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Ibovespa opera de lado com Focus favorável, enquanto Dólar recua para R$ 5,089

A segunda-feira (20) foi marcada por um pregão de intensa oscilação e busca de equilíbrio nas mesas de operação locais. Em um dia de descompressão nas expectativas de inflação no Brasil, mas de cautela renovada no cenário internacional, o Ibovespa fechou em leve queda de 0,20%, aos 173.371,35 pontos. Com o resultado, o principal índice da nossa Bolsa sustenta um ganho acumulado de +0,78% no mês de julho e de +7,60% no ano de 2026.
No mercado de câmbio, o real apresentou desempenho firme e fez o dólar comercial recuar 0,43%, cotado a R$ 5,089. Em contrapartida, as bolsas de Nova York fecharam em queda, sob o peso do aumento das tensões geopolíticas entre os Estados Unidos e o Irã. Na renda fixa doméstica, a curva de juros futuros (DIs) operou com inclinação: as taxas de curto prazo recuaram amparadas por novas revisões baixistas para a inflação no Boletim Focus, enquanto os prazos mais longos subiram pressionados pelo encarecimento do petróleo.
Com o encerramento da Copa do Mundo e o recesso do Congresso Nacional, o radar dos investidores passa a focar nas eleições de outubro e nas projeções para a taxa Selic. Convidamos você a acompanhar na íntegra os detalhes operacionais e as análises de cada segmento nas seções a seguir.

 

Olhar Global – Tensão militar no Oriente Médio encarece o petróleo e pressiona Wall Street

O ambiente internacional voltou a registrar aumento da aversão ao risco ao longo da sessão de segunda-feira. O tom da retórica militar entre Washington e Teerã voltou a subir após ataques do Irã contra alvos norte-americanos no Oriente Médio, completando nove dias de trocas de ofensivas na região. A preocupação com a segurança da infraestrutura de energia fez os preços do petróleo retomarem a trajetória de alta e flertarem novamente com o patamar de US$ 90 o barril. O mercado acredita que, embora analistas do Goldman Sachs mantenham suas projeções de médio prazo para o Brent em US$ 80, novos ataques a petroleiros podem levar a commodity de volta para a faixa dos três dígitos.
Em Wall Street, essa escalada nos riscos geopolíticos desidratou o apetite comprador, levando os principais índices nova-iorquinos a fecharem o dia no terreno negativo. Na Europa, as bolsas chegaram a operar em alta no início do dia celebrando o alívio temporário nas commodities e a posse de Andy Burnham como novo primeiro-ministro do Reino Unido, mas perderam força à medida que o petróleo acelerou lá fora.

O índice Dow Jones caiu 0,59% (51.841,28 pontos)
O S&P 500 recuou 0,19% (7.443,47 pontos)
O Nasdaq teve queda de 0,05% (25.508,07 pontos)

 

Ibovespa – Commodities e bancos sustentam o índice em dia de recuo no varejo e na Vale

O principal termômetro de ações da B3 encerrou o dia aos 173.371,35 pontos, registrando variação acumulada de +0,78% no terceiro trimestre (3T26).
A Bolsa viveu uma disputa equilibrada de forças setoriais. Puxando o índice para baixo, as ações da mineradora Vale (VALE3) recuaram 1,38%, acompanhando o viés negativo do minério de ferro no exterior. O setor varejista também enfrentou um dia defensivo em bloco, com destaques negativos para Lojas Renner (LREN3, -0,82%) e Assaí (ASAI3, -4,24%). As ações do Grupo Pão de Açúcar (PCAR3) fecharam no zero a zero, em dia marcado por esclarecimentos corporativos sobre o seu plano de recuperação extrajudicial.
Em contrapartida, o índice encontrou sustentação na alta da Petrobras (PETR4, +0,61%), que acompanhou os ganhos do petróleo no mercado internacional, e na firmeza da maioria das instituições financeiras. As units do Santander Brasil (SANB11) avançaram 1,35%, seguidas pelo Itaú Unibanco (ITUB4, +0,81%), Bradesco (BBDC4, +0,66%) e pela operadora B3 (B3SA3, +0,39%), neutralizando o recuo pontual do Banco do Brasil (BBAS3, -1,56%). Estrategistas de mercado apontam que o apetite por risco passou por uma acomodação temporária, com investidores locais e estrangeiros adotando uma postura mais cautelosa diante da corrida eleitoral entre o presidente Lula e o pré-candidato Flávio Bolsonaro.

