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Ibovespa respira com forte alta e juros futuros recuam em compasso de espera pela Ata do Copo

A segunda-feira (22) trouxe um alento expressivo para os ativos brasileiros, que conseguiram se descolar do cenário externo mais instável. Em um movimento de forte recuperação após perdas recentes, o Ibovespa saltou 1,21%, reconquistando os 170.370,38 pontos. O impulso veio principalmente do forte desempenho das ações de bancos e da Petrobras, que garantiram o fôlego comprador no pregão. Com essa reação, o principal índice da nossa bolsa reduz o recuo acumulado no mês de junho para 1,91%, enquanto consolida um ganho de +6,70% no ano de 2026.

No câmbio, o real também se valorizou: o dólar comercial recuou 0,46%, cotado a R$ 5,141, engatando sua segunda queda seguida. Esse alívio na moeda ocorreu a despeito da força global do dólar no exterior. A combinação de um ambiente político-econômico externo mais ameno com o cancelamento estratégico de leilões do Tesouro Nacional abriu espaço para um alívio generalizado na renda fixa, fazendo os juros futuros (DIs) recuarem por toda a curva. Enquanto isso, em Nova York, o retorno do feriado prolongado foi marcado por um comportamento fragmentado, com as bolsas americanas fechando em tom misto, castigadas pelas ações de tecnologia.

O início da semana sinaliza um reposicionamento técnico importante para os investidores, antecedendo divulgações que prometem ditar os rumos das carteiras de longo prazo. Convidamos você a acompanhar os detalhes deste panorama nas seções a seguir.

Olhar Global – Nova York fecha mista com realização em tecnologia, apesar de avanços entre EUA e Irã

Os mercados internacionais operaram sob uma dualidade de forças no retorno do feriado prolongado nos Estados Unidos. No front geopolítico, o clima de otimismo prevaleceu após os desdobramentos das negociações ocorridas na Suíça entre representantes norte-americanos e iranianos. O estabelecimento de um plano de trabalho para selar um acordo final em 60 dias mitigou os temores de um novo fechamento do Estreito de Ormuz. Essa percepção de risco atenuada empurrou as cotações do petróleo para baixo, estabilizando a commodity em patamares inferiores a US$ 80 por barril, o que impulsionou os índices acionários na Europa.

Contudo, em Wall Street, esse alívio geopolítico não foi suficiente para sustentar os ganhos em bloco. As ações ligadas ao setor de alta tecnologia e inteligência artificial sofreram forte realização de lucros, com destaque para a queda expressiva da Alphabet, que arrastou consigo o índice Nasdaq e o S&P 500 para o terreno negativo. Por outro lado, setores tradicionais da economia sustentaram o índice Dow Jones no campo positivo. O mercado acredita que, embora os catalisadores globais gerem oscilações nas cadeias de suprimento, as condições gerais continuam favoráveis para os ativos de risco no médio prazo.

Dow Jones: +0,29% (51.712,53 pts)
S&P 500: -0,37% (7.473,04 pts)
Nasdaq: -1,33% (26.166,60 pts)

Ibovespa – Bancos e Petrobras comandam recuperação e bolsa reconquista os 170 mil pontos

O principal termômetro de ações da B3 encerrou a sessão aos 170.370,38 pontos, acumulando uma variação de -7,91% no segundo trimestre.
O dia foi marcado por uma forte rotação de carteiras que beneficiou diretamente as ações de maior liquidez e peso no índice. A Petrobras (PETR4) ignorou o recuo do petróleo no exterior e avançou 0,85%, impulsionada pelo pagamento de proventos (JCP) e pela assinatura de acordos estratégicos com a Pemex. No setor bancário, o movimento de compra foi massivo, atuando como o grande motor do Ibovespa: o Itaú Unibanco (ITUB4) disparou 2,68%, acompanhado pelo Bradesco (BBDC4) com alta de 1,20%, pelo Banco do Brasil (BBAS3) subindo 0,88% e pela B3 (B3SA3) com ganho de 1,80%.

No varejo, o grande destaque corporativo ficou por conta da Azzas 2154 (AZZA3), que saltou 10,31% após sinalizações estratégicas envolvendo sua marca Farm. Na contramão dos ganhos, a Vale (VALE3) operou de forma praticamente estável com leve alta de 0,06%, enquanto a Rumo (RAIL3) subiu apenas 0,16% em dia de anúncio de troca em seu comando executivo.

