A terça-feira (21) foi marcada por um pregão de acomodação e estabilidade nas mesas de operação locais. O mercado brasileiro absorveu os desdobramentos da confirmação das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações nacionais, o que gerou cautela em relação ao fluxo de comércio. Contudo, a força do setor financeiro, a recuperação da Vale e o avanço da Petrobras contrabalançaram essa pressão, fazendo o Ibovespa fechar praticamente estável, com leve variação negativa de 0,03%, aos 173.325,65 pontos. Com esse resultado, o principal índice da nossa Bolsa sustenta um ganho acumulado de +0,76% no mês de julho.
No câmbio, o real mostrou resiliência e engatou sua segunda queda consecutiva, fazendo o dólar comercial recuar 0,32%, cotado a R$ 5,073. Em contrapartida, as bolsas de Nova York fecharam em alta consistente, impulsionadas pela expectativa positiva em torno dos balanços das grandes empresas de tecnologia. Na renda fixa doméstica, o avanço nos rendimentos dos títulos americanos e a alta do petróleo no exterior pressionaram os juros futuros (DIs), que fecharam em alta por quase toda a curva, exigindo atenção contínua na gestão do passivo dos institutos de previdência.
Diante de um cenário em que ruídos comerciais e dados corporativos dividem a atenção dos investidores, convidamos você a acompanhar a análise completa e detalhada dos mercados nas seções a seguir.
Olhar Global – Wall Street ganha fôlego com balanços de tecnologia, ignorando tensão no Oriente Médio
O panorama internacional viveu uma sessão de firme apetite por risco nos mercados acionários norte-americanos. Em Wall Street, os investidores deixaram em segundo plano o noticiário sobre os constantes ataques militares no Oriente Médio para concentrar suas ordens de compra na expectativa dos resultados trimestrais das empresas de tecnologia e inteligência artificial. O mercado espera que as grandes corporações reafirmem seus planos de investimentos em expansão de capital, estabelecendo um piso de sustentação para o setor de semicondutores.
No mercado de commodities energéticas, o petróleo voltou a registrar valorização no exterior, influenciado por novas ameaças que se estendem ao Mar Vermelho e à navegação no Estreito de Ormuz, apesar de informações de que uma proposta de cessar-fogo de 10 dias esteja sob análise de mediadores. Na Europa, as principais praças financeiras também encerraram o dia no campo positivo, impulsionadas pela recuperação do setor tecnológico.
O índice Dow Jones subiu 0,74% (52.224,08 pontos)
O S&P 500 avançou 0,88% (7.509,21 pontos)
O Nasdaq teve alta de 1,29% (25.837,21 pontos)
Ibovespa – “Tarifaço” pesa sobre o varejo, mas bancos e Petrobras sustentam a Bolsa
O principal termômetro de ações da B3 encerrou o dia aos 173.325,65 pontos, registrando uma valorização acumulada em 2026 de +7,57%.
A Bolsa brasileira operou como uma balança em equilíbrio perfeito ao longo do pregão. De um lado, a entrada em vigor das tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos sobre parte das exportações brasileiras trouxe cautela aos investidores, pressionando papéis ligados ao consumo interno, ao setor varejista e à saúde, com quedas em empresas como Hypera (-5,51%), Rede D’Or (-4,32%) e Azzas 2154 (-3,80%).
Do outro lado da balança, pesos pesados do índice garantiram a sustentação necessária para evitar perdas maiores: a Petrobras (PETR4) avançou 1,24% acompanhando a alta do petróleo, enquanto as ações da Vale (VALE3) subiram 0,43% em dia de otimismo que antecedeu a divulgação de seus dados de produção e vendas. O setor bancário também atuou com destaque positivo em bloco, liderado pelo Banco do Brasil (BBAS3, +3,52%), Bradesco (BBDC4, +0,76%), Itaú Unibanco (ITUB4, +0,54%) e Santander Brasil (SANB11, +0,74%). O mercado também avaliou positivamente dados que mostram o crescimento de R$ 10 bilhões nas exportações brasileiras para a União Europeia, atenuando o impacto do atrito comercial norte-americano.