 

Juros – Curva de DIs sofre inclinação com melhora na inflação de curto prazo e alta do petróleo

O mercado de juros futuros (DIs) na B3 encerrou a segunda-feira apresentando um movimento claro de inclinação da curva de rendimentos. As taxas dos contratos de curto prazo recuaram até 4,5 pontos-base, enquanto os vencimentos intermediários e longos avançaram até 4,0 pontos-base.
A queda na ponta curta foi diretamente influenciada pela divulgação do Boletim Focus pelo Banco Central, que reportou a terceira redução consecutiva nas estimativas de inflação (IPCA) para o ano de 2026. Já os prazos médios e longos subiram pressionados pelas revisões altistas para a inflação de 2028 e pelo prêmio de risco associado à alta das commodities energéticas no exterior.

 

O que isso significa para o RPPS?
Para os comitês e gestores dos Regimes Próprios, entender a dinâmica do DI futuro é crucial para gerenciar o ativo e o passivo (ALM).

O DI futuro é a taxa que baliza os rendimentos de toda a renda fixa do país, incluindo títulos públicos federais (NTN-Bs, LFTs) e papéis de crédito privado, além de impactar o custo de capital das empresas negociadas em bolsa. Quando as taxas futuras de prazos estendidos sobem, os títulos de renda fixa mantidos em carteira sofrem uma oscilação contábil negativa por marcação a mercado.

Esse ajuste na curva explica as variações marginais negativas observadas nos índices de prazos mais longos, como o IMA-B 5+ (-0,0606%) e o IMA-B geral (-0,0509%). Em contraposição, o segmento de liquidez imediata e caixa, mensurado pelo IRF-M 1 (+0,0616%), manteve a entrega de retornos nominais positivos e sem volatilidade. Conforme a expectativa do mercado, o processo de desinflação recente sustenta a probabilidade de um corte de 0,25 ponto percentual na Selic pelo Copom na reunião de agosto.

Para o RPPS, a elevação das taxas longas abre janelas táticas para a aquisição de NTN-Bs com juros reais atrativos, garantindo a imunização do passivo e o cumprimento da meta atuarial.

 

Comportamento dos principais índices de renda fixa:

IMA-B 5+: -0,0606%
IMA-B: -0,0509%
IMA-B 5: -0,0389%
IRF-M: -0,0197%
IRF-M 1: +0,0616%

Dólar – Real se valoriza e moeda americana recua para R$ 5,089

O dólar comercial encerrou a sessão em queda de 0,43%, cotado a R$ 5,089 para venda (oscilando entre a mínima de R$ 5,081 e a máxima de R$ 5,115).
A valorização do Real ocorreu de forma descolada do ambiente internacional, onde o índice global DXY subiu perante outras divisas. O mercado acredita que a combinação de projeções mais brandas para a inflação doméstica no Focus com o suporte de preços mais elevados para as commodities energéticas atraiu fluxo comprador para a moeda brasileira, aliviando a cotação cambial e reduzindo pressões sobre os custos de produtos importados.

 

E agora?

A terça-feira abre os negócios sob uma agenda de indicadores econômicos bastante enxuta no cenário global e doméstico, com destaque para dados de emprego no Reino Unido e indicadores de atividade na Alemanha. Sem grandes divulgações macroeconômicas locais no radar imediato, as mesas de operações devem concentrar suas atenções nos desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e no monitoramento das cotações do petróleo. A expectativa do mercado é de uma sessão de manutenção de posições táticas e foco nos fundamentos corporativos.

Agenda do dia: Indicadores Econômicos (21/07/2026)

 

Principais fatores para monitorar hoje:

🇺🇸 09h15 – ADP: Divulgação da variação semanal de empregos privados nos EUA.
🇺🇸 09h55 – Redbook: Índice semanal de vendas no varejo norte-americano.
🇺🇸 17h30 – API: Divulgação dos estoques semanais de petróleo bruto nos EUA.

Mantenha a gestão do seu instituto alinhada às melhores estratégias de ALM e aproveite as janelas da renda fixa para imunizar o seu passivo atuarial. Acompanhe a abertura dos mercados e a análise de carteiras no nosso Morning News.

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