira engata terceira alta seguida sustentada por Vale e Petrobras

Em mais uma sessão marcada por forte oscilação, o Ibovespa superou os momentos de queda ao longo do dia e encerrou a quinta-feira com alta de 0,46%, atingindo os 187.197,46 pontos.

Desempenho acumulado do índice:

Dia (01/10): +0,46%
Semana: +2,03%
Outubro (Mês): +0,46%
4T26 (Trimestre): +0,46%
2026 (Ano): +16,18%

O termômetro do risco doméstico — medido pelo índice de volatilidade VXBR — manteve-se em patamares elevados (acima dos 32 pontos), sinalizando o clima de cautela dos investidores. O motor que garantiu a tração da Bolsa veio das companhias de grande peso (blue chips): a Vale (VALE3) subiu 0,56%, enquanto a Petrobras (PETR4) avançou 1,32%, impulsionada pela valorização do petróleo e pelos dados operacionais de recorde de produção no país.

O setor bancário apresentou comportamento misto (Bradesco +0,32%, Banco do Brasil -0,22%, Itaú -0,26% e Santander -2,96%). No varejo e consumo, o otimismo prevaleceu, com destaque para Magazine Luiza (+1,47%), Assaí (+2,10%) e Azzas 2154 (+7,02%). O mercado avalia que, embora o cenário político imponha volatilidade, as ações brasileiras continuam sendo negociadas a múltiplos atrativos quando comparadas ao seu histórico.

Curva de juros futuros avança com aumento do prêmio de risco pré-eleição

As taxas dos contratos de juros futuros (DIs) fecharam a sessão regular em alta de até 14,0 pontos-base ao longo de toda a curva, refletindo a postura defensiva dos agentes financeiros e a pressão dos juros soberanos globais.

Como se comportaram os principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,2061%
IMA-B: -0,1298%
IMA-B 5: +0,0012%
IRF-M: -0,1306%
IRF-M 1: +0,0385%

O que isso significa para a previdência (RPPS)?

O contrato de DI futuro representa a taxa de juros esperada pelo mercado para os próximos anos e serve como o principal parâmetro para precificar a renda fixa pública e privada (como NTN-Bs, LTNs e Letras Financeiras), além de influenciar a taxa de desconto aplicada aos valuation do mercado de ações.

Quando a curva de juros futuros se eleva, o preço de mercado dos títulos pré-fixados e atrelados à inflação sofre uma oscilação negativa imediata na marcação a mercado — o que justifica o recuo nos índices de maior prazo, como o IMA-B e o IRF-M. Para a gestão dos regimes próprios de previdência, essa elevação das taxas no mercado futuro amplia a oportunidade de contratar papéis públicos com cupons reais expressivos. É um momento propício para avaliar a alocação em títulos públicos em custódia até o vencimento (carrego), garantindo rentabilidades atrativas para o cumprimento das metas atuariais de longo prazo.

Dólar dispara a R$ 5,22 impulsionado por movimento global e busca por proteção

Após duas sessões de recuo, a moeda norte-americana voltou a subir com intensidade no mercado doméstico, encerrando o dia com alta de 0,89%, cotada a R$ 5,220 na venda (com mínima de R$ 5,170 e máxima de R$ 5,237).

O movimento de alta do dólar refletiu tanto a valorização da moeda frente às principais divisas globais — com o índice DXY subindo 0,40%, aos 101,85 pontos — quanto a busca dos investidores locais por hedge (proteção cambial) na véspera das eleições. Uma cotação cambial mais elevada exige atenção dos gestores quanto à trajetória dos índices de inflação (IPCA e IGP-M), dada a transmissão de custos para produtos e insumos importados.

E agora?

A sexta-feira reserva o último pregão antes da ida dos brasileiros às urnas no domingo. Além das atenções totalmente voltadas para os momentos finais da campanha eleitoral no Brasil, o mercado global monitora a divulgação do relatório de emprego nos Estados Unidos (Payroll) e os dados da produção industrial brasileira. A expectativa do mercado é de uma sessão de alta sensibilidade, na qual a manutenção da disciplina nas diretrizes da Política Anual de Investimentos permanece como a melhor salvaguarda para o patrimônio previdenciário.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos

Confira os principais dados previstos para esta Sexta-feira (02/10/2026):

🇧🇷 09:00 – Produção Industrial (Agosto)
🇺🇸 09:30 – Relatório de Emprego (Payroll) não-agrícola (Setembro)
🇧🇷 16:30 – Posições líquidas de especuladores no relatório da CFTC

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