Juros – Juros futuros sobem com petróleo e Treasuries, mas mercado mantém aposta de corte na Selic
O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a terça-feira apresentando elevação na maior parte dos seus contratos. Os vértices de curto prazo registraram altas mais contidas, enquanto os vencimentos intermediários e longos avançaram cerca de 5 pontos-base, refletindo a alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e o encarecimento das commodities energéticas no mercado internacional.
O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês de investimentos dos Regimes Próprios, acompanhar a flutuação do DI futuro é essencial para a estratégia de casamento de ativos e passivos (ALM).
O DI futuro dita a taxa de juros de referência para a precificação de toda a renda fixa no país, incluindo títulos públicos federais (como as NTN-Bs e LFTs) e papéis de crédito privado, além de impactar a avaliação de empresas no mercado acionário. Quando as taxas futuras sobem, o valor presente dos títulos mantidos em carteira passa por um ajuste de marcação a mercado temporariamente negativo.
Esse movimento de abertura das taxas futuras explicou o ajuste diário verificado nos índices de prazos mais longos, como o IMA-B 5+ (-0,5005%) e o IMA-B geral (-0,2643%). Por outro lado, a carteira de liquidez imediata e pós-fixada, balizada pelo IRF-M 1 (+0,0486%), continuou a fornecer retornos nominais positivos e seguros para o caixa diário. Conforme o mercado espera, o cenário de curto prazo segue amparando apostas de que o Copom reduzirá a Selic em 0,25 ponto percentual na reunião de agosto (probabilidade atribuída de 79%).
Para a governança dos RPPS, os momentos de elevação das taxas na curva de DIs criam janelas táticas de compra de títulos públicos de longo prazo com juros reais atrativos, garantindo a imunização do passivo e o atingimento da meta atuarial.
Comportamento dos principais índices de renda fixa:
IMA-B 5+: -0,5005%
IMA-B: -0,2643%
IMA-B 5: +0,0266%
IRF-M: -0,0119%
IRF-M 1: +0,0486%
Dólar – Real se fortalece e moeda americana volta a fechar na casa de R$ 5,07
O dólar comercial encerrou o pregão em queda de 0,32%, cotado a R$ 5,073 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,067 e a máxima de R$ 5,086).
A valorização da moeda nacional perante o dólar ocorreu de forma descolada do ambiente global, onde o índice DXY avançou 0,22% perante outras moedas. O mercado acredita que a leitura de que os impactos reais do pacote tarifário norte-americano serão contidos pela lista de exceções e pelo fortalecimento das exportações para outros blocos econômicos, somada ao suporte trazido pela alta do petróleo, atraiu fluxo vendedor para a moeda americana no Brasil, ajudando a conter pressões inflacionárias sobre produtos importados.
E agora?
A quarta-feira inicia com uma agenda de indicadores econômicos locais relativamente enxuta, o que deve manter os investidores focados no monitoramento de dados operacionais e corporativos. No cenário internacional, o mercado acompanhará a divulgação dos estoques semanais de petróleo nos Estados Unidos, indicador Relevante para checar se o aperto na oferta de energia continuará pressionando as cotações globais. No Brasil, o acompanhamento dos dados semanais do fluxo cambial ajudará a mensurar a entrada de capital estrangeiro no país em meio às discussões sobre comércio internacional.
Agenda do dia: Indicadores Econômicos (22/07/2026)
Principais fatores para monitorar hoje:
🇺🇸 11h30 – EIA: Divulgação do relatório oficial de Estoques Semanais de Petróleo Bruto nos EUA.
🇧🇷 14h30 – Banco Central: Relatório semanal de Fluxo Cambial Estrangeiro no Brasil.
Mantenha a governança do seu instituto alinhada às melhores práticas de ALM e aproveite os momentos de ajuste nas taxas futuras para otimizar o seu passivo atuarial. Acompanhe a abertura dos negócios no nosso Morning News.
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