A última sessão de negócios da semana passada reservou uma daquelas reviravoltas técnicas que testam o coração dos investidores. Mesmo abrindo a sexta-feira em queda livre, o Ibovespa garantiu uma virada surpreendente e fechou em alta de 0,76%, aos 173.295,14 pontos. O movimento foi crucial para o principal índice da nossa Bolsa, que fechou a semana com um ganho consolidado de 2,95% e praticamente zerou as perdas acumuladas, registrando um recuo de apenas 0,24% no mês de junho. Com essa arrancada, a rentabilidade no ano de 2026 atinge confortáveis +8,41%.
A dinâmica das mesas refletiu um verdadeiro cabo de guerra entre dados de atividade econômica e ajustes técnicos corporativos. No câmbio, após uma abertura sob pressão, a moeda nacional reagiu amparada por uma intervenção de peso do Banco Central, fazendo o dólar comercial recuar 0,20%, cotado a R$ 5,167. Na renda fixa doméstica, o cenário foi marcado por uma forte inclinação: os juros futuros (DIs) de curto prazo caíram, precificando os dados positivos de emprego e inflação recente, enquanto os prazos longos subiram capturando prêmios de risco. No exterior, as bolsas americanas fecharam em baixa, após flertarem com o campo positivo à tarde, penalizadas pela volatilidade no setor de tecnologia.
O início da última semana do primeiro semestre coloca indicadores cruciais na mesa de análise. Convidamos você a acompanhar o panorama completo nas seções a seguir.
Olhar Global – Nova York sofre nova virada na reta final com volatilidade tecnológica e tensões no mapa geopolítico
Os mercados internacionais vivenciaram um pregão de intensa instabilidade tática. Em Wall Street, os índices abriram em baixa devido ao ceticismo com o setor de Inteligência Artificial e a notícias sobre o adiamento do IPO da OpenAI para o próximo ano. Embora o mercado acredite que a demanda por infraestrutura tecnológica e semicondutores siga insaciável no longo prazo, o curto prazo impôs uma realização de lucros. Os índices chegaram a virar para o terreno positivo no meio da tarde, mas perderam o fôlego e encerraram no vermelho.
Para além das telas de ações, o risco geopolítico voltou a ganhar tração no Oriente Médio. O monitoramento de novas interceptações de navios comerciais pelo Irã no Estreito de Ormuz reacendeu alertas nas cadeias de suprimentos. Paralelamente, o anúncio de propostas tarifárias pelo presidente norte-americano, Donald Trump, direcionadas a países que taxem companhias de tecnologia, elevou o tom defensivo global. Na Europa, as bolsas locais acompanharam a fraqueza de Nova York e fecharam em queda, apesar de a União Europeia relatar melhora gradual no fluxo de combustíveis fósseis.
Dow Jones: -0,01% (na semana: +0,68%)
S&P 500: -0,06% (na semana: -2,36%)
Nasdaq: -0,24% (na semana: -4,60%)
Ibovespa – Setor financeiro lidera rali de recuperação e neutraliza baixas de Vale e Petrobras
O principal índice de referência de ações da B3 encerrou a jornada aos 173.295,14 pontos. No recorte do segundo trimestre, o índice acumula uma variação de -7,24%.
O desempenho positivo do pregão teve como principal motor o setor bancário, que atuou como uma verdadeira âncora de liquidez e sustentou os ganhos da Bolsa doméstica. O Banco do Brasil (BBAS3) subiu 1,45%, o Bradesco (BBDC4) avançou 1,70%, o Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,29% e o Santander (SANB11) valorizou 0,57%, acompanhados pelo salto de 2,12% da B3 (B3SA3). No setor de proteína animal, o dia foi de forte apetite comprador, com a BRF (BRFS3) avançando 2,70% e a Minerva (BEEF3) subindo 1,99%.
Essa força conjunta foi mais do que suficiente para neutralizar o peso das duas maiores empresas do índice. A Petrobras (PETR4) recuou 1,01%, acompanhando a descompressão das cotações globais do óleo bruto, enquanto a Vale (VALE3) cedeu 0,65%, descolando-se temporariamente da alta do minério de ferro na Ásia. Na ponta de baixo, a Suzano (SUZB3) desidratou 4,50% em meio à divisão de opiniões sobre o setor de celulose, e a Braskem (BRKM5) desabou 8,36% após sofrer rebaixamentos institucionais por conta de entraves em sua reestruturação.