Juros – Alívio nos DIs futuros abre espaço para valorização nos índices de inflação

O mercado de juros futuros na B3 registrou um dia de merecido alívio técnico, com as taxas recuando de forma firme por toda a extensão da curva — os recuos chegaram a atingir 20,5 pontos-base, especialmente nos contratos de vencimento intermediário. Esse movimento de descompressão foi amparado pela melhora na percepção de risco cambial e pelo cancelamento estratégico de leilões de títulos públicos por parte do Tesouro Nacional, o que acalmou os prêmios exigidos pelos investidores na véspera da divulgação de documentos cruciais de política monetária.

O que isso significa para o RPPS?

A queda generalizada nas taxas dos juros futuros atua de forma direta na precificação dos ativos que compõem as carteiras previdenciárias.

Quando o DI futuro recua, o efeito imediato na renda fixa é a valorização dos títulos públicos de longo prazo indexados à inflação (NTN-Bs) por meio da marcação a mercado positiva. Os índices de menor prazo, como o IRF-M 1 (+0,0671%), continuam fornecendo rentabilidade nominal previsível e alta liquidez para o fluxo de caixa imediato.

O mercado espera que a divulgação da Ata do Copom traga mais clareza sobre o último corte de 0,25 ponto percentual da Selic (agora em 14,25% a.a.), uma vez que analistas apontam certa inconsistência entre o tom duro do Banco Central e a piora nas expectativas inflacionárias capturadas pelo Boletim Focus (5,30% para 2026). Para os comitês de investimentos dos RPPS, os dias de recuo de taxas confirmam a importância de manter uma estratégia diversificada: enquanto a carteira atual colhe os ganhos da marcação positiva diária nos papéis indexados (IMA-B, +0,2683%), os novos aportes seguem encontrando patamares de juros reais extremamente vantajosos para blindar o passivo contra os solavancos inflacionários e garantir o cumprimento da meta atuarial.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: +0,3641%
IMA-B: +0,2683%
IMA-B 5: +0,1500%
IRF-M: -0,4016%
IRF-M 1: +0,0671%

Dólar – Moeda engata segunda queda e recua a R$ 5,14 com fluxo de alívio técnico

O dólar comercial encerrou a sessão de ontem em queda de 0,46%, cotado a R$ 5,141 para venda.
A moeda norte-americana confirmou um movimento de realização de lucros no ambiente doméstico, oscilando entre a mínima de R$ 5,123 e a máxima de R$ 5,160. O Real conseguiu se destacar positivamente na contramão do cenário global de moedas emergentes, visto que o índice DXY subiu 0,17%, atingindo os 101,03 pontos. O mercado acredita que o desmonte de posições defensivas de curtíssimo prazo por fundos estruturados e a expectativa por uma postura técnica rígida do Banco Central na ata de hoje contribuíram para desinflar a cotação da moeda no país.

E agora?

A terça-feira abre os negócios sob forte expectativa institucional. O grande evento do dia ocorre logo cedo com a divulgação da Ata do Copom pelo Banco Central, documento que será minuciosamente escaneado pelos gestores para entender se o ciclo de cortes de juros continuará ou se uma pausa será adotada em agosto. No plano internacional, as atenções se dividem entre a divulgação de dados de emprego nos Estados Unidos (ADP) e a bateria global de índices de gerentes de compras (PMIs), que servem de termômetro para a atividade econômica global. A tendência é de um pregão de alta volatilidade técnica e reposicionamento de preços nas curvas de juros.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (23/06)

Principais divulgações para monitorar ao longo do dia:

🇧🇷 08h00 – Banco Central: Divulgação da Ata do Copom referente à última decisão da Selic.
🇺🇸 09h15 – ADP: Relatório nacional de variação de empregos privados nos EUA.
🇺🇸 10h45 – S&P Global: Índice PMI Composto preliminar de junho nos EUA.
🇺🇸 17h30 – API: Relatório semanal de estoques de petróleo bruto norte-americano.

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Acesse a análise em tempo real sobre os detalhes da Ata do Copom no nosso Morning News.

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