MORNING NEWS

Grandes bancos quebram sequência de quedas e resgatam IBOVESPA

Finalmente um respiro para as telas dos investidores. Após emendar três sessões consecutivas de perdas, o principal índice da Bolsa brasileira encontrou forças para interromper a sangria. O Ibovespa fechou em alta de 0,68%, aos 169.813,15 pontos. Embora o ganho traga um alívio técnico, o cenário estrutural de curto prazo ainda exige cautela: o índice segue em canal de correção desde o pico histórico de 199 mil pontos registrado em abril. No acumulado de junho, o índice sustenta uma alta de 0,47%, enquanto o saldo de 2026 preserva ganho de +5,59%.

A virada do pregão doméstico foi patrocinada quase que exclusivamente pelo peso do setor financeiro, que jogou na defesa e blindou o índice contra a desvalorização das commodities. No exterior, os mercados operaram sob o tradicional vaivém de notícias do Oriente Médio, divididos entre novas acusações de Washington a Teerã e a reabertura parcial do tráfego marítimo, o que gerou um forte recuo no preço do petróleo. Como reflexo, o dólar comercial fechou em leve queda de 0,04%, cotado a R$ 5,178, as bolsas americanas encerraram de forma mista e os juros futuros (DIs) recuaram em sua maioria, abrindo dinâmicas de preços importantes para a carteira institucional.

A agenda de hoje traz dados cruciais que podem ditar os rumos das taxas globais. Convidamos você a acompanhar o panorama completo nas seções a seguir.

Olhar Global – Petróleo recua com Ormuz livre, mas Wall Street calibra risco pré-IPO

O panorama internacional operou sob uma dualidade de forças nesta terça-feira. No front geopolítico, as tensões ganharam novos capítulos após o governo americano culpar o Irã pela queda de um helicóptero militar. Por outro lado, o tráfego de navios comerciais no Estreito de Ormuz registrou um aumento expressivo, o que mitigou os temores de um desabastecimento de curto prazo e provocou uma queda elástica nas cotações internacionais do petróleo do tipo Brent.

Em Wall Street, os investidores adotaram uma postura mais seletiva, provocando um fechamento misto. O mercado acredita que, além dos ruídos energéticos tradicionais, as mesas de operação em Nova York começam a passar por uma rotação tática de carteiras, migrando de papéis de tecnologia para ações cíclicas atreladas à infraestrutura. Esse movimento de realização de lucros é alimentado pela proximidade do megajulgamento do mercado: o aguardado IPO da SpaceX, que tende a drenar liquidez do sistema nos próximos dias e deixar os operadores mais nervosos.

O índice Dow Jones avançou 0,17% (50.870,94 pts)
O S&P 500 recuou 0,26% (7.386,47 pts)
O Nasdaq teve queda de 0,97% (25.678,85 pts)

Ibovespa – Setor bancário lidera o azul e Braskem dispara mais de 3%

O principal índice da B3 encerrou o dia aos 169.813,15 pontos. No acumulado do segundo trimestre de 2026, a variação aponta uma retração de -8,70%.

A recuperação do índice foi liderada em bloco pelos grandes bancos do varejo nacional, que atuaram como verdadeiros botes de salvamento para estabilizar o humor local. Papéis de alta liquidez como o Itaú Unibanco (ITUB4, +1,82%), o Santander (SANB11, +1,46%) e o Bradesco (BBDC4, +1,34%) sustentaram ganhos firmes na sessão. Outro grande destaque positivo ficou por conta da Braskem (BRKM5), que disparou 3,93% repercutindo de forma positiva as mudanças estruturais em seu comando corporativo.

Na ponta de baixo, as duas maiores ações de peso da carteira jogaram contra: a Vale (VALE3) recuou 0,47%, acompanhando o dia fraco para o minério de ferro, e a Petrobras (PETR4) cedeu 0,36%, digerindo o recuo do petróleo internacional. O Ibovespa agiu ontem de forma cirúrgica: com as commodities sem tração, foi a solidez do setor financeiro que impediu o índice de furar a linha dos 169 mil pontos.