Juros – Curva de DIs sofre inclinação com alívio nos prazos curtos e cautela nas taxas longas
O mercado de juros futuros na B3 operou sob uma forte reorganização de posições, resultando em uma inclinação explícita da estrutura a termo. Estimulados pelo recuo recente do IPCA-15 e por dados de emprego dentro do esperado, os contratos de curtíssimo prazo registraram quedas expressivas de até 10,5 pontos-base nos vértices mais próximos. A expectativa do mercado consolida a leitura de que o Banco Central terá espaço para efetuar um ajuste de 25 pontos-base na Selic em agosto. Em contrapartida, os vértices mais longos da curva subiram levemente, embutindo os prêmios de risco capturados pela Pesquisa Firmus do BC, que mostrou uma elevação na mediana das expectativas de inflação dos empresários de 4,0% para 5,0% em 2026.
O que isso significa para o RPPS?
Essa dinâmica de inclinação da curva — onde o curto prazo cai e o longo prazo sobe — altera diretamente o valor presente e as estratégias de alocação das carteiras previdenciárias.
O DI futuro é o grande balizador financeiro do país: ele afeta as taxas de desconto de papéis públicos, letras financeiras e títulos de crédito privado, além de ditar o custo de oportunidade para ativos de renda variável.
Com o recuo da ponta curta da curva, as carteiras colhem previsibilidade e segurança nos alvos pós-fixados e fundos de liquidez, como o IRF-M 1 (+0,0604%). Simultaneamente, a elevação marginal das taxas na ponta longa causou uma ligeira pressão técnica nos indexadores de prazo estendido, fazendo o IMA-B 5+ recuar 0,4971%, enquanto o IMA-B geral oscilou -0,2074%.
Para os gestores de RPPS, essas oscilações não devem ser vistas com alarme, mas sim como janelas táticas de entrada. Conforme o mercado espera, patamares de juros reais elevados nos prazos intermediários e longos representam a oportunidade ideal para travar rendimentos acima das metas atuariais dos institutos, blindando o fluxo de caixa dos futuros aposentados e pensionistas contra repiques inflacionários.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,4971%
IMA-B: -0,2074%
IMA-B 5: +0,1467%
IRF-M: +0,1530%
IRF-M 1: +0,0604%
Dólar – Intervenção técnica do Banco Central faz moeda ceder para R$ 5,167
O dólar comercial encerrou o dia em queda de 0,20%, cotado a R$ 5,167 para venda.
O Real conseguiu se valorizar frente à divisa norte-americana, registrando a cotação mínima de R$ 5,156 e máxima de R$ 5,188 ao longo do dia. O movimento foi chancelado pela atuação estratégica do Banco Central, que injetou liquidez nas mesas ao realizar a operação combinada conhecida como “casadão” — ofertando US$ 1 bilhão em linhas de venda à vista combinadas com US$ 1 bilhão em contratos de swap cambial reverso. A atuação neutralizou a pressão das saídas de portfólio estrangeiro registradas no mês e alinhou a moeda nacional ao recuo global do índice DXY, que cedeu 0,10%, aos 101,33 pontos.
E agora?
A segunda-feira inicia a última semana do mês colocando os analistas de perfil macroeconômico em posição de monitoramento intensivo. No cenário nacional, as atenções se voltam logo cedo para a leitura consolidada de inflação com o IGP-M mensal, seguido imediatamente pelas atualizações de expectativas de mercado trazidas pelo Boletim Focus. No exterior, o foco se divide entre a atividade industrial norte-americana medida pelo Fed de Dallas e a abertura dos dados industriais (PMI) da China na virada do dia. O cenário indica uma semana de encerramento de posições semestrais, onde a gestão técnica de risco fará toda a diferença.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (29/06)
Principais indicadores macroeconômicos para direcionar suas decisões hoje:
🇧🇷 08h00 – FGV: Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) referente a junho.
🇧🇷 08h25 – Banco Central: Divulgação do Boletim Focus com as projeções atualizadas do mercado.
🇺🇸 11h30 – Fed Dallas: Índice de Atividade das Empresas da região de Dallas.
🇨🇳 22h30 – DNE China: Índice de Gerentes de Compras (PMI) Industrial oficial de junho.
Monitore os prêmios de risco e ajuste os indexadores de renda fixa para proteger o patrimônio do seu instituto contra oscilações de fim de semestre.
Acompanhe a abertura dos mercados ao vivo e os detalhes do Boletim Focus no nosso Morning News.
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