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Sequência de altas da bolsa interrompida, Dólar se mantém estável abaixo de R$ 5,00

Nem mesmo a genialidade de Leonardo da Vinci, que hoje completaria 574 anos, explicaria com exatidão a arquitetura complexa dos mercados nesta quarta-feira. Após uma sequência impressionante de 11 altas consecutivas, o Ibovespa interrompeu o fôlego e recuou 0,46%, fechando aos 197.737,61 pontos. O movimento foi influenciado por um ajuste técnico e pelo peso das ações da Petrobras, que ignoraram a estabilidade do petróleo lá fora. No acumulado de abril, o índice ainda sustenta uma alta robusta de 5,48%.

No cenário das divisas, o dólar comercial emendou sua sexta queda seguida, ainda que marginal (-0,03%), encerrando a R$ 4,992. Enquanto isso, em Nova York, o otimismo com a possível prorrogação do cessar-fogo no Oriente Médio levou o S&P 500 a romper a barreira histórica dos 7 mil pontos. Por aqui, os juros futuros (DIs) fecharam de forma mista, com a ponta longa da curva subindo após um dado de inflação (IGP-10) que assustou os investidores.

O resumo do dia é um esboço de cautela: o mercado celebra os recordes globais, mas mantém os olhos fixos na inflação doméstica e no tabuleiro geopolítico. Convido você a conferir os detalhes desse cenário nas seções a seguir.

Olhar Global – S&P 500 faz história acima dos 7 mil pontos

O panorama internacional viveu um dia de recordes e diplomacia de bastidores. O grande destaque foi o índice S&P 500, que pela primeira vez ultrapassou os 7.000 pontos, impulsionado pela percepção de que o pior da crise energética pode ter passado. O mercado acredita que a probabilidade de uma escalada maior na guerra diminuiu, o que força investidores que estavam “protegidos” a voltarem para as compras.

A arquitetura da paz, no entanto, segue enigmática como o sorriso da Mona Lisa. Embora EUA e Irã discutam estender a trégua por mais duas semanas (além do dia 22 de abril), o Tesouro americano ainda não deu o braço a torcer oficialmente. A incerteza mantém o ouro estável e o petróleo operando próximo do zero, enquanto o mundo aguarda o próximo movimento desse tabuleiro.

* Dow Jones: -0,15% (48.463,72 pts)

* S&P 500: +0,80% (7.022,95 pts)

* Nasdaq: +1,60% (24.016,02 pts)

Ibovespa – Petrobras pesa e MBRF despenca após venda de sócio

O principal índice da bolsa brasileira encerrou aos 197.737,61 pontos. No ano de 2026, a valorização acumulada é de +22,72%.

O dia foi de realização de lucros. A Petrobras (PETR4) recuou 2,07%, sendo a principal âncora negativa do índice. Mas o movimento mais brusco veio da MBRF (MBRF3), que desabou 10,38% após o fundo soberano da Arábia Saudita (SALIC) vender uma fatia relevante de ações, inundando o mercado com papéis.

Do lado positivo, a Vale (VALE3) conseguiu uma leve alta de 0,16%, acompanhando o minério de ferro. O setor bancário operou sem direção única: enquanto Bradesco (+0,10%) e Itaú (+1,10%) subiram, o Banco do Brasil (-3,86%) sofreu com o mau humor do setor público e ajustes de carteira. O Ibovespa hoje pareceu um rascunho de Da Vinci: cheio de correções e focado em detalhes técnicos antes de tentar o próximo salto rumo aos 200 mil pontos.

Juros- IGP-10 e a inclinação da curva no RPPS

O mercado de juros futuros (DIs) apresentou o que chamamos de “inclinação da curva”. Na prática, as taxas para prazos curtos caíram, refletindo dados de serviços e varejo mais fracos que o esperado. Porém, as taxas de longo prazo subiram até 6,5 pontos-base, reagindo ao IGP-10 de abril, que saltou 2,94% — um reflexo direto da guerra nos custos de fertilizantes e insumos industriais.

O que isso significa para o RPPS?

Para o gestor de previdência, esse movimento exige atenção redobrada. O aumento nas taxas longas provoca uma marcação a mercado negativa nos títulos públicos de vencimento distante (como NTN-Bs longas), reduzindo o valor presente desses ativos hoje. Conforme o mercado espera, se a inflação ao produtor continuar pressionada, o Banco Central terá menos espaço para ser agressivo nos cortes da Selic, o que torna o desafio de bater a meta atuarial mais dependente de uma gestão ativa da carteira.

Comportamento dos Índices:

* IMA-B 5+: +0,0614%

* IMA-B: +0,0833%

* IMA-B 5: +0,1116%

* IRF-M: -0,0084%

* IRF-M 1: +0,0657%

Dólar – Sexta queda seguida e o suporte dos R$ 5,00

O dólar comercial fechou em queda de 0,03%, cotado a R$ 4,992.

A moeda americana segue em uma anatomia de baixa frente ao real, acompanhando o enfraquecimento global da divisa (índice DXY caiu 0,08%). No dia a dia, a manutenção do dólar abaixo de R$ 5,00 é um alívio para conter o repasse dos preços internacionais de combustíveis e alimentos. Para os investimentos, essa estabilidade atrai o investidor estrangeiro, que vê no Brasil um ambiente “relativamente bem posicionado” em relação a outros emergentes.

E agora?

A quinta-feira será o dia de medir o pulso da nossa economia com o IBC-Br, considerado a prévia do PIB. O mercado projeta um crescimento de 0,47% em fevereiro. Além disso, as atenções se voltam para a China, que divulgará dados industriais e de varejo, o que deve ditar o ritmo da Vale e das siderúrgicas amanhã. O cenário exige a precisão de um polímata: é preciso olhar para a atividade, para a inflação e para a geopolítica ao mesmo tempo.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (16/04)

Fique de olho nestes dados que podem movimentar seus ativos hoje:

* 🇧🇷 09:00 – IBC-Br (Fevereiro): A prévia do PIB brasileiro pelo Banco Central.

* 🇪🇺 08:30 – Atas do BCE: Detalhes sobre a política monetária na Europa.

* 🇺🇸 09:30 – Pedidos de Seguro-Desemprego (EUA): Saúde do mercado de trabalho americano.

* 🇺🇸 09:35 – Discurso de Williams (Fed): Pistas sobre o futuro dos juros nos EUA.

Mantenha sua estratégia bem desenhada e atenta aos detalhes. Acompanhe nosso Morning News.

 

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