A última sessão de negócios trouxe dinâmicas contrastantes entre o mercado acionário e o ambiente de renda fixa no Brasil. Enquanto o anúncio de uma nova rodada de tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos e a realização de lucros no setor petrolífero pressionaram o Ibovespa, que fechou em queda de 1,52%, aos 174.041,95 pontos, a renda fixa brasileira comemorou um dia de forte alívio. No acumulado do mês de julho, a Bolsa mantém sinal positivo de +1,17%.
No câmbio, o dólar comercial fechou em leve baixa, cotado a R$ 5,081, enquanto as bolsas em Nova York encerraram a sessão em tom misto. A grande notícia para a gestão previdenciária veio da curva de juros futuros (DIs), que despencou de forma expressiva por toda a sua extensão, impulsionando a rentabilidade dos títulos públicos federais de longo prazo. Paralelamente, discursos de autoridades econômicas na
Expert XP trouxeram sinalizações importantes sobre as metas fiscais e os próximos passos do Copom. Convido você a acompanhar na íntegra os detalhes e os impactos dessas movimentações para o seu portfólio nas seções a seguir.
Olhar Global – Sinais mistos em Wall Street e alívio temporário nas commodities
O ambiente internacional encerrou a semana sem uma direção única nas praças acionárias. Em Wall Street, o setor de tecnologia continuou passando por ajustes, embora o balanço positivo da Intel tenha trazido sustentação pontual. No campo geopolítico e comercial, a retórica do governo norte-americano voltou a subir de tom com ameaças de novas barreiras tarifárias direcionadas à União Europeia após multas aplicadas à Big Techs.
No Oriente Médio, apesar da rejeição inicial de propostas de cessar-fogo pelo Irã e da manutenção de bombardeios, os preços do petróleo registraram uma correção técnica de baixa na sexta-feira, aliviando temporariamente os temores globais de inflação imediata.
O índice Dow Jones subiu 0,45%
O S&P 500 avançou 0,05%
O Nasdaq teve queda de 0,64%
Ibovespa – Bolsa cede a tarifas americanas e recuo de commodities, mas fecha semana no azul
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou o pregão cotado aos 174.041,95 pontos. Apesar do recuo no dia, o Ibovespa acumulou um ganho de +0,19% na semana, sustentando uma valorização de +1,17% no mês de julho e de +8,02% no ano de 2026.
O mercado reagiu com cautela ao anúncio de novas sanções comerciais promovidas pelo governo norte-americano sob a justificativa de “trabalho forçado”, medida que afetou diversos produtos brasileiros mesmo com uma lista de exceções. Pressionando a Bolsa para baixo, os grandes bancos registraram recuo em bloco, com quedas no Banco do Brasil (BBAS3, -2,77%), Bradesco (BBDC4, -1,28%), Itaú Unibanco (ITUB4, -1,08%) e Santander (SANB11, -1,09%). No setor de energia, a retração do petróleo fez a Petrobras (PETR4) recuar 1,72% e a PRIO (PRIO3) ceder 2,84%. A mineradora Vale (VALE3) caiu 0,58% no dia, mas fechou a semana com ganho acumulado superior a 3%. Na ponta mais negativa, a Isa Energia (ISAE4) despencou 7,16% após a precificação de sua oferta primária de ações.
Por outro lado, as ações da WEG (WEGE3, +0,70%) mantiveram trajetória positiva após dados otimistas de seu balanço, enquanto a Totvs (TOTS3, +1,55%) subiu impulsionada pelo interesse do mercado em soluções voltadas à Inteligência Artificial.
Juros – Curva de DIs despenca e promove forte valorização contábil na Renda Fixa
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a sexta-feira com um movimento firme de alívio e fechamento de taxas em toda a curva. Os contratos de curto, médio e longo prazo recuaram entre 20 e 27 pontos-base, com os vértices mais longos registrando os declínios mais intensos. O movimento foi estimulado pela queda do petróleo e pelo recuo nos rendimentos da renda fixa global, além de absorver declarações de autoridades na Expert XP: o secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, reforçou o compromisso com a estabilização da dívida pública, enquanto o presidente do BC, Gabriel Galípolo, reafirmou que o cenário exige juros restritivos, mas que o Copom avalia um “plano de voo” para aproximar a inflação da meta.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos de Regimes Próprios, a queda nas taxas de DI futuro traz um efeito direto de valorização patrimonial (ALM).
O DI futuro serve de referência para a precificação de títulos públicos federais e ativos de crédito privado. Quando as taxas futuras caem de forma expressiva, o valor de mercado (marcação a mercado) dos títulos de renda fixa de longo prazo mantidos na carteira do fundo sofre uma elevação imediata.
Esse movimento traduziu-se em excelentes ganhos diários para os índices atrelados à inflação e pré-fixados, com o IMA-B 5+ saltando +0,4362% e o IMA-B geral avançando +0,3271%, impulsionando os portfólios em direção ao cumprimento da meta atuarial. Ao mesmo tempo, a parcela alocada em caixa de curtíssimo prazo, balizada pelo IRF-M 1 (+0,1092%), garantiu retorno linear estável. O mercado passa a atribuir cerca de 70% de probabilidade para um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião do Copom de agosto, reforçando as apostas de continuidade da flexibilização monetária.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: +0,4362%
IMA-B: +0,3271%
IMA-B 5: +0,1942%
IRF-M: +0,4540%
IRF-M 1: +0,1092%
Dólar – Dólar comercial recua para R$ 5,081 acompanhando o alívio nos juros locais
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,06%, cotado a R$ 5,081 para venda (acumulando recuo de 0,58% na semana).
A moeda norte-americana apresentou leve valorização no cenário global frente a outras divisas emergentes (com o índice DXY avançando para 101,47 pontos), mas cedeu terreno perante o Real no mercado doméstico. O mercado acredita que a forte queda nas taxas dos juros futuros internos e os discursos de responsabilidade fiscal proferidos pela equipe econômica ajudaram a atrair fluxo e desacelerar a pressão cambial gerada pelos ruídos tarifários com Washington. A estabilização do câmbio atua como um fator positivo para conter repasses inflacionários importados.
E agora?
A semana que se inicia promete acelerar o ritmo das decisões econômicas no Brasil e no mundo. Todas as atenções estarão concentradas na quarta-feira, dia em que o Federal Reserve anunciará sua decisão de política monetária nos EUA, a segunda sob o comando de Kevin Warsh. No plano doméstico, o mercado analisa logo cedo os dados de confiança do consumidor e as revisões de inflação e Selic divulgadas no Boletim Focus pelo Banco Central, ajustando as expectativas finais antes da reunião do Copom programada para o início de agosto.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (27/07/2026)
Principais divulgações para acompanhar hoje:
🇧🇷 08h00 – FGV: Divulgação do Índice de Confiança do Consumidor de julho.
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Relatório com as expectativas de mercado no Boletim Focus.
🇺🇸 09h30 – US Census Bureau: Divulgação do relatório de Pedidos de Bens Duráveis de junho nos EUA.
Aproveite o movimento de valorização contábil na curva de juros para recalibrar a estrutura de duration do seu instituto previdenciário e garantir a imunização do seu passivo atuarial. Acompanhe os desdobramentos do Focus e a leitura dos mercados no nosso Morning News.
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