A terça-feira (28) trouxe um ambiente de alívio e otimismo para o mercado financeiro doméstico, impulsionado por dados inflacionários significativamente melhores do que o esperado no Brasil. Em um dia de forte desempenho das ações de grandes bancos e da Petrobras, o Ibovespa fechou em alta de 0,70%, aos 176.564,75 pontos, consolidando uma valorização acumulada de +2,64% no mês de julho.
No mercado de câmbio, o dólar comercial registrou leve alta de 0,20%, cotado a R$ 5,122, refletindo a postura cautelosa dos investidores antes de decisões de juros no exterior. Em Wall Street, as bolsas americanas fecharam em tom misto, divididas entre a recuperação de papéis tradicionais e a pressão no setor de tecnologia. Na renda fixa nacional, o principal destaque foi o descompresso das taxas: os juros futuros (DIs) recuaram por toda a curva, estimulados pela prévia da inflação oficial (IPCA-15) abaixo das projeções. Esse cenário reforça as apostas de início de cortes na taxa Selic na próxima semana e abre janelas estratégicas para a gestão de ativos previdenciários. Convido você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais e as análises de cada segmento nas seções a seguir.
Olhar Global – Cautela pré-Fed e liquidação em tecnologia marcam o dia em Wall Street
O panorama internacional operou sob forte cautela na terça-feira, com as atenções voltadas para a decisão de política monetária do Federal Reserve (o banco central dos Estados Unidos). Os mercados globais também reagiram a uma intensa rodada de vendas de ações de semicondutores e inteligência artificial. O movimento foi deflagrado por preocupações com a sustentabilidade dos altos investimentos no setor e por sinais de avanços na fabricação de chips na China, evento que levou a Bolsa da Coreia do Sul a despencar 11% no dia e espalhou defensividade pelas mesas de operações.
No mercado de commodities energéticas, o petróleo registrou o seu segundo dia consecutivo de recuo firme, sustentado por relatos de trégua diplomática e conversas entre Estados Unidos, Irã e mediadores regionais no Estreito de Ormuz. Em Nova York, os índices fecharam de forma divergente: o Dow Jones teve alta consistente puxado por empresas industriais e de consumo, enquanto o Nasdaq encerrou no terreno negativo.
O índice Dow Jones subiu 1,03% (52.747,53 pontos)
O S&P 500 avançou 0,22% (7.429,22 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,22% (24.876,91 pontos)
Ibovespa – Bancos e Petrobras lideram alta da Bolsa, enquanto Telecom sofre após balanços
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou o pregão aos 176.564,75 pontos, registrando variação positiva de +0,70%. Com o resultado, o Ibovespa amplia os ganhos do terceiro trimestre (3T26) para +2,64% e acumula uma alta de +9,58% no ano de 2026.
A Bolsa paulista colheu os frutos do bom humor gerado pelos dados de inflação doméstica. O setor financeiro funcionou como o grande motor do dia, com fortes altas no Banco do Brasil (BBAS3, +1,61%), Santander Brasil (SANB11, +1,13%), Itaú Unibanco (ITUB4, +0,40%), Bradesco (BBDC4, +0,32%) e na operadora B3 (B3SA3, +1,78%). A Petrobras (PETR4) avançou 0,49% em dia de expectativa pela divulgação de seus dados operacionais de produção do 2T26, enquanto a WEG (WEGE3) subiu 0,65% com revisões otimistas de analistas. As ações da Vale (VALE3) fecharam estáveis (0,00%), acompanhando o recuo do minério de ferro na China.
Na ponta negativa, as empresas do setor de telecomunicações figuraram entre os principais destaques de baixa: TIM (TIMS3) caiu 5,81% e Vivo (VIVT3) recuou 5,97%, ambas penalizadas pela reação do mercado aos seus respectivos balanços trimestrais divulgados na noite anterior.
Juros – IPCA-15 surpreende para baixo e empurra juros futuros para queda em toda a curva
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a terça-feira registrando um forte movimento de fechamento de taxas, com recuos de até 7,0 pontos-base distribuídos ao longo de toda a estrutura a termo.
A descompressão das taxas futuras foi impulsionada pela divulgação do IPCA-15 de julho, que registrou variação bem abaixo das estimativas de mercado. A surpresa positiva veio amparada principalmente pela deflação de 0,66% no grupo de Alimentação e Bebidas e pela desaceleração nos núcleos de inflação (cuja média cedeu para 0,21%), sinalizando que a política monetária restritiva segue surtindo efeito sobre os preços.
O que isso significa para o RPPS?
Para a gestão dos Regimes Próprios de Previdência Social, a trajetória do DI futuro dita a precificação dos ativos e o balanceamento entre risco e retorno (ALM).
O DI futuro é a taxa de juros que serve de referência para valorações de títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado. Quando a curva de juros cai, os ativos de renda fixa pré-fixados e atrelados aos índices de preços passam por uma valorização contábil imediata via marcação a mercado positiva.
Esse alívio refletiu-se nos ganhos dos índices, com o IRF-M subindo +0,2734% e o IRF-M 1 avançando +0,0753%, garantindo liquidez e retorno linear para o caixa de curto prazo. Nos índices indexados à inflação de prazos mais longos, como o IMA-B 5+ (-0,3182%) e o IMA-B geral (-0,1867%), o dia foi de leve ajuste técnico nas taxas reais. Conforme a expectativa do mercado, o resultado do IPCA-15 praticamente consolida 86% de probabilidade de o Copom iniciar o ciclo de flexibilização monetária com um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na próxima semana. Para a governança do RPPS, o momento é propício para avaliar a imunização do passivo atuarial, aproveitando que as taxas reais dos títulos públicos de longo prazo continuam oferecendo retornos atrativos em relação à meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,3182%
IMA-B: -0,1867%
IMA-B 5: -0,0265%
IRF-M: +0,2734%
IRF-M 1: +0,0753%
Dólar – Moeda sobe para R$ 5,122 em dia de cautela global pré-Federal Reserve
O dólar comercial encerrou o pregão em leve alta de 0,20%, cotado a R$ 5,122 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,110 e a máxima de R$ 5,130).
A valorização da moeda norte-americana no mercado interno ocorreu de forma descolada do ambiente global, onde o índice DXY recuou 0,14%, para 101,39 pontos. O mercado acredita que os investidores locais adotaram uma postura defensiva nas mesas de câmbio, buscando proteção antes da decisão de juros nos EUA e acompanhando a cautela generalizada que atingiu os mercados acionários emergentes após o tombo das bolsas asiáticas.
E agora?
A quarta-feira marca o dia mais aguardado da semana para os mercados financeiros globais: a Super Quarta de decisão de política monetária do Federal Reserve. Às 15h00 (horário de Brasília), o banco central norte-americano anunciará sua taxa-alvo de juros, evento crucial em que investidores buscarão sinalizações sobre os próximos passos da inflação global e dos custos de financiamento nos EUA. No Brasil, o acompanhamento dos dados semanais de Fluxo Cambial Estrangeiro e a divulgação dos estoques de petróleo nos EUA completam a agenda de monitores das mesas de operação.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (29/07/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 11h30 – EIA: Divulgação do relatório de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Divulgação do relatório semanal de Fluxo Cambial Estrangeiro no Brasil.
🇺🇸 15h00 – Federal Reserve: Decisão da Taxa-alvo de Juros dos Fed Funds nos EUA.
Mantenha a governança do seu instituto previdenciário atualizada com as melhores práticas de gestão de passivo e aproveite a descompressão das taxas futuras para otimizar suas alocações. Acompanhe a repercussão da decisão do Fed no nosso Morning News.