Juros – Acomodação técnica nos DIs traz alívio às carteiras indexadas

O mercado de juros futuros (DIs) registrou um dia de fechamento (queda de taxas) ao longo de praticamente toda a extensão da curva, com os contratos futuros recuando até 3 pontos-base, especialmente nos vértices de média e longa duração.

O movimento de descompressão técnica foi sintonizado com o recuo das taxas dos títulos americanos no exterior. No ambiente doméstico, o Tesouro Nacional também adotou uma estratégia conservadora ao reduzir a oferta de títulos em seu leilão de NTN-Bs, evitando colocar pressão adicional de volatilidade no mercado secundário.

O que isso significa para o RPPS?

Para os regimes próprios, essa acomodação sutil das taxas futuras se traduz em uma marcação a mercado positiva no encerramento do dia.

Quando os juros futuros recuam, o preço contábil atual dos títulos públicos prefixados (IRF-M) e indexados à inflação (IMA-B) que já estão na carteira do fundo de pensão sofre uma valorização contábil imediata nos balanços.

Esse comportamento traz um respiro saudável para o patrimônio institucional frente à meta atuarial. No entanto, a vigilância técnica continua em patamar elevado. As opções digitais da B3 já passaram a precificar 68% de probabilidade de manutenção da taxa Selic em 14,50% na reunião do Copom da semana que vem, refletindo o cenário de inflação desancorada captado pelo último Boletim Focus. Para o gestor de RPPS, capturar as taxas reais elevadas ofertadas na curva atual continua sendo o porto seguro mais eficiente para blindar o passivo de longo prazo.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,1088%
IMA-B: +0,0633%
IMA-B 5: +0,0078%
IRF-M: -0,0240%
IRF-M 1: +0,0370%

Dólar – Moeda opera em estabilidade e encerra a R$ 5,17

O dólar comercial fechou a sessão com uma oscilação negativa marginal de 0,04%, cotado a R$ 5,178.
Após emendar três dias consecutivos de fortes altas no mercado interno, a divisa norte-americana encontrou um ponto de equilíbrio. O movimento de estabilização acompanhou o recuo global do índice DXY (-0,08%, aos 99,96 pontos), que cedeu terreno após o alívio temporário nas cadeias de energia internacionais. No plano doméstico, o governo segue estudando medidas setoriais para conter o repasse cambial sobre os preços de insumos atacadistas, mantendo o Real ancorado no elevado diferencial de juros da nossa economia.

E agora?

A quarta-feira amanhece com o prato principal da agenda macroeconômica global servido logo cedo: a divulgação do IPC (inflação ao consumidor) de maio nos Estados Unidos. O indicador é o balizador mais aguardado pelas mesas de operação para calibrar o tamanho do desafio inflacionário que o Fed terá pela frente. No cenário nacional, os investidores monitoram os dados de Confiança do Consumidor e o fluxo cambial semanal. Se a inflação americana vier comportada, as taxas de juros globais ganham espaço para ceder e apoiar a continuidade da recuperação dos ativos brasileiros.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (10/06)

Gatilhos econômicos fundamentais para monitorar hoje:

🇺🇸 09h30 – Bureau of Labor Statistics: Índice de Preços ao Consumidor (IPC de maio nos EUA).
🇺🇸 11h30 – EIA: Estoques Oficiais de Petróleo Bruto nos EUA.
🇧🇷 12h00 – Reuters/Ipsos: Índice de Confiança do Consumidor no Brasil.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Fluxo Cambial Estrangeiro semanal.

Proteja suas alocações com fundamentos rigorosos e blinde o seu passivo. Acompanhe a abertura dos mercados e a leitura do IPC americano no nosso Morning News.

R3 Investimentos

Navegue por categorias

Conteúdo estratégico para quem investe com visão de longo prazo.
Acompanhe os principais fatos e indicadores do mercado com análise técnica e acessível.
O seu informativo diário com tudo o que você precisa saber para investir com segurança e visão de futuro.
Tudo que você precisa saber sobre RPPS, legislação, cenário econômico e estratégia: tudo sobre o universo dos Regimes Próprios.

Mais notícias