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Ibovespa opera estável com alta do petróleo e cautela global

A última sessão de negócios da semana passada foi marcada por um ambiente de maior aversão ao risco no cenário internacional, refletindo preocupações com o setor de tecnologia e a escalada de conflitos no Oriente Médio. No Brasil, esse movimento global de cautela foi contrabalançado pelo forte avanço nas cotações do petróleo, que impulsionou as ações da Petrobras e segurou a Bolsa nacional perto da estabilidade. Com isso, o Ibovespa fechou em leve baixa de 0,06%, aos 173.714,08 pontos, sustentando um acumulado positivo de +1,06% no mês de julho.
A busca por proteção no exterior fortaleceu a moeda americana em escala global, fazendo o dólar comercial fechar em alta, cotado a R$ 5,1112, embora o Real tenha apresentado desempenho superior ao de outros pares emergentes devido ao impulso das commodities energéticas. Em Nova York, as bolsas americanas fecharam em queda firme, puxadas pela forte realização de lucros no setor de semicondutores. Na renda fixa doméstica, o prêmio de risco internacional e a alta das commodities pressionaram os juros futuros (DIs), que fecharam em alta por toda a curva, reacendendo a importância do planejamento de liquidez para as carteiras institucionais.
Diante desse cenário de volatilidade externa e oportunidades na renda fixa, convidamos você a acompanhar a análise detalhada dos mercados nas seções a seguir.

 

Olhar Global – Nova York recua com liquidação em tecnologia e disparada do petróleo no Oriente Médio

O panorama internacional viveu uma jornada de forte cautela nos mercados acionários. Em Wall Street, os investidores promoveram uma rodada de vendas concentrada no setor de tecnologia e semicondutores, motivada por incertezas quanto ao retorno dos elevados investimentos em inteligência artificial e por ajustes de valuation. Gigantes como Nvidia (-2,21%), Intel (-2,00%) e AMD (-1,03%) lideraram as perdas, arrastando os principais índices nova-iorquinos para o terreno negativo.
Paralelamente, o mercado de commodities energéticas enfrentou um forte choque de oferta. O agravamento dos confrontos militares entre Israel e Irã, somado à manutenção do bloqueio no Estreito de Ormuz e a relatos de ataques a instalações de energia no Kuwait, fez o preço do petróleo disparar mais de 4% no dia. O barril do tipo Brent fechou cotado a US$ 88,10, acumulando uma expressiva alta de 15,9% na semana. O mercado acredita que a persistência desses custos elevados de energia pode estender as pressões inflacionárias globais no curto prazo.

O índice Dow Jones caiu 0,77% (52.146,42 pontos)
O S&P 500 recuou 1,01% (7.457,69 pontos)
O Nasdaq teve queda de 1,40% (25.520,24 pontos)

 

Ibovespa – Petrobras amortece queda da Bolsa brasileira em dia de recuo no setor bancário

O principal índice de referência de ações da B3 encerrou o pregão aos 173.714,08 pontos, movimentando um volume financeiro de R$ 23,86 bilhões. Com o resultado de fechamento, o Ibovespa preserva um ganho acumulado de +1,06% no mês de julho e uma valorização de +7,91% no ano de 2026.
A performance da Bolsa brasileira funcionou como um cabo de guerra entre setores de pesos relevantes. De um lado, a disparada internacional do petróleo serviu como um poderoso escudo para as ações da Petrobras, cujos papéis subiram de forma expressiva e evitaram uma retração mais profunda do índice consolidado. Do outro lado, o aumento da aversão ao risco global e a alta das taxas de juros de mercado pressionaram as ações do setor financeiro e os papéis ligados ao consumo doméstico, que fecharam em queda. No indicador de atividade interna, o IBC-Br de maio avançou 0,1%, vindo acima da expectativa do mercado de recuo de 0,2%, sinalizando uma trajetória de desaceleração gradual, porém resiliente.

