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Liquidez reduzida dita ritmo de acomodação no fechamento da semana

O mercado financeiro encerrou a última sessão em ritmo de compasso de espera e liquidez contida. Em um dia atípico, marcado pelo fechamento das bolsas norte-americanas, o Ibovespa registrou uma alta residual de 0,03%, estacionando aos 168.333,61 pontos. O leve ganho marginal refletiu um movimento de acomodação técnica, embora não tenha sido suficiente para apagar o resultado defensivo do período, consolidando uma queda semanal de 1,64%. Com esse comportamento lateralizado, o principal índice acionário da B3 apresenta um recuo acumulado de 3,12% no mês de junho, preservando um ganho de +5,49% no ano de 2026.

No front cambial, após uma sequência de quatro valorizações consecutivas, o Real ensaiou uma recuperação técnica, fazendo o dólar comercial recuar 0,17%, cotado a R$ 5,165, sintonizado com o alívio global da moeda norte-americana. Por outro lado, o ambiente de renda fixa seguiu pressionado pelo pano de fundo macroeconômico doméstico. Os investidores estenderam o movimento de cautela em relação às projeções inflacionárias, o que impulsionou os juros futuros (DIs), que fecharam em alta por toda a curva. Sem a referência operacional de Nova York, que manteve as bolsas americanas fechadas devido a um feriado nacional, os negócios locais operaram com volume financeiro reduzido.

A calmaria do último pregão antecede uma semana repleta de divulgações de altíssimo impacto para as carteiras de longo prazo. Convidamos você a acompanhar o relatório completo a seguir e antecipar seus movimentos estratégicos.

Olhar Global – Feriado nos EUA reduz liquidez global enquanto geopolítica busca estabilização

O cenário internacional operou desprovido de seu principal farol de liquidez. Devido ao feriado federal de Juneteenth, que celebra o fim da escravidão nos Estados Unidos, as bolsas de Nova York não abriram as portas, induzindo os demais mercados globais a uma dinâmica de menor oscilação e volume financeiro reduzido. Na Europa, sem o direcionamento de Wall Street, os principais índices de ações encerraram as negociações em tom misto e sem tendências estruturais definidas.

No campo geopolítico, o foco permaneceu sobre a fragilidade dos acordos no Oriente Médio. Apesar dos ruídos e ameaças pontuais ao tratado firmado entre Washington e Teerã, o fluxo de navios cargueiros pelo Estreito de Ormuz atingiu o maior patamar desde abril, sinalizando uma normalização importante para o abastecimento global de energia. Mesmo com essa abertura de vias, o petróleo do tipo Brent registrou leve valorização, refletindo o posicionamento preventivo dos agentes contra surpresas diplomáticas, enquanto o ouro passou por ajustes técnicos de baixa.

Dow Jones: Não operou (Feriado Nacional nos EUA)
S&P 500: Não operou (Feriado Nacional nos EUA)
Nasdaq: Não operou (Feriado Nacional nos EUA)

Ibovespa – Baixo volume financeiro estabiliza índice, com suporte de Vale e GPA

O principal índice de ações da B3 encerrou a última sessão aos 168.333,61 pontos, acumulando uma variação de -9,12% no segundo trimestre.
Com a ausência de investidores estrangeiros e o clima de descompressão local, as ações oscilaram dentro de margens estreitas. O suporte para o campo positivo veio da alta de 1,01% da Vale (VALE3), que sustentou o índice de forma isolada, acompanhada pela valorização de 0,56% da B3 (B3SA3). No setor de petróleo, enquanto a Petrobras (PETR4) cedeu 0,13%, operadoras independentes apresentaram bom desempenho técnico, com a PRIO (PRIO3) subindo 0,40% e a Petrorecôncavo (RECV3) avançando 1,80%.
O grande destaque corporativo do pregão ficou novamente com o Grupo Pão de Açúcar (PCAR3), que disparou 12,78%, consolidando uma das semanas mais fortes de seu histórico recente. Na contramão, o setor bancário pesou e limitou ganhos mais robustos: o Itaú Unibanco (ITUB4) recuou 0,80% e o Banco do Brasil (BBAS3) cedeu 0,56%, contrapondo-se ao avanço de 0,60% do Santander (SANB11) e à estabilidade do Bradesco (BBDC4).