 

Juros – Juros futuros abrem com disparada do petróleo, mas mercado mantém aposta no COPOM

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 registrou uma sessão de abertura de taxas em toda a extensão da curva a termo. Os contratos de médio e longo prazo concentraram os maiores movimentos de elevação, registrando avanços de até 23,5 pontos-base. O prêmio de risco foi alimentado diretamente pela alta expressiva do petróleo no exterior, pelo avanço nos rendimentos das Treasuries americanas e pelas incertezas comerciais relacionadas ao anúncio de novas tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros.

 

O que isso significa para o RPPS?

Para os comitês e conselhos de investimentos dos Regimes Próprios, a compreensão do movimento do DI futuro é indispensável para a governança e gestão do passivo (ALM).

O DI futuro atua como a taxa de juros de referência para a precificação de títulos públicos federais e ativos de crédito privado no país. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos títulos de renda fixa de longo prazo mantidos em carteira sofre uma oscilação contábil negativa por meio da marcação a mercado.

Essa elevação nas taxas futuras refletiu-se nos recuos diários dos índices de prazo mais estendido, como o IMA-B 5+ (-0,3750%) e o IMA-B geral (-0,2518%). Ao mesmo tempo, a carteira de liquidez imediata e pós-fixada, mensurada pelo IRF-M 1 (-0,0139%), preservou a estabilidade nominal do caixa. Conforme a expectativa do mercado, mesmo com essa abertura temporária das taxas, as opções digitais da B3 continuam indicando elevada probabilidade de o Copom efetuar um corte de 0,25 ponto percentual na taxa Selic na reunião de agosto. Para a gestão do RPPS, momentos de abertura na curva a termo criam oportunidades táticas para a compra de títulos públicos indexados à inflação (NTN-Bs) com taxas reais de juros elevadas, assegurando o cumprimento da meta atuarial e o casamento de fluxos futuros.

 

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,3750%
IMA-B: -0,2518%
IMA-B 5: -0,0995%
IRF-M: -0,3819%
IRF-M 1: -0,0139%

 

Dólar – Moeda americana sobe a R$ 5,11 com busca global por proteção e ruídos tarifários

O dólar comercial encerrou a sessão em alta de 0,24%, cotado a R$ 5,1112 para venda.
A divisa norte-americana acompanhou o movimento de fortalecimento global do dólar perante moedas emergentes e desenvolvidas, motivado pela busca de ativos considerados refúgios seguros diante do acirramento das tensões geopolíticas no Oriente Médio e do tombo das ações de tecnologia nos EUA. No plano doméstico, os operadores mantiveram posição defensiva avaliando os desdobramentos das tarifas comerciais americanas de 25% sobre exportações brasileiras. Contudo, a valorização das commodities agrícolas e do petróleo amorteceu maiores pressões sobre a moeda nacional, mantendo o câmbio com um ajuste semanal contido de +0,05%.

 

E agora?

A segunda-feira abre os negócios colocando no radar dos investidores o acompanhamento das expectativas de inflação e o fluxo comercial do país. No cenário nacional, as atenções estarão voltadas logo cedo para a divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, onde os analistas verificarão se a surpresa positiva do IPCA de junho continuará promovendo revisões baixistas para as projeções de inflação e Selic de 2026. À tarde, os dados da Balança Comercial Semanal trarão o termômetro das trocas externas. No front internacional, os mercados permanecem atentos aos desdobramentos militares no Estreito de Ormuz e aos discursos de dirigentes de bancos centrais ao longo do dia.

 

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (20/07/2026)

Indicadores essenciais para monitorar hoje:

🇧🇷 08h25 – Banco Central: Divulgação do Boletim Focus com as expectativas atualizadas de mercado.
🇧🇷 15h00 – MDIC: Divulgação dos dados semanais da Balança Comercial brasileira.

Mantenha a visão de longo prazo na gestão das carteiras institucionais e aproveite as oportunidades de alocação trazidas pela curva de juros. Acompanhe a análise do Boletim Focus e a abertura das mesas no nosso Morning News.

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