Juros – Curva abre prêmios longos e amplia oportunidades na Renda Fixa Previdenciária

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 vivenciou mais uma sessão de forte aversão ao risco e abertura expressiva de taxas, dando continuidade ao estresse técnico da Super Quarta. Houve uma clara separação de comportamento entre as pontas da curva: enquanto os contratos de vencimento curto oscilaram de forma contida, os vértices de médio e longo prazo — com destaque para os contratos de Janeiro de 2027 e Janeiro de 2029 — dispararam até 22 pontos-base ao longo do dia, impulsionados pela leitura rígida que o mercado faz do cenário inflacionário.

O que isso significa para o RPPS?

Para os gestores de RPPS municipais e estaduais, entender o impacto dessa abertura da curva de juros é crucial para a governança patrimonial.

O DI futuro dita diretamente a rentabilidade dos títulos públicos federais, operações de crédito privado e fundos de investimento de renda fixa. Quando as taxas dos juros futuros sobem, o valor de mercado dos títulos de longo prazo (como as NTN-Bs mais longas) sofre uma queda contábil temporária devido à marcação a mercado. Em contrapartida, os fundos de liquidez e papéis de curto prazo (IRF-M 1, +0,0466%) mantêm ganhos lineares.

A expectativa do mercado é que o cenário permaneça volátil devido às incertezas com as trajetórias fiscais e metas de inflação. No entanto, para o RPPS, esse estresse se traduz em uma das janelas de compra mais atrativas dos últimos anos. As taxas reais oferecidas pelos títulos indexados (IMA-B) subiram significativamente, permitindo que as novas alocações travem rendimentos reais muito superiores aos necessários para o cumprimento da meta atuarial. O foco na estratégia de carregar esses ativos até o vencimento neutraliza a oscilação de curto prazo e garante o fluxo de caixa para as aposentadorias futuras.

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,5591%
IMA-B: -0,4047%
IMA-B 5: -0,2134%
IRF-M: -0,1676%
IRF-M 1: +0,0466%

Dólar – Real quebra sequência de perdas e fecha com leve recuo a R$ 5,16

O dólar comercial encerrou o último pregão em baixa de 0,17%, cotado a R$ 5,165 para venda.
A moeda norte-americana interrompeu uma série de quatro sessões consecutivas de valorização frente ao real, registrando a mínima de R$ 5,133 e a máxima de R$ 5,165. O recuo técnico acompanhou o índice global DXY, que caiu 0,12% para os 100,73 pontos, refletindo uma acomodação das moedas emergentes em relação ao dólar após as sinalizações austeras do Federal Reserve. No acumulado da semana, contudo, o câmbio encerrou com uma expressiva valorização de 2,04%.

E agora?

O mercado inicia a semana abrindo os negócios com as atenções totalmente voltadas para o Boletim Focus logo cedo, que reajustará as projeções dos analistas após as reuniões do Fed e do Copom. Os próximos dias serão marcados por testes de fogo na agenda macroeconômica. O mercado espera com grande expectativa a divulgação da Ata do Copom na terça-feira, que trará os detalhes do corte de juros para 14,25% ao ano. Na sequência, teremos o Relatório Trimestral de Inflação, o IPCA-15 de junho e o índice de preços PCE nos Estados Unidos. A volatilidade guiará o ritmo das mesas, abrindo excelentes oportunidades táticas.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (22/06)

Dados cruciais para monitorar nesta segunda-feira:

🇧🇷 08h25 – Banco Central: Divulgação do Boletim Focus com as expectativas de mercado para PIB, Câmbio e IPCA.
🇺🇸 10h00 – Federal Reserve: Pronunciamento oficial de Christopher Waller, membro do comitê de política monetária do Fed.
🇪🇺 11h00 – Comissão Europeia: Índice de Confiança do Consumidor da Zona do Euro (Dados preliminares de junho).

Mapeie os novos prêmios da curva de juros e alinhe as estratégias de liquidez do seu instituto previdenciário. Acompanhe a abertura dos mercados e as projeções do Focus no nosso Morning News